<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261</id><updated>2011-12-10T00:04:25.784-02:00</updated><title type='text'>Digressiva Maria</title><subtitle type='html'>digressões atemporais, sensibilidades, letras e o que mais vier.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>141</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-116188078900699115</id><published>2006-10-26T13:39:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T13:39:49.033-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Estou confusa há quase seis dias. Seis dias e muitas horas que foram se tornando outros muitos minutos. E pensei, sonhei, suspirei e não consegui chegar a raciocínio absoluto ou realista nenhum. Nem certo nem errado. &lt;br /&gt; Simplesmente ele apareceu e eu fiquei sem saber.&lt;br /&gt; Sem saber de beijava ou olhava. Se olhava e falava. A boca seca deixava qualquer palavra mais árdua, a proximidade assustava. Logo eu que nunca me senti assim, sem saber bem como era assim, senti-me bem assim. &lt;br /&gt; Num primeiro encontro com gosto de primeiro encontro.&lt;br /&gt; A primeira impressão não tem segunda chance. Isso diz ele. &lt;br /&gt; Eu nem isso sabia dizer!!!&lt;br /&gt; São muitas as frases que lembro. E as guardei tão bem que não consigo dizê-las, e no entanto, ao tentar, é timidez que parte.&lt;br /&gt; Foi a hora demorada, de tão curta.&lt;br /&gt; E depois o telefone.&lt;br /&gt; E a saudade.&lt;br /&gt; As conversas...&lt;br /&gt; Sim, como sempre, a espera,&lt;br /&gt; ... não desistas de mim... ou ele murmurou, ou imaginei. Quem sabe queria que ele tivesse dito...&lt;br /&gt; Ai minhas sensações, ai minhas deusas, protejam-me.&lt;br /&gt; Sinto que estou para me perder...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-116188078900699115?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/116188078900699115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=116188078900699115' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/116188078900699115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/116188078900699115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2006/10/estou-confusa-h-quase-seis-dias.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-115876129908604443</id><published>2006-09-20T11:05:00.000-03:00</published><updated>2006-09-20T11:08:19.123-03:00</updated><title type='text'>Misturas</title><content type='html'>Misturo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Não é verdade!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Confusiono, esqueço e agrego. Nem cozido de carne em horas de fogão entranha mais que as minhocas de minha cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Minhoca não tem frente nem verso, dizia Tadeu. Primo mais velho,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Roubei dos primos, muito. Carrinho de rolemã. Rolava a descida sem breque e eles subiam carregando seus carrinhos. Incentivados na ladainha Na descida todo santo ajuda,  na subida a coisa toda muda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      E os santos! Em época de prova, melhor escolher os menos conhecidos. As santas folhas tinham menos pedidos de boas notas para promessas de muitas rezas de convictas e beatíssimas meninas estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      E se Santo Antonio até hoje não arruma minha sala, a nota era boa demais. Não rezava nada. O santo não tinha cumprido sua promessa que eu havia lhe dado o rpazer de fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Santos sem credibilidade em épocas escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Nunca tirei dez e a sala continua desarrumada até a Nice chegar, quase ás dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Um dia dei festa e ganhei um perfume do Luiz, de quem esqueci o nome duplo e sobrenome, mas sei que era o menino mais lindo da escola. Não importa ser acidente, emergência e a consulta na casa da gente. Meu pai médico e o bonitão, em casa. Ele foi e era isso o que contava. E assim contei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Un, deux, trois,... passé. E na curva pós jetê, eu e as pernas, os pés, estourávamos  no chão, um lindo balé e eu o som — tomate esborrachado. Semana sim outra não, pés enfaixados. Não sei como me levam até ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Hoje aulas de dança, de salão. Primeira aula, não fui. Segunda, agüentei 15 minutos. Terceira fui um estouro: 40 minutos. E o joelho nunca mais esqueceu de mancar. Pior, não manca, falha. Dou um passo, e no segundo a perna parece boba, amolece o joelho e vai pra frente. Ando em duas alturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Eu bem que queria escrever bonito igual ao Paulo, mas hoje acordei embaraçada, que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odila Goulart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu misturo as coisas.. Eu gosto de misturar. &lt;br /&gt;O que no princípio confunde, depois ilumina. &lt;br /&gt;Misturo mas não me perco - ou se perco, depois acho!rs&lt;br /&gt;Misturo as palavras alheias, para as pessoas que amo..  Paulo B. P.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-115876129908604443?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/115876129908604443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=115876129908604443' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/115876129908604443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/115876129908604443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2006/09/misturas.html' title='Misturas'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-114745447339129347</id><published>2006-05-12T14:19:00.000-03:00</published><updated>2006-05-12T14:21:13.410-03:00</updated><title type='text'>Outono</title><content type='html'>Outonos. &lt;br /&gt; Camomila, cidreira, doces ervas em meu chá. &lt;br /&gt; Correntes fazem a areia permear olhos que mal entreabrem. Vestido, qual bandeira, animava-se entre cabelos, pernas e braços. Os pés reclamam às pedras, são ásperas.&lt;br /&gt; Os olhos pedem água apesar do céu que nem é  escuro, nem está acinzentado. &lt;br /&gt; Somente o vento que carrega a areia.&lt;br /&gt; Não é uma tarde ensolarada. Com alguma dificuldade, iluminada. &lt;br /&gt; Só.&lt;br /&gt; Nas alamedas nem amoras, nem framboesas, arbustos aqui e ali. Nas folhas, verdes bichos da seda conversam com seus galhos, tecem seus segredos, criam novos pontos, tricotam outras frutas. Mais adiante as pedras estouram junto às ondas. Não é o mar, novamente a areia a criar imagens. E o vento assovia entre os dedos, entre os cachos, entre as pernas desnudas.&lt;br /&gt; Corria protegendo os olhos com o braço.&lt;br /&gt; A cada passo um segredo, era inevitável.&lt;br /&gt; Correu até chegar e bater, com empenho, portas e janelas.&lt;br /&gt; Fôlego curto deixou-se cair no chão da cozinha.&lt;br /&gt; Chamou os cães. Nem som, nem sinal. Só o zunido das frestas.&lt;br /&gt; Não era de assustar-se com facilidade, porém quase sentiu a nuca arrepiar.&lt;br /&gt; Na cesta amarela encontrou pêras, morangos e folhas de hortelã.&lt;br /&gt; Ainda no chão sacudiu a areia dos cabelos, mastigou duas folhas de hortelã.&lt;br /&gt; Vagarosamente subiu até a mesa. Carregava no braço a cesta e na mesa espargiu os morangos. &lt;br /&gt; Não sei no que pensava. Acho que nem ela. &lt;br /&gt; Acontece que a ausência foi chegando e os olhos foram saindo, assim, dali, de lá, esgazeados.&lt;br /&gt; Quando vi, estavam a desaparecer, fechados, piscando, pouco abertos. Morangos dançavam nos dedos, nos lábios, até os olhos avermelhavam. Os dedos miúdos apertavam a fruta, desapercebida. O chão de areia, salpicado de vermelhos, era como as luzes, vespertino. Às vezes comia um, às vezes caiam entre seus pés. Sem vontade, comia outro. &lt;br /&gt; Não sei nem se viajavam os olhos ou o pensamento, não sei.&lt;br /&gt; Os morangos pela mesa, triturados em sua mão, a boca manchada, o colo vazado, a roupa respingada, os pés rolando a areia. &lt;br /&gt; Ruído irritante.&lt;br /&gt; Alisava um seio, o outro, os cabelos, os lábios e os dedos faziam do caminho, cor de morango. &lt;br /&gt; Mastigava devagar, deslizava a língua, outra fruta, a mordida, outro bicho fazendo seda. &lt;br /&gt; O vento abriu a porta que bateu na bancada. Levou ao alto a saia, cabelos e os morangos voaram&lt;br /&gt; Ela não se moveu. &lt;br /&gt; Os cachos escuros, a boca saboreando, as mãos fazendo tinta a escorrer entre dedos, manchavam e desenhavam no vestido e na areia.  &lt;br /&gt; Do colo às pernas uma  sinuosa estrada  rubra.&lt;br /&gt; Distraída, ela não via. Distraída, comia.&lt;br /&gt; Comia morangos, no outono.&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-114745447339129347?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/114745447339129347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=114745447339129347' title='48 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/114745447339129347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/114745447339129347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2006/05/outono.html' title='Outono'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>48</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-114239777679016577</id><published>2006-03-15T01:41:00.000-03:00</published><updated>2006-03-15T01:42:56.803-03:00</updated><title type='text'>Aos primeiros... encontros.</title><content type='html'>As unhas lixadas, não esmaltadas.&lt;br /&gt; O corpo, bem, é o mesmo, e ainda o de ontem. Na última hora não adianta correr, subir escadas, relegar os doces para o fundo da geladeira. Na última hora serei, como de costume, a de sempre.&lt;br /&gt; Rosto praticamente sem rugas. A idade chega, os talhos não. Apropriadamente não são talhos, mas estes cortes horizonto-verticais marcam e como marcam. Graças não os ter. Vontade de agradecer o dom dos risos sonoros.&lt;br /&gt; E a ansiedade, essa companheira de vida, bem que poderia relevar os doces engolidos às pressas enquanto o telefone não tocava, enquanto os dias não mudavam o calendário.&lt;br /&gt; Alguns meses, sim, alguns, e o meu mais melhor de mim, não aproveitado. &lt;br /&gt; Os primeiros encontros esperam, provocam, agonizam. Porque são primeiros, porque são novos e porque... porque... oras nem sei mais quais porquês me assustam. &lt;br /&gt; Se penso, vai dar errado? Se mudará, se a idéia vai ficar, se vai desistir, se vai chegar na hora, não, nunca saberei antes, e depois, bem depois não será mais o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Maria Odila Goulart&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-114239777679016577?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/114239777679016577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=114239777679016577' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/114239777679016577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/114239777679016577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2006/03/aos-primeiros-encontros.html' title='Aos primeiros... encontros.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-114048382249273786</id><published>2006-02-20T22:03:00.000-03:00</published><updated>2006-02-20T22:03:42.506-03:00</updated><title type='text'>A quem...</title><content type='html'>Não sei a quem o tempo obedece mas certamente não é a mim. &lt;br /&gt; Todas as noites, à janela, espero. &lt;br /&gt; Saio, entram pensamentos, volto, entram palavras. &lt;br /&gt; Músicas tocam. &lt;br /&gt; Não chegas, não vens.&lt;br /&gt; Dia, dia e meio, pretérito. &lt;br /&gt; E antes, a ausência.  &lt;br /&gt; Impressões, nostalgias, cumplicidades.&lt;br /&gt; Fatigada, busco o tédio à perfeição.&lt;br /&gt; E o seguinte dia, também espera.&lt;br /&gt; Trocar as diferenças, colorir nuances, lapidar facetas.&lt;br /&gt; Dia esse, outro também.&lt;br /&gt; Vem, vou desarrumar-te. &lt;br /&gt; Todo, todas às vezes.&lt;br /&gt; Saudade. &lt;br /&gt; Saudades.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-114048382249273786?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/114048382249273786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=114048382249273786' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/114048382249273786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/114048382249273786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2006/02/quem.html' title='A quem...'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-113740967229957563</id><published>2006-01-16T09:04:00.000-02:00</published><updated>2006-01-16T09:10:22.153-02:00</updated><title type='text'>Conversas de madrugada</title><content type='html'>Perdi o sono&lt;br /&gt; Quem sabe por conta de querer ouvir Nicolas Krassic, não sei, mas enfim fui a teu Teto, agora ouvindo a outra faixa. Ah essas músicas... Acredita que cheguei a ouvir nosso Hino madrugada destas? Pois ouvi sim e com Nicolas.&lt;br /&gt; Paro antes que me diga: — Quem esse Nicolas? (aviso de amiga, como seu francês é péssimo, não se esqueça que a pronúncia é Nicolá)&lt;br /&gt; Um francês como aquel´outro, também do violino, também apaixonado por música.&lt;br /&gt; Voltando ao pretendido, ainda bem que este correio eletrônico funciona na madrugada. Carteiro algum conseguiria fazer minhas vontades entregatícias. Imediatista que sou quero que leias logo, quero que logo respondas.&lt;br /&gt; Ah, sim. Outra vez me perdia. Ao teu Teto digo que só pensei, senti, reli e nem sei dizer o quanto gostei. Clau deve ter escrito abduzido, cheguei a pensar. Diferente este. Não sei. Quer dizer sim, sei. Acho que escreveu apaixonado. Não meu querido, não é aquela minha mania de querer que tu te apaixones, namore, mas agora te vejo apaixonado por letras. &lt;br /&gt; Sinto que tenhas sumido de quase todos os amigos. Não te vejo tem quase um ano. &lt;br /&gt; Quem sabe apareças antes do Carnaval?! Sei que não és de festas e que esse meu jeito de contenteza sempre te irrita. Brigue comigo mas apareça, sim?&lt;br /&gt; E não esqueça de sua cartinha a Papai Noel. A minha mandei, em novembro e ainda nada. Papai Noel meio vesguinho deixou a filha com namorado e eu, sonhando, sonhando e apaixonada. Sabe Clau, melhor se prevenir e mandar a sua antes do meio do ano. Acredite, o Natal chega cada vez mais cedo... &lt;br /&gt; Troco meu presente de aniversário, que tu não deu, pela coca cola que tu me deve. E troco os dois por um jogo de xadrez, desde que se comprometa a novamente perder. Não é que não saiba perder é que gosto de ganhar mesmo quando você diz que não sei jogar porque fico rindo e te futricando o tempo todo. E não é melhor o jogo assim? Levar jogo a sério deve causar rugas...&lt;br /&gt; Esperando que logo respondas vou tentar novamente o sono. Amanhã, que já é hoje, mostra sol na janela e a feira começando e como ainda nem dormi esse amanhã não consegue chega.&lt;br /&gt; Se vier hoje passe na barraca do pastel e me traga um de carne. Com garapa também para a azia ser completa.&lt;br /&gt; Agora verdadeiramente vou dormir. Se chegar antes que acorde a chave está escondida nas barbas do Papai Noel ainda esquecido do lado de dentro da porta. &lt;br /&gt; Toque a campainha. Quem sabe acorde, te dê a chave e volte a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim. O Teto está aqui DESCONCERTOS&lt;br /&gt;www.desconcertos.com.br &lt;a href="www.desconcertos.com.br"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-113740967229957563?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/113740967229957563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=113740967229957563' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113740967229957563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113740967229957563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2006/01/conversas-de-madrugada.html' title='Conversas de madrugada'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-113665276794505006</id><published>2006-01-07T14:52:00.000-02:00</published><updated>2006-01-07T14:58:34.776-02:00</updated><title type='text'>Cotidiano I</title><content type='html'>O lençol já foi branco e o varal novo.&lt;br /&gt; A casa ainda é habitada. Só as pessoas não são vistas.&lt;br /&gt; Todo dia, pela manhã, são outros os lençóis, outros os pregadores. Ninguém a ver as trocas, ninguém sabendo das horas. &lt;br /&gt; Amanheceu e o de ontem não será o de hoje.&lt;br /&gt; Quinta-feira rosas estavam lá, penduradas, cabos no varal e pétalas entre os lençóis. &lt;br /&gt; A cada quinta, novas rosas. Nas terças, flores amarelas e nos sábados cravos que de tão rubros, pareciam enlutados.&lt;br /&gt; Relógio e calendário ficaram em casa. &lt;br /&gt; A vida corre melhor entre encardidos lençóis e alvas-coloridas flores.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-113665276794505006?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/113665276794505006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=113665276794505006' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113665276794505006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113665276794505006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2006/01/cotidiano-i.html' title='Cotidiano I'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-113606093188922945</id><published>2005-12-31T18:26:00.000-02:00</published><updated>2005-12-31T18:28:51.903-02:00</updated><title type='text'>2005</title><content type='html'>Depois de um certo dia o tempo cansa e o ano muda. Não necessariamente no primeiro dia do ano porque no primeiro de janeiro muda o ano datado. E no entremeio mudam os aniversários de vida, os de conhecimento, os de casa nova, os de morte até.&lt;br /&gt; A cada final dizem que o ano foi mais corrido, adiantado. Impressão, impressão. &lt;br /&gt; Este ano, ao soar a primeira badalada saibam: — ele chegará atrasado de um segundo... Coisa  de astrônomos. Ou quem sabe a terra tenha se perdido no meio do caminho, quem sabe?&lt;br /&gt; E assim desejo que no novo ano vocês invertam. &lt;br /&gt; Tudo e a todos. &lt;br /&gt; Troquem velhas idéias conhecidas por outras desconhecidas, anônimas, casuais e alheias. &lt;br /&gt; Invertam as palavras, os sentidos, as sensações. &lt;br /&gt; Desfaçam feitos, refaçam desfeitos.&lt;br /&gt; Criem conceitos - o abstrato como concreto,  a posse como perda e o real como etéreo.&lt;br /&gt; Jamais pergunte, jamais explique, vá vivendo, siga sentindo.&lt;br /&gt; Saudade é só de quem partiu. Dos outros leve nostalgia,  enfrentamento e incompletude.&lt;br /&gt; Maturidade, descarte. Responsabilidade, passe ao largo. Certezas? Mude, mude. Não, jamais apregoaria irresponsabilidades. É que a vida pede tanto que temos em demasia todos estes conceitos. Troque os antigos pelos recém-chegados, conceitos de nada como determinantes de tudo.&lt;br /&gt; Leve a vida como conhecida de outrora, tal qual coisa lontana, como um quase que.&lt;br /&gt; E no mais desejo a vocês as letras e os carinhos que tenho.&lt;br /&gt; Insubmissa decido: não desejo nada a ninguém!?! &lt;br /&gt; Construam seus votos e venham me contando até o último ano do dia do ano que vem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-113606093188922945?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/113606093188922945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=113606093188922945' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113606093188922945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113606093188922945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/12/2005.html' title='2005'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-113343402505457024</id><published>2005-12-01T08:42:00.000-02:00</published><updated>2005-12-10T11:10:05.536-02:00</updated><title type='text'>Querido Papai Noel</title><content type='html'>Meu aniversário é em novembro, meio do mês. Comemoro há quase meio século sempre sabedora que depois dele, chega Natal.&lt;br /&gt; Mas este ano, não sei... em outubro, panetones. Antes que mudasse meus anos, as ruas iluminadas, as árvores enfeitadas. &lt;br /&gt;        Mais que perdida, senti-me desarvorada.&lt;br /&gt;        Como Papai Noel saberá de mim se a hora ainda não é essa? Será que antes da época ele também lê as cartinhas? Ou será que preciso correr e fazer pedidos antes que perca o prazo?&lt;br /&gt;        Na dúvida, melhor pecar pelo excesso. Escrevo agora e escrevo em dezembro, novamente.&lt;br /&gt;        Querido Papai Noel.&lt;br /&gt;        Se o natal corre assim, sentir-me-ei mais velha mais rapidamente. E se os anos não cumprirem seu prazo de durar um ano, Papai Noel, como poderei decidir o que quero?&lt;br /&gt;        Rapidamente penso e escrevo, antes que o tempo seja senhor de mais senhores.&lt;br /&gt;        Desejo uma casa. Pequena não quero. Que vivam confortavelmente as meninas e eu, portanto 4 quartos se fazem necessários. Da sala, sentada, (quero sofá também que não tenho um há mais de 3 anos)  quero ver o por do sol, essa novidade de todos os dias e á noite. Quero sonhar com a lua,  namorada solitária, como eu. Quero saber que os carros andam, mas tão vagamente que sentirei os sons, não os verei. E que a casa seja ali pelos lados da rua Morás e apartamento, daqueles novos.&lt;br /&gt;        Depois da casa, queria pedir Papai Noel para que o senhor dê, vez em quando, uma espiada nos meninos. Andam tão perdidos da vida estes meus guris... Acho que é a falta do pai, mas como o pai está no céu com o senhor, pergunte que ele saberá como lhe ajudar, nos cuidados com nossos meninos.&lt;br /&gt;        Não sou de muito pedir. Como todos, adoraria quitar as dívidas que nem são tantas, mas aquelas corriqueiras. Devo atenção às meninas, devo mais trabalho às minhas outras moças, as que trabalham comigo. Devo cozinhar mais em casa, devo também ouvir mais a vida dura de Nice, a minha desordenada ordenadeira.&lt;br /&gt;        Devo ainda algum dinheiro para ter todas as partes do carro. A viagem que dividi em módicas muitas prestações e o aluguel que aumenta, aumenta...&lt;br /&gt;        Me deixe continuar recebendo o justo salário de todo trabalho que faço.&lt;br /&gt;        Gostaria ainda Papai Noel que o juiz do inventário acabasse com essa agonia. Segurar um morto por tanto tempo é no mínimo, cansativo.&lt;br /&gt;        E por quase fim, desejo Papai Noel não terminar sozinha os meus dias. Tenho as meninas, bem sei, mas elas farão suas vidas, seus amores. Tenho os meninos, mas estes há tempos estão em novas casas, fazendo suas outras famílias. Tenho pai e mãe e estes sabem... eu que saí fazer minha outra família.&lt;br /&gt;        O marido não tenho. Está bem aí, a seu lado, olhando as crias crescerem. Mas não será ele, Papai Noel quem me deixa assim sozinha? Vai ver continua ciumento, vai ver...&lt;br /&gt;        Não me dê namorado nem outro marido, mas conceda amigos sinceros, conversadores como eu, passeadores nas madrugadas e de tantas outras afinidades. E quando a solidão chegar, me dê o carinho das lembranças. Elas ainda me aquecem os olhos e molham as memórias&lt;br /&gt;        Mas se com tudo isso o senhor ainda achar que mereço me apaixonar, que seja logo Papai Noel que ando me sentindo tão sozinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-113343402505457024?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/113343402505457024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=113343402505457024' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113343402505457024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113343402505457024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/12/querido-papai-noel.html' title='Querido Papai Noel'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-113194001164274494</id><published>2005-11-14T01:46:00.000-02:00</published><updated>2005-11-14T01:46:51.656-02:00</updated><title type='text'>III</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;Moço, quase.&lt;br /&gt;Carente, não diria.&lt;br /&gt;Seco, talvez.&lt;br /&gt;E adorava namorar.&lt;br /&gt;Meia idade, ela.&lt;br /&gt;Decidida, quem sabe?&lt;br /&gt;Aprendia agora os nãos da vida.&lt;br /&gt;E adorava namorar.&lt;br /&gt;Não se encontraram.&lt;br /&gt;Ela chegou cinco minutos mais tarde e ele três horas antes&lt;br /&gt;Teria sido um caso, não fosse o desamor.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Odila&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-113194001164274494?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/113194001164274494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=113194001164274494' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113194001164274494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113194001164274494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/11/iii.html' title='III'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-113075286327916506</id><published>2005-10-31T07:58:00.000-02:00</published><updated>2005-10-31T08:01:03.310-02:00</updated><title type='text'>II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;em&gt;Dizem que o dia finda nas tardes. Dizem, não sei.&lt;br /&gt;Nas horas vespertinas ideogramo os sentidos, sentidos inexplicáveis, dissimulados e dúbios.&lt;br /&gt;Nada fácil rever mistérios e deles fazer outro dia.&lt;br /&gt;Lentos os regressos, antigas as felicidades.&lt;br /&gt;Assim indago e pratico, descreio até. Novo dia não se pré-dispõem, não se deixa conhecer.&lt;br /&gt;Dias novos almejam ser... dias novos.&lt;br /&gt;Por isso acordo nos de sempre, acordo ontem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-113075286327916506?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/113075286327916506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=113075286327916506' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113075286327916506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113075286327916506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/10/ii.html' title='II'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-113012209372483178</id><published>2005-10-24T00:47:00.000-02:00</published><updated>2005-10-24T00:57:54.503-02:00</updated><title type='text'>Continhos I</title><content type='html'>Eudóxia colecionava maçanetas. Mamãe, chaves. E por ser da família, fiquei com as portas. &lt;br /&gt; Quando não tive onde guardá-las mudei para minituras pintadas e depois para quadros com portas. E finalmente passei a olhar portas. É mais prático.&lt;br /&gt; Na rede, só fazia cismar. Por que portas? Nunca abri, nunca entrei, não sei qual o outro lado... Seria de alguém? Não ter resposta não me importa. Não ter as portas é como perder todos os botões de minha única blusa.&lt;br /&gt; Receio, quem sabe? Melhor assim, sem camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-113012209372483178?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/113012209372483178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=113012209372483178' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113012209372483178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/113012209372483178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/10/continhos-i.html' title='Continhos I'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112887121926992600</id><published>2005-10-09T12:15:00.000-03:00</published><updated>2005-10-09T12:20:19.276-03:00</updated><title type='text'>Meses</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Janeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os começos são sempre sérios, comprometidos e comprometedores. Arrumação cai bem. Usar terebentina acaba com os mofos... até aqueles d´alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Fevereiro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antiga escolar agradeço... não tenho aulas, não tenho lição, meu santo dos estudantes em época de prova e reprovação, Amém. Essa parte... já cumpri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Março&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo março é de verão, lava-se as águas. Todo 19 quando chega, tem por santo um José. Todo italiano, se José, tem &lt;em&gt;zépollos&lt;/em&gt;, bolinhos da devoção, às Marias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Abril&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Busca de felicidade, incerta, curta e intensa.  E  independente de ontens e hojes, duradoura, para o tempo que resolver resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Maio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         — Maio é mês de Cinderela.&lt;br /&gt;         — Melhor ter cuidado porque depois da meia noite ela dança.&lt;br /&gt;         — Tá errado cara. Depois da meia noite, vira plebéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Junho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Prometo nesse dia cumprir a lei. Não sei qual delas mas é bom que alguma seja assim lembrada, para ser cumprida, não necessariamente obedecida. Executada, somente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Julho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tralhas, roupas, memórias. Julho começa quando o semestre se renova. Não tenho o que deitar fora porque sou fora de guarda, descautelada. Fecho a porta do sábado, entro nos domingos e peço à vida que fique de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Agosto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Decomposto, reposto, deposto. Fosse país e seria a guerra. Fosse gente, uma epidemia. Fosse eu,  intestinas revoltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Setembro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para desafeto, os desconhecidos. Para  as idéias, a saudade das palavra e para mês, sempre o próximo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Outubro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sonatina deveria sempre começar em outubro. As promessas, descumpridas e os encantos mantidos. Ah Mozart... do,do, sol, sol, lá, lá, sol....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Novembro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero morrer antes que consigam me matar, mas aniversários são assim, inovações d´eu com eu mesma e minhas todas eu. Algumas morrem, outras aprendem, outras ainda correm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Dezembro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sentimentos nunca vêm com garantia e o destino, qualquer seja ele, sempre vai a caminho do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os meses não precisam ir e vir, não têm pressa e nem solução. Meses são como as árvores... não há nenhuma que o vento não tenha oscilado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112887121926992600?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112887121926992600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112887121926992600' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112887121926992600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112887121926992600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/10/meses.html' title='Meses'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112801063416069381</id><published>2005-09-29T13:03:00.000-03:00</published><updated>2005-09-29T13:17:14.190-03:00</updated><title type='text'>La Noche Caliente</title><content type='html'>Nada de diferente neste convite... estava na Argentina representando o Brasil e fui informada que precisaria ir a uma festa Beneficente. Festas? A d o r o então concordei.&lt;br /&gt;Estava sem meu tradutor mas portunhol... quem não entende? Convite tradicional, formal. Sondei o motorista e ele me disse&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;- La bruja, ah la bruja...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Claro, bruxa, finados, era um haloween, logo uma festa à fantasia. Fui me certificar relendo a invitaticion&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;El Gobierno&lt;/em&gt;...&lt;/span&gt; tarátátá... &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;la Casa Rosada&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;...(como se eu não soubesse o que é a casa rosada).. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;invitamos la señora&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Odila Goulart.. tátátá... &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;La noche caliente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;...nem continuei a ler&lt;br /&gt;Convite padrão. Prova do meu bom portunhol é que ontem tinha saído com Juan: ele conversando em frânces e espanhol e eu em português e quase italiano. Nos saímos muito bem. Quase entendi o que ele falava a maior parte das palavras troquei... mas isso é de somenos importância. Tinha certeza que me sairia bem na festa, mesmo estando sozinha.&lt;br /&gt;A festa, no dia de finados ...e dos mortos também, como dizia minha avó italiana, era hoje.&lt;br /&gt;E eu, atrasada cheguei na camareira e perguntei onde poderia alugar uma roupa de festa. Ou comprar uma &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;hacienda&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; - como vocês não sabem ensino, hacienda é fazenda em espanhol -  porque se não encontrasse a fantasia eu mesma costuraria uma.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;- Una fiesta? Hacienda?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;- Ahãã??! Não! uma festa... hoje...Na casa... longe.  É uma missão que recebi.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;- Las Missiones? Hacienda? Su novio? Ah, su padre, su madre mira que barbaro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;- Que missa que nada. Sem madre. Sem padre sem novo.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Su padre? Novio? Bodas?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;- Ô meu Deus do céu. Guria vê se me entende... &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Una fiesta&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, hoje, na casa da mulher aquela lá... rosada&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;- La Bruja?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;- Isso, isso, onde posso alugar roupa?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;- Mira que bárbaro. Hoy?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Falando comigo há tanto tempo e só agora lembrou de dar um oi? Por isso que a Argentina não vai pra frente, povo mais distraído.&lt;br /&gt;HO-JE  TE-NHO UMA FES-TA NA...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;- Entiendo, entiendo. Na Recoleta ... su ropa..&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;- Tendi. E lá alugo?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;- Alquilo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; - Kilo? Ai meu caramba FES-TA... A-LU-GUEL&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;... entiendes?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Como estava quase berrando com a moça achei melhor ir até o Boulevard. Pateo como falam...  Shopping Center, hum! nem isso eles conhecem.&lt;br /&gt;Fui e voltei de táxi porque estava sem paciência para esperar o moço da embaixada chegar.&lt;br /&gt;Alquilei una fantasia linda.  Decidi que seria a  mais bonita da festa  que estaria cheia de fantasmas e caveiras.. seria a bruja sensual.&lt;br /&gt;Corpete preto, e meia  rendada, saia rodada,  presa do lado esquerdo na cintura, mostrando bem as pernas, saltos altíssimos, decotadíssima. Uma capa preta de fazenda transaparente e para finalizar um enorme chapéu pontudo, com véu...  acabei misturando as fantasias.  Meio bruxa, meio fada, mas tudo em Negro.. Queria ser a melhor. The Best. Primeira e única. Afinal, representava o Brasil nesta reunião argentina.&lt;br /&gt;Oito em ponto desci. Pontualmente atrasada já que a festa começava ás sete e minha idéia brilhante era  chegar atrasada só para ver o frisson do pessoal daqui.&lt;br /&gt;O motorista me olhou de rabo de olho...  eu sabia que estava ótima..  ele resmungou &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;quedaste loca?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;... não disse? estava estonteante...  o motorista confirmava minha ótima idéia.&lt;br /&gt;Cheguei na casa Rosada... todos me olhavando... Não pensei que estivesse assim maravilhosa. Mas os olhares masculinos, estranhos, confirmavam o meu bom gosto.&lt;br /&gt;Entrei ... e entrei maus... era uma festa black-tie para &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;los carentes&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e eu, uma tola, ao ler &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;La Noche Caliente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; achei que fosse uma festa a fantasia e associei a bruja do motorista com a bruxa de bruxa. Como ía saber que era esse o apelido da Presidente Isabelita?!?&lt;br /&gt;Porque não me avisaram? O motorista e a camareira?&lt;br /&gt;Tive que permanecer a festa toda sendo &lt;em&gt;“comida”&lt;/em&gt; pelos olhos daqueles gáuchos tarados... que ficavam me dizendo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;ó se le gusta hacier una tonteria..&lt;br /&gt;uma bruja? hoy? Vienga...&lt;br /&gt; pero se le gusta tomar un trago en mi habitación..&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se pego aquela camareira... mato o motorista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112801063416069381?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112801063416069381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112801063416069381' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112801063416069381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112801063416069381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/09/la-noche-caliente.html' title='La Noche Caliente'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112747502705655795</id><published>2005-09-23T08:23:00.000-03:00</published><updated>2005-09-23T08:30:27.063-03:00</updated><title type='text'>Inventário de quarta</title><content type='html'>Cansada, às três da madrugada não consigo pensar em mais nada a não ser escalda-pé e massagem.&lt;br /&gt;E dias, dias sem trabalhar. Com pés desdoloridos.&lt;br /&gt;Mas bem antes  falhei e dormi.&lt;br /&gt;Dormi para acordar novamente em saltos altos.&lt;br /&gt;Mas de hoje não passou.&lt;br /&gt;Chá para os pés e de erva doce. Não sei bem se é do gosto deles mas para mim foi excepcional... até consegui andar sozinha pro banho...&lt;br /&gt;E voltei pra cama quase arrastada. Incrível que pés doloridos signifiquem tanto.&lt;br /&gt;Durante vinte anos, obedientemente, saltos nos pés, maquiagem e cabelos impecáveis. Um primorzinho de esposa para ser vista e pouco ouvida.&lt;br /&gt;Mas aí veio a vida e estou viúva.&lt;br /&gt;Também estou cuidando de outras como eu, quase 450.&lt;br /&gt;E por isso os sapatos, os sapatos, a saia e os cabelos.&lt;br /&gt;Creio que se chegar de tênis, jamais serei atendida no Tribunal. De calça nem pensar, não chego nem nas escadas.&lt;br /&gt;E no entanto adoro esse meu trabalho, mesmo porque estou criando essa nova assessoria.&lt;br /&gt;Mas não podia ser sem salto?&lt;br /&gt;Seria mais crível... até para os amigos ouvirem minhas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112747502705655795?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112747502705655795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112747502705655795' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112747502705655795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112747502705655795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/09/inventrio-de-quarta.html' title='Inventário de quarta'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112529333275583770</id><published>2005-08-29T02:26:00.000-03:00</published><updated>2005-08-29T18:42:58.196-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Meu querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é quinta, dia de acordar mais cedo, dia da feira aqui na rua. Desde a madrugada os sons chegam, corriqueiros, algo indistintos. Os ônibus sobem a rua ao lado e eu a tudo ouço com preguiça de sair da cama.&lt;br /&gt;Embaixo da nossa janela gritam os preços da banana e da batata.&lt;br /&gt;— Porque banana e batata ficam lado a lado? Você perguntava, eu ria.&lt;br /&gt;— Coisas da feira meu bem.&lt;br /&gt;Acreditar você não acreditava, mas fazia sins com a cabeça e interrogações nas mãos.&lt;br /&gt;— Cidade enervante, irritante, resmungava. Feira no meio do transito, ruas paradas e frutas com batatas...&lt;br /&gt;Mesmo que não queira o despertador me chama pela segunda vez. Levantar neste frio... bem que poderia deixar de trabalhar em dias gelados. Infelizmente não encontrei até hoje chefe que pense assim, então levanto e mais cedo, porque é dia de feira.&lt;br /&gt;Desci correndo.&lt;br /&gt;As laranjas estão secas, as verduras murchas, por isso trouxe papaias e abacaxi, maçãs, pepino e aipo. Queijo não, porque ainda temos alguns e bolachas deixei para comprar no chinês ali da esquina. Não se esqueça que já desidratei a hortelã para teu suco. Estão na caixinha azul, terceira prateleira do frezzer. Os morangos estão lavados, e as batatas cozidas com a mandioquinha, ainda em cima do fogão.&lt;br /&gt;Adoro sopas nas quintas.&lt;br /&gt;Lúcio manda avisar que seu pastel de banana veio a meio termo hoje. O vidro caiu na perua que agora está perfumada à canela mas os pastéis, hoje, só açúcar.&lt;br /&gt;Ovos vermelhos, grandes, nenhum. Alias acho que precisamos viajar para Minas, trazer doces e ovos de duas gemas. Como será que sabem que as galinhas duplicam as gemas nesse ou naquele ovo? Para mim isso sim que é enervante... loteria de ovos e gemas.&lt;br /&gt;Mamãe fez seu bolo de fubá. Mandou uvas também. Já as meninas arrumaram a mesa e a sala. Não estranhe o excesso de flores... são todas para você.&lt;br /&gt;Sua mãe e seu pai chegaram, cansados e mandaram lembranças. Marquei almoço com ele no clube. Espero que goste.&lt;br /&gt;Quando acordar, me ligue. Prepare seu café que sai um pouco corrida.&lt;br /&gt;Ah sim, eu que calcei suas meias, seus pés estavam gelados, gelados.&lt;br /&gt;Boa quinta, meu bem querido. O pão deve estar quase pronto quando acordar. Deixei no forno fraco, só para ele acabar de subir e dourar. Desligue antes que eu novamente queime a casa.&lt;br /&gt;Beijos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Odila&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112529333275583770?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112529333275583770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112529333275583770' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112529333275583770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112529333275583770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/08/meu-querido-hoje-quinta-dia-de-acordar.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112481636917404557</id><published>2005-08-23T13:52:00.000-03:00</published><updated>2005-08-23T13:59:29.180-03:00</updated><title type='text'>Constatações</title><content type='html'>&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ficar viúva tem complicações, claro, regalias é que eu não sei.&lt;br /&gt;Sinto falta, enorme falta de ter alguém com quem conversar. Tenho as filhas, mas são crianças que mesmo crescendo, continuarão filhas... e crianças. Coisa de mãe, penso, que tem nos filhos sempre seu contingente mais novo, qualquer seja a idade deles.&lt;br /&gt;Espero que elas cresçam e cresçam bem, mas esta espera não tira o meu despovoamento das palavras.&lt;br /&gt;Espero muitas coisas, mas enquanto espero, fico assim quieta, sem um alguém que me conte seu dia, sem dar meus contos para outro que não seja eu.&lt;br /&gt;Então vou me fechando, até nas letras, até ficar sem sentindo. E fico mais e mais sozinha. Recolhida como diz um amigo&lt;br /&gt;Não que me recolha, pelo menos eu não acho. Mas aquieto-me bordando, relendo o que gosto e vendo romantismo na tela. Só essa semana revi Hamlet seis vezes e em múltiplas versões.&lt;br /&gt;Sim, sim, alguns açucarados quebram Shakespeare vez em quando.&lt;br /&gt;Melhor criar novos campos de conhecimento, retruca novamente esse amigo. É, seria melhor... melhor se pelo menos eu soubesse o que procuro.&lt;br /&gt;A vida é indistinta.&lt;br /&gt;Solidão não vende livro nem dá prestígio, mas dói pra cacete. Já falar abobrinhas cansa mas parece ter algum retorno.&lt;br /&gt;Não que eu esteja pensando em fazer ou vender livros... estava só pensando como é difícil não ter com quem falar.&lt;br /&gt;Diz o mesmo amigo que isso é solidão. Não acho. É não ter com quem falar, oras!!&lt;br /&gt;Mas meu amigo é teimoso e reitera – SOLIDÃO.&lt;br /&gt;É porque ele tem com quem conversar. Mas já se sentiu muito só mesmo tendo e amando esse alguém.&lt;br /&gt;E na verdade nem deveria falar nada... as pessoas não querem saber da sua solidão, diz aquele amigo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A solidão é perversa e não perdoa a ilusão de se estar acompanhado. Das coisas que fala Paulo, esse meu precioso amigo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não há solidariedade entre solitários, outro de seus ditos.&lt;br /&gt;Continuo dizendo... é complicado conviver, viver então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112481636917404557?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112481636917404557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112481636917404557' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112481636917404557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112481636917404557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/08/constataes.html' title='Constatações'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112428873685060436</id><published>2005-08-17T11:24:00.000-03:00</published><updated>2005-08-17T11:25:36.856-03:00</updated><title type='text'>Passeios Italianos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Firenze.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; Águas turvas, quase fétidas, que extraem memórias como gôndolas em tênues e curvos caminhos. Novamente alvenarias, nuas de braços que há muito esperam. Outra vez, outra vez... mudar... outra vez descontinuar.&lt;br /&gt; Indagar, hesitar respostas. Diga-me o que quero que não te ouvirei jamais. &lt;br /&gt; Acusa-me o peito, mãos esgarçam o decote, ansiosas. As pernas que descruzam, incomodadas. &lt;br /&gt; Ontem houve inverno. Hoje, não. &lt;br /&gt; Você saiu e eu ouvi. &lt;br /&gt; Hamlets circundam, famílias que hei de não ter.&lt;br /&gt; Heranças italianas. &lt;br /&gt; Herdar... e deixar de ser a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112428873685060436?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112428873685060436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112428873685060436' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112428873685060436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112428873685060436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/08/passeios-italianos.html' title='Passeios Italianos'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112346162533555477</id><published>2005-08-07T21:32:00.000-03:00</published><updated>2005-08-07T21:40:25.343-03:00</updated><title type='text'>Lendo Mario Benedetti</title><content type='html'>Não gosto da eternidade, do comprometimento do sempre, do nunca raivosamente escutado, do adeus eternamente dito. Pesam mais as palavras, o sentido a elas atribuído? Não sei, não gosto nem de ouvi-las.&lt;br /&gt;  Talvez suporte algumas mudanças; talvez a escrita, talvez o tempo que circunda e a arenga que o devolve. &lt;br /&gt;  Mesmo nas coisas, de igual modo com os sentidos.  &lt;br /&gt;  Crio como meus os lugares, como incontínuas as águas.  Acorrento os encadeados sentimentos, fluentes as dúvidas. &lt;br /&gt;  Pensamentos submetidos e vinculados.&lt;br /&gt;  Para fluí-los é mister fazer poços, na água e nos céus; furos no véu e nos ventos e escavovar redores, muitos redores. Cair livra-me dos aprisionamentos.&lt;br /&gt;  Havia um tempo, havia...  habitavam em mim eu e meus sentimentos.&lt;br /&gt;  E então a vida. &lt;br /&gt;  Não sei ler, não tenho compromissos, vazo continuamente as posses.&lt;br /&gt;  &lt;em&gt;Estou carente, carente de livros&lt;/em&gt;, carente de ser lida, carente de tentar, carente de ser  Maria.&lt;br /&gt;  Vejo, leio Mario Benedetti... &lt;em&gt;abro o livro e aprendo... as atas do rancor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;em&gt;As atas do rancor&lt;br /&gt;                                 Do livro "Perguntas ao acaso"&lt;br /&gt;                                 Tradução de Julio Luís Gehlen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco a pouco o rancor vai me invadindo &lt;br /&gt;animaliza minha anima lisa&lt;br /&gt;me empresta garras iras maldições &lt;br /&gt;me sobressalta a paciência boba &lt;br /&gt;dá brilho ao ódio como para abutres &lt;br /&gt;me põe em áscuas e ascos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abro o livro e aprendo&lt;br /&gt;a história do rancor seus pormenores &lt;br /&gt;seus desenvolvimentos e suas pautas &lt;br /&gt;seus herdados instrumentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Benedetti&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112346162533555477?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112346162533555477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112346162533555477' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112346162533555477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112346162533555477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/08/lendo-mario-benedetti.html' title='Lendo Mario Benedetti'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112286641612688774</id><published>2005-08-01T00:19:00.000-03:00</published><updated>2005-08-01T01:52:14.756-03:00</updated><title type='text'>O dia que nunca...</title><content type='html'>A lua, que em Minas nunca é azul, aturde o céu, difusa. &lt;br /&gt; Dizem que a lua não tem luz própria. Que engano... não sabem que a lua carrega destinos?! Leva-os, não porque queira, mas por incumbência do vento que os abriga, cioso, ora atrás das nuvens, ora trás-os-montes.&lt;br /&gt; Convém a esta hora partilhar sortilégios, desalembrar de onde se partem os encontros, enumerar os  silencios bissextos .  &lt;br /&gt; Restritivo, o dia em Minas lentamente se aquece de pretextos e passos. Olvida, &lt;em&gt;sometimes&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt; O véu que aperta a noite, por lá carrega, cansado,  minérios, mineiros, cismas e montanhas. Espreguiça em Minas seu lavor depois de escurecer o sol e esclarecer a lua.&lt;br /&gt; Indistinto o dia passa, como passam pelas estradas muares, enxaquecas, sabendo que ao norte, o cristo, sempre ele.&lt;br /&gt; Minas é de Gerais idiossincrasias, subterrâneos misteriosos, rios cercados em águas. &lt;br /&gt; Lá estava, lá fiquei, sentei, li e reli, perdida nos dias. &lt;br /&gt; Fosse o que fosse, meu ar é um Pessoa, Fernando ou Alberto. Diria José, até assim, Ricardo. Como toda saudade é um cais de pedra onde os encontros não se fazem.&lt;br /&gt; Nada acontece em Minas. Nada se deixa acontecer... nas minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112286641612688774?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112286641612688774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112286641612688774' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112286641612688774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112286641612688774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/08/o-dia-que-nunca.html' title='O dia que nunca...'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-112004580072166139</id><published>2005-06-29T08:36:00.000-03:00</published><updated>2005-06-29T08:50:00.726-03:00</updated><title type='text'>Aos quase cinquenta.</title><content type='html'>Aos quase cinqüenta, o tempo me diz a vida e sinto que do todo, tudo já sei.&lt;br /&gt;        Criei filhos, desandei alguns, dei certo com outros. Casei, mudei, separei e porque nasci teimosa, até re-casei.&lt;br /&gt;        Não comento minhas idiossincrasias. Elas depõem contra mim sozinhas.&lt;br /&gt;        Voltei a escrever e até o trabalho é novo, como se novo fosse este viver.&lt;br /&gt;        E pensei que acalmava o coração. Tranqüilizada, dei-me o presente de enamorar.&lt;br /&gt;        Esperei que o tempo saísse, mas ele só passou. Sentei para não cansar as horas e fui vivendo. Mansa, quase vagarosa.&lt;br /&gt;        Ainda assim,  as praxes, o inusitado.&lt;br /&gt;        Conversando, o instinto farejou, sentiu o primeiro. Eu? Nem custei, não cria.&lt;br /&gt;        Sou antiga, de impropérios sem respaldo.&lt;br /&gt;        Pois o homem chegou, foi ficando. Bem assim como foi, não consigo lembrar.&lt;br /&gt;        Aconteceu e continuou.&lt;br /&gt;        Sempre encontros, quase declarações. E porque beirava os quase cinqüenta, sabia que amar, não! Gostar estava de bom tamanho.&lt;br /&gt;        Só que vida má não acontece só a poetas.&lt;br /&gt;        Ele foi simples, pintando de azul as pedras do caminho e eu chutando uma, tropeçando em outras, ruminando nos prazeres. Não crendo em nada, quase nada.&lt;br /&gt;        De tanta desacreditância, relaxei.&lt;br /&gt;        Assim o moço veio, girou, acomodou-se.  Diz a música que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração.&lt;br /&gt;        Acontece que não sou Terezinha e nem ele o primeiro ou terceiro.&lt;br /&gt;        Sou maria, ele josé, mais  comum impossível. E era tão fácil, que nunca me preocupei. Ele por lá, eu por aqui. Ele na lida, eu na modorra. Nada mais distante.&lt;br /&gt;        Até entender que o tempo se fez  e que o tempo de só não me basta.&lt;br /&gt;   Tempo de sofrer, tempo para amar.&lt;br /&gt;       Tanto mar, tanto a dar...&lt;br /&gt;      Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-112004580072166139?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/112004580072166139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=112004580072166139' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112004580072166139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/112004580072166139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/06/aos-quase-cinquenta.html' title='Aos quase cinquenta.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111933622028594096</id><published>2005-06-21T03:28:00.000-03:00</published><updated>2005-06-21T05:39:23.056-03:00</updated><title type='text'>Assim, tempo.</title><content type='html'>Caminho.&lt;br /&gt;Quase todos os dias conto calçadas, casas e jardins. Mania antiga essa de contar coisas. Não saio nem com hora certa, nem com caminho marcado, mas ando para esquecer, para lembrar e guardar.&lt;br /&gt;E nas andanças encontrei rubro sol vespertino numa praça largada pelo mato e esquecida das flores, silente.&lt;br /&gt;Vou lá levar meu tricô passear. Às vezes o crochê também. Também os cães me acompanham. Gostam, bem sei.&lt;br /&gt;Estes têm sido dias, sim, dias. Melancólicos, mesmo que eu não os soubesse assim.&lt;br /&gt;Meus olhos não viram, os sentidos sim.&lt;br /&gt;Hoje pela praça passou um antigo encantamento. Não tenho outras palavras. Este homem aconteceu. Sorri para o que vi. Troquei pontos da agulha, contente pelos poros, coração latejando em todos os bancos do jardim. Aqueci o momento, alegrei.&lt;br /&gt;A lembrança me procurava. E ele... ele... ele passou. Olhou para trás como quem deixa tudo pesado e continuou andando. Não lembrou-se de mim, não me via mais. Ficamos eu e as agulhas olhando seu vácuo. Elas caídas, eu em tralhas, enredada em teias antigas, abstratas.&lt;br /&gt;Entre quatro meias e cinco tricôs teci aquela malha de tempo.&lt;br /&gt;E o presente vazou, voltou e os antigos amores ficaram antigos, somente.&lt;br /&gt;Cruzei as agulhas e restei-me silenciosa.&lt;br /&gt;Respirei meu silêncioso porvir.&lt;br /&gt;Nada a explicar, nada. Nada a entender. Nada somente, nada&lt;br /&gt;E voltei. Voltamos. Agulhas, cachorros e eu à procura da antiga apaixonada, que ainda sorria ao vulto passeante, no banco da praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111933622028594096?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111933622028594096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111933622028594096' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111933622028594096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111933622028594096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/06/assim-tempo.html' title='Assim, tempo.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111815054738816505</id><published>2005-06-07T10:18:00.000-03:00</published><updated>2005-06-07T10:22:27.396-03:00</updated><title type='text'>Contando a vida, contando histórias...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;         Não gosto de enterros, muito menos de despedidas, mas vou num e faço o outro sempre que necessário. Enterro meus mortos até o fim. Velo os que gosto e visito, formalmente, os necessários.          &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;          Me recuso a dizer meus sentimentos. São realmente meus e deles só eu sei. Por isso, se não sinto, não digo. E se sinto, não falo.&lt;br /&gt;         E é bem assim que gosto de levar e ser levada. Pela vida, kismet selecionado.&lt;br /&gt;         Não contava com os imprevistos. Ficar viúva, um deles. Cansei de dizer que não pedi para ficar viúva. Desnecessário dizer, não me ouviam. Vivem a viuvez como doença contagiosa, perigosa e epidêmica.&lt;br /&gt;         Sexta de quase páscoa e resolvo, porque é a época do renascimento interior, abrir seus guardados.&lt;br /&gt;         Seus pertences, ternos gravatas e camisas, imediatamente após sua morte, foram retirados pelo irmão que se nega a sentir dor. Morrer, para ele, significa, até hoje, nunca existiu. Em dois dias ele finalizou com qualquer você que ele encontrasse pelo caminho. As crianças ficaram com as fotos, que eu tinha, e nada mais. Nenhuma peça, nenhuma relíquia, péssimas lembranças.&lt;br /&gt;         Sexta, madrugada de sábado, e acho que chegou a hora. Nunca disse a ninguém que todos os seus arquivos estavam aqui. Quando vi a desolação que ficou a casa, quieta, separei em pastas todos os teus papéis, que estavam aqui e ali, e juntos, guardei-os para mexer não sei quando.&lt;br /&gt;         Chegou o quando e sozinha, sentei para ver o que devo fazer de suas memórias.&lt;br /&gt;         Você guardou meus bilhetes de namorada... eu nem sabia. Separei na caixa verde. Caixa para pensar o que fazer. As contas, direto no saco preto, lixo. Rasgadas, picotadas, como era a sua vontade. Os impostos? Mesmo caminho. A jurisprudência me reservo o direito de ler mais tarde. São cansativas, para mim, até hoje.&lt;br /&gt;         Não larguei à toa meu curso de direito... entendi melhor seu trabalho mas, por outro lado, desisti com a certeza de não estar perdendo nada de importante para mim. Meu direito era você.&lt;br /&gt;         Encontrei o registro do nascimento das crianças, nossos termos de adoção das meninas pequenas, a receita da sopa do nosso primeiro. Uma das muitas fraldas que amarravam as pernas do segundo, para que sozinhas fossem formando sua bacia.  Os primeiros cachos loiros da filha, que hoje é morena. Com algumas mechas que, tenho certeza, você não teria autorizado. A pulseira do hospital das duas molecas e, para lerem depois, o processo de adoção das meninas.&lt;br /&gt;         Brigamos muito com isso. Você não admitia que eu falasse em adoção perto delas. Quero te dizer: elas estão ótimas, e sabem, não só da adoção como adoram ouvir as loucuras que fiz para tê-las rápidamente perto da gente.&lt;br /&gt;         E encontrei uma senha. Fui ao seu micro e escrevi. Abriu como cascata, pastas, documentos. Três novos livros que deixarei para as crianças. Elas saberão o que fazer...mais tarde.&lt;br /&gt;         E vi cartas, muitas cartas. Em momento algum achei que fossem para outra pessoa que não eu. Por isso fui abrindo-as. Mas eram. Falavam de um marido que jamais imaginei. Coisas novas. Diferentes. Dolorosas.&lt;br /&gt;         Imprimi a primeira só para poder rasgar. Apertar a tecla delete era pouco para meu ciúme e raiva. A segunda que abri. Com três meses de diferença da primeira, marcava um encontro. Não quis saber. Pulei para o outro ano.&lt;br /&gt;         O nome havia mudado.&lt;br /&gt;         Voltei, já atordoada. A primeira era R. e a segunda, S. Oras se sou Maria, de onde saíram tantas letras diferentes? Continuei, soluçando, com essa busca tardia. Busca besta, a bem dizer. O que posso fazer agora, dois anos depois que morreu?&lt;br /&gt;         Se berrar muito alto acordo as meninas. Se sapatear, o vizinho de baixo reclama que não o deixo dormir. Mas a curiosidade, essa, me fez querer saber mais. Como se fosse possível novo sofrimento, dois anos depois.&lt;br /&gt;         Continuei lendo, abrindo e-mails, chorando. Para acompanhar resolvi tomar um scoth. Abri seu rótulo preto. Só para misturar com guaraná. Não nasci para whiskies, mas sim para vinhos. Abri um Udurraga. Acabei logo. Segui com aquele Côtes du Rhône  que gostava de tomar quando ouvíamos Jazz. Que sempre achei uma coisa só nossa. Quando leio que pretende levar a quarta letra, a letra F., para ouvir jazz no All.  Ah, juro homem, que meu sangue ferveu. Joguei da garrafa pela janela, mas arrependida, corri ver se não tinha machucado ninguém. Às quatro da madrugada realmente ninguém se apossa daqui. Se tu queria briga era briga que teríamos.&lt;br /&gt;         Abri a Cristal e joguei na mesma janela por onde mandei o vinho. Peguei da viúva, a Robert não a Clicot e também deitei janela abaixo. Os moços que na rua dormem, agradeceram meu acesso raivoso. Irritada com tantos nomes femininos em seus arquivos, pachorrenta, desci, madrugada mesmo, caixas e caixas de vinhos, uísques e pingas que fizeram meus homens de rua cada vez mais felizes.&lt;br /&gt;         — Agradeçam a ele, e apontei o céu, e não a mim.&lt;br /&gt;         — É a Páscoa, disse um deles, Deus morreu e tá chorando pinga hoje.&lt;br /&gt;         Não tive como não rir... ri, voltei pra casa e tranquei bem a porta. Você não me sai mais daqui até me dizer o que é essa profusão de letras femininas pulando em meus dedos.&lt;br /&gt;         A campainha toca. Horário estranho.&lt;br /&gt;         Era o Márcio, da padaria, querendo saber se eu realmente tinha dado aos moços toda aquela vinhataria.&lt;br /&gt;         — Por enquanto estou dando só os vinhos, respondi grosseira.&lt;br /&gt;         — Se for dar mais alguma coisa me avise, que atravesso a rua antes deles... ele riu, pobre Márcio.&lt;br /&gt;         Retruquei —  Agora só dando o rabo.&lt;br /&gt;         É... estava brava. Não sou de responder e abomino as grosserias.&lt;br /&gt;         — Se for dar esse aceito também, respondeu Márcio. Ai desci, ou foi ele que subiu, mas estávamos rindo e tomando vinho em alguma hora que nem me dei conta.&lt;br /&gt;         Contei a ele da traição pós túmulo.&lt;br /&gt;         —Dona Maria, o falecido já faleceu mesmo, liga pra isso não.&lt;br /&gt;         — Você nunca teve marido, Márcio. Não sabe o que é isso.&lt;br /&gt;         — Ah, dona Maria, marido não tive não, mas esposa já tive algumas.&lt;br /&gt;         — Algumas, Márcio? Mas não quis saber. Hoje só me interessavam aquelas letras femininas.  Em outra hora que também não sei predizer, ele estava mexendo no computador. Me chamou, sentou-me com cuidado e foi lendo uma enorme carta.&lt;br /&gt;         Uma despedida. Querendo morrer e não sabendo como, querendo deixar a pensão e sabendo que não poderia se matar, o falecido começou uma jornada à cata de doenças. Com tantas mulheres, conseguiu nenhuma doença, nenhum problema. Diabético que era. deixou escrito que começava ali o final do seu destino. Seu Beshér, destino, judaico-cristão. Aumentando a bebida, açúcares e outros proibidos. Realmente. Um ano após seu kismet literário, faleceu.&lt;br /&gt;         Suicídio voluntário sem arma e sem sangue.&lt;br /&gt;         Márcio pode até se consolar. Eu não.&lt;br /&gt;         Enterrei definitivamente o falecido quando cheguei na letra Z. Mulheres meio honestas não têm nomes começados pela letra zê.&lt;br /&gt;         Márcio desceu, deixei a porta destrancada. Não quero nunca mais que fiques aqui por perto.          Saia que a porta está sempre aberta. Não tranco mais viva alma comigo.&lt;br /&gt;         E sua memória, deletei pela tecla FODA-SE.&lt;br /&gt;         Amanhã volto ao luto, que não curti. Ao preto que adoro usar. E à condição de viúva. Que atrai mais moços que mel e perfume.&lt;br /&gt;         E tenho dito... tenho...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111815054738816505?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111815054738816505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111815054738816505' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111815054738816505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111815054738816505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/06/contando-vida-contando-histrias.html' title='Contando a vida, contando histórias...'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111741387423858708</id><published>2005-05-29T21:39:00.000-03:00</published><updated>2005-05-29T21:44:34.243-03:00</updated><title type='text'>Jeito sapo de ser.</title><content type='html'>Um jeito sapo de ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Decididamente hoje entendi — sou apaixonada por sapos encantados. Às vezes avestruzes, outras leões, muitas vezes ratos, mas burros encantados?&lt;br /&gt;        Jamais!&lt;br /&gt;        Prezo muito a inteligência. A minha e a que está &lt;em&gt;a cotê de chez moi.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;        Esse jeito sapo de ser faz dos príncipes sujeitos ultrapassados.&lt;br /&gt;        Cacetes eu diria.&lt;br /&gt;        Príncipes são aqueles que realizam de tudo um pouco, ótimos amantes, acompanhantes perfeitos.Usam ternos, com pregas ou barras italiana e quando esportivos, mocassim. Perfumes da moda, restaurantes das revistas. Vão dos quarenta aos cinqüenta e jamais envelhecem. Gostam de vinho, whisky e algumas vezes cerveja. Melhores safras, rótulos escuros e, óbvio, a cerva da temporada.&lt;br /&gt;        Esse o modo dos príncipes.&lt;br /&gt;        Fazem a mulher ser “fêmea” e na cama querem a puta — só na cama, dizem — e esquecem, pobres putas, que essas recebem pra gozar e não conhecem o gozo recebido.&lt;br /&gt;        Carinho, para os encantados príncipes da vida, é uma boa chupada. Não falam boquete e nem em fazer uma espanhola porque isso, hoje, ficou démodé.&lt;br /&gt;        São imperativos, com carinho, mas querem!! Só não sabem se dar.&lt;br /&gt;        Se dizem ótimos na cama — são aqueles que fazem do tudo, muito pouco — os amantes perfeitos. Só não entenderam ainda, esses quase-encantadores, que a vida não sabe, não pede e não explica.&lt;br /&gt;        Jeito príncipe de ser, o garanhão novo-antigo, é cão que ladra e não fode.&lt;br /&gt;        Por isso hoje acordei pensando no quanto gosto de lobos, raposas, sapos, estes bichos estranhos em geral.&lt;br /&gt;        Sapo não gosta somente de jazz ou blues. Alguns são roqueiros, curtem uma guitarra bem tocada. Outros cantam&lt;em&gt; deixa a cidade formosa morena&lt;/em&gt; como se Sinatras fossem. Sapo que é sapo saboreia feliz um transbordante xis-salada acompanhado da amada, sorrindo da maionese que escorrega  queixo abaixo, das batatinhas que vão ao chão e dos dedos lambuzados.&lt;br /&gt;        Gostam do estar e bem pouco do aparecer.&lt;br /&gt;        Não têm eu gosto assim ou eu gosto assado. Preferem, esses sapos jeitosos, saber de beijos, carinhos e amores com fim.&lt;br /&gt;        Sapos não têm pau grande ou grosso. Não dizem, e no falo, — procedem.&lt;br /&gt;        Não prometem nem cobram, poetam simplesmente.&lt;br /&gt;        Fazem chorar, fazem sofrer e de quebra, realizam vontades e amam.&lt;br /&gt;        Não precisam de turbinadas, loiras ou altas, recondicionas, magras ou inovadas.&lt;br /&gt;        Querem somente a mulher amada.&lt;br /&gt;        Mesmo que seja para o amor de um dia só.&lt;br /&gt;        Descobriram, e também por isso gosto muito deles, que quem muito agrada, mais recebe.&lt;br /&gt;        Escrevem cartas modernas, se declaram e ainda se dizem... morridos de saudades. Gostam de fazer tudo, até ouvir, cantar e transar.&lt;br /&gt;        Têm tempo, têm barriga, não escondem rugas ou cansaço mas sempre oferecem um abraço de espera. E um sorriso de promessa.&lt;br /&gt;        Esses sapos sem idade sabem que nós, as quarentonas - novas balzaquianas - são as mulheres completamente amadas.&lt;br /&gt;        Porque na verdade... essas mulheres, essas amorosas mulheres são as criadoras... do jeito sapo de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111741387423858708?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111741387423858708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111741387423858708' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111741387423858708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111741387423858708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/05/jeito-sapo-de-ser.html' title='Jeito sapo de ser.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111656465842334348</id><published>2005-05-20T01:49:00.000-03:00</published><updated>2005-05-20T01:52:37.920-03:00</updated><title type='text'>Algumas vezes.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Às vezes encrenco, outras emburro. Mas em todas às vezes, pego a tela, separo novas linhas e começo mais um bordado.&lt;br /&gt;Nunca trago bordados lá para fora.&lt;br /&gt;Se vai ficar pronto, se ficará bom, se o avesso será perfeito são razões sobre as quais jamais divago.&lt;br /&gt;Tenho por obrigação, única, o bordado.&lt;br /&gt;Outros os tempos e sentaria na porta do quintal para pensar, tomando sorvete direto do pote. Cheguei a gostar destas subversões não muito graves.&lt;br /&gt;Sento, sim... sentava. Sentava encostada no batente esquerdo, para deixar a porta sempre aberta e com as pernas esticadas, segurar o outro lado. E assim, do jardim, perceber só as laterais.&lt;br /&gt;Jardim pouco cuidado, vezes desfeito em tantas mudas, outras, infestado de pragas.&lt;br /&gt;Nos finais de tarde, quase acolhedor. No começo da noite, aterrador.&lt;br /&gt;O sol amanhece como morte para a grama já esturricadamente estéril. Deixei de cuidar desde... desde que resolvi não cuidar mais do jardim.&lt;br /&gt;Entretanto gosto de ver que nem meu desgostar devastou esses poucos verdes.&lt;br /&gt;Aqui venho maquiar meu tédio. Disfarço-o de jardim. Um estranho jardim plantado em cirílico para que eu jamais possa lê-lo. Guardo as tardes para decidir. O sol vai, o sol vem e nunca chego a nada.&lt;br /&gt;Penso nas razões adequadas. Penso.&lt;br /&gt;Penso que gostaria de ser Anna K. forte, mas quem sabe entregue a poucos desmaios. Lembro do conde, do trem da história, mas fiquei com a imagem, docemente juvenil, que desmaios devem resolver quase tudo&lt;br /&gt;Acontece que se desmaiar aqui, aqui ficarei desmaiada até acordar, sozinha&lt;br /&gt;Pedi dias para decidir. E decidir, não sei se ainda sei.&lt;br /&gt;Passei noites bordando. A dama de azul, a moça da saia vermelha, o céu desbotado e as terras claras. As linhas sobraram. Alcancei meu aquário de linhas e coloquei as novas sobras. E só assim percebi que meu vidro, no batente de todas as cozinhas que sou, reúne cores que o sol traz e leva.&lt;br /&gt;Segurei firme meu arco íris envidraçado, entrei e decidi.&lt;br /&gt;Amanhã começo a te amar.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000099;"&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111656465842334348?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111656465842334348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111656465842334348' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111656465842334348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111656465842334348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/05/algumas-vezes.html' title='Algumas vezes.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111595596019669572</id><published>2005-05-13T00:44:00.000-03:00</published><updated>2005-05-13T00:46:00.200-03:00</updated><title type='text'>Coisas III</title><content type='html'>Ventoinha nos cabelos, hidráulica solta nas mãos, luzes e pés que rápido fazem música nos pedais.&lt;br /&gt;       Guiar é sair,  assar tomates,  plantar laranjas e rosas, cavalgar jumentos azuis.&lt;br /&gt;       Guiar na noite era sonho, meu consumo, minha porta, folha de letras escritas no ronronar do motor.&lt;br /&gt;       Algumas habilidades não somem.&lt;br /&gt;       Tenho certeza — ainda engato a quarta no taco... a velocidade, olhos ardidos, secados, ressequidos de janela. Corda  de vento, enlaça e leva.&lt;br /&gt;       Pior é  pilotar pela casa, comendo pêra sumarenta de lembranças que de tal modo e maneira me  esqueço das crias. Delas me desatrelo.&lt;br /&gt;       Silencio, estrondos, sons de quem guia.&lt;br /&gt;       Sangria de quem lembra, cambio atemporal.&lt;br /&gt;       Pior, pior...&lt;br /&gt;       Não, não mesmo! Criar não é guiar e guiar, bem... guiar não era assim importante.&lt;br /&gt;       São minhas essas crias, ciscadoras de terreiro,  sustento, meus seres.&lt;br /&gt;       Pena carro não pular carniça,  pena tristeza não saber inventar, desperdício de letras: até agora as mesmas.&lt;br /&gt;       Há os que seguem, viajam.&lt;br /&gt;       Não fui passageira...&lt;br /&gt;       Restaram domingo, terças, os dias quase todos.&lt;br /&gt;       E ela... ainda bem que ela não era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111595596019669572?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111595596019669572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111595596019669572' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111595596019669572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111595596019669572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/05/coisas-iii.html' title='Coisas III'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111565167458653094</id><published>2005-05-09T12:12:00.000-03:00</published><updated>2005-05-09T12:14:34.593-03:00</updated><title type='text'>Domingo de Mãe.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;        &lt;span style="font-family:georgia;color:#990000;"&gt;Um domingo, como sempre será, um domingo dedicado às mães.&lt;br /&gt;        Sou mãe de filhos, avó de cães e bonecas, tia-mãe da gata e eventuais novas criações das filhas pequenas.&lt;br /&gt;        E porque mãe pode quase tudo, pedi a elas, neste dia,  um dia de silêncio. Não sem antes desmarcar o almoço familiar porque hoje me apetecia ficar de pijama, janelas fechadas e cama desarrumada. Por conta de decisão preguiçosa, entupi a casa de arroz doce e litros de coca cola, minha parte nos acepipes de mana na casa do irmão.&lt;br /&gt;        Eu queria descansar, elas queriam farra! Enzonaram minha cama enquanto eu tentava dormir.&lt;br /&gt;        Quando a tentativa se revelou realmente infrutífera, resolvi aderir. Desliguei o telefone ainda pensando no que faria com o presente que mandei fazer especialmente para minha mãe... um coração que não sei se dava agora ou esperava os quase 70 que serão en dezembro, mas como era domingo e domingo não pede decisões. Coloquei o pacote na gaveta e tentei novamente deitar.&lt;br /&gt;        Café na cama da mamãe é bagunça pra três dias e lençol pleno de migalhas de pão, que reclamo direto. Outro motivo para elas ficarem estapeando o colchão como se fossem  limpar alguma coisa. A migalha subia e descia e nada mais.&lt;br /&gt;        Limpeza mesmo era trocar o lençol, e elas assim fizeram.&lt;br /&gt;        O debaixo verde, o de cima rosa e as fronhas, uma de cada jeito, estampavam outras flores. Não era carnaval mas minha estação, quase mangueira, se mostrava verde e rosa. Para elas, como canta a música, eu estava de flor, rainha das rosas. Que recebi, todas desenhadas e nenhuma cor-de-rosa.&lt;br /&gt;        Tomei leite quatro vezes. Minto. Primeiro foi o meu café, que me abre os olhos e o dia, o segundo foi o leite como foram também o terceiro e o quarto. Leite com toddy, leite com farinha láctea e leite com aveia. O gosto de cada uma delas feito especialmente para mim. Dia de mães? Mãe tem que tomar todas. E tomei os leites e ganhei xícaras novas. Uma de cada.&lt;br /&gt;        Depois me deram livros. Sobre balé, joaninhas e crocodilos, crimes e mistérios juvenis e alguns clássicos de vestibular. Para não ser injusta, ganhei novelos de lã. Bem da cor das pelerines que elas pediram para fazer.&lt;br /&gt;        Assim um dia silencioso ao jeito delas.&lt;br /&gt;        Porque mãe deve ser mimada... colocaram para mim Vacas tussindo, Monstros, Poderosos tubarões e é claro, porque era meu dia, Nemo, Nemo e mais Nemo. Continuaram com filmes de dar-certo. Sob o sol da Toscana, Chocolate e Nottig Hill. Pedi Il Gato Pardo. Um Alan Delon sempre cai bem para mães que passaram dos quarenta.&lt;br /&gt;        Pois as filhas preferiram Perfume de mulher. Só o tango. My Fair Lady, só as corridas e a valsa. Filme inteiro nem pensar.&lt;br /&gt;        Cozinharam cachorro quente. Com direito a batata frita de pacote.&lt;br /&gt;        E um monte de sorvete, todos os sabores que elas gostam.&lt;br /&gt;        No final do dia vieram as surpresas. Os contos americanos, o terceiro dos contos de Hemingway, outro volume de bordados em patchwork e alguns pockets de mistério. Algumas músicas e alguns DVDs.&lt;br /&gt;        Dormimos cedo.&lt;br /&gt;        Às vezes domingos são domingos e assim se fazem dias de mães, dias de filhas, dias cotidianos. Não soubemos da vida lá fora, não saímos da penumbra. Comecei os tricôs coloridos, fiz pilha dos livros, os que eram meus, na cadeira e levantei fazer canja, a preferida delas.&lt;br /&gt;        Nem só mimo, nem só filhas. Silencio? Quase perfeito. E a cama, desarrumada o dia todo, na madrugada foi recebendo, uma a uma, as filhas que amanheceram, como de praxe, amontoadas e empurrando pernas e braços umas das outras.&lt;br /&gt;        Um domingo bem de mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#990000;"&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111565167458653094?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111565167458653094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111565167458653094' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111565167458653094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111565167458653094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/05/domingo-de-me.html' title='Domingo de Mãe.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111535784725918421</id><published>2005-05-06T02:32:00.000-03:00</published><updated>2005-05-06T02:37:27.263-03:00</updated><title type='text'>Quando meu filho não se formar.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;Quando meu filho não se formar, tal qual todas as mães, pensarei nele pequeno. Gordinho, bochechas vermelhas e a pele branquinha de seu primeiro inverno. O vento frio o fazia sorrir. Este o filho que sempre lembrarei.&lt;br /&gt;Quando meu filho não se formar contarei que foi arteiro, menino impossível! Que a avó até pensou em re-batizar -i ver assim este guri se emenda, dizia. E ela,  impaciente,  com o primeiro neto, seu outro homem.&lt;br /&gt;Quando meu filho não se formar estarei cansada, catando no chão a roupa que ele,  toda vida,  guardou amassada em cantos de seu quarto e da casa. Fazendo pares das grossas meias coloridas e tentando entender como tantas meias da mesma cor nunca se encontram emparelhadas nos pés do menino.&lt;br /&gt;Quando meu filho não se formar... não, não me lembrarei de nada disso.&lt;br /&gt;Esse menino, que era tão precioso, perdeu-se, nas malhas da criação. Não, não morreu, foi somente mau-criado pelo pai, desleixadamente criado pela mãe e abusadamente alimentado pelos avós.&lt;br /&gt;Nunca nos preocupamos em educar. Menos ainda com sua psique.&lt;br /&gt;Por isso, não estranharei quando meu filho não se formar. Nunca criou-se, como saberá ter  dentro de si outros eus tão necessários para sermos um só?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111535784725918421?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111535784725918421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111535784725918421' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111535784725918421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111535784725918421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/05/quando-meu-filho-no-se-formar.html' title='Quando meu filho não se formar.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111497548073089243</id><published>2005-05-01T16:22:00.000-03:00</published><updated>2005-05-01T16:24:40.733-03:00</updated><title type='text'>Para passar o tempo.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;                &lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Para passar o tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Conta a lenda que ela queria ser Sherazade e para isso treinava contando números matemáticos, pontos de bordado e letras em poemas.&lt;br /&gt;        Reza a mesma lenda que ele, o Sultão, casava todos os dias. Mas já estava cansado de ter tantas novas esposas, todas tão iguais.&lt;br /&gt;         Um dia o Sultão cansou-se de acordar cedo, de escolher esposas que durassem um  só dia e de ver as execuções e resolveu parar de casar, mas esqueceu-se de retirar a lei das execuções conjugais.&lt;br /&gt;        E a família de Sherazade cansou de suas histórias e a mandou como presente no aniversário do Sultão.&lt;br /&gt;        Ela chegou como Cleópatra, enrolada no tapete. Mas como ele não era nem César nem Marco Antonio, não deu a mínima e mandou o tapete enrolado para a sala de presentes. Sherazade saiu meio atordoada, meio lanhada, porque àquela época os servidores não eram mais tão prestativos e cuidadosos e jogaram o tapete enrolado na sala cheia de cacarecos.&lt;br /&gt;        Injuriada berrou a não mais poder e ficou sem voz, como sempre acontece com todos que se excedem oralmente.&lt;br /&gt;         O Sultão, que teve outra festa, foi caçar um destes presentes que a gente ganha-mas-não-gosta e quer passar pra frente, tendo o cuidado de não presentear quem nos havia presenteado com o mesmo regalo oferecido e agora devolvido.&lt;br /&gt;        Encontrou Sherazade espirrando sem parar porque os tiradores de pó estavam em greve e aquela sala já tinha dado tudo o que podia como exemplar sala de presentes reais.&lt;br /&gt;        O Sultão gostou de Sherazade assim de cara mas também não podia casar direto porque as esposas ainda eram sacrificadas. Entre espirros ela resolveu lhe contar que gostava de contar, até histórias.&lt;br /&gt;        E o Sultão sacou que era uma boa isso dela contar.&lt;br /&gt;        Primeiro lhe deu a sala de presentes e ela contou tudinho. Depois mandou-a para a cozinha, para o setor de armazenamento e em seguida, os estábulos, as salas de troféus, contar quartos até que Sherazade chegou ao seu quarto com todas as contas.&lt;br /&gt;        E contou, contou tanto que o Sultão que andava com insônia desde a ultima esposa, dormiu. E se esqueceu de mandar matar Sherazade.&lt;br /&gt;        No dia seguinte acordaram na mesma cama e aconteceu aquela coisa de homem e mulher, e o mais não digo.    &lt;br /&gt;        E o Sultão que tinha achado Sherazade tão diferente das outras... ela sabia fazer aquela coisinha...  resolveu lhe dar mais um dia.&lt;br /&gt;        Para todos os efeitos dizia que Sherazade contava, mas o que gostava era dos acordamentos e das coisinhas.&lt;br /&gt;        E quase foram felizes para sempre... até o filho deles crescer e pedir moto, computador e lancha, coisas de filho rico de sultão falido. E Sultão, cansado, mandou Sherazade, que nem contava mais e nem fazia aquelas coisinhas, andar.&lt;br /&gt;        Moral da história, nem o Sultão nem Sherazade foram feitos para casar.&lt;br /&gt;        Só serviam para contar... e para aquelas coisinhas.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Odila&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111497548073089243?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111497548073089243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111497548073089243' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111497548073089243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111497548073089243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/05/para-passar-o-tempo.html' title='Para passar o tempo.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111470182488882703</id><published>2005-04-28T12:22:00.000-03:00</published><updated>2005-04-28T12:25:54.776-03:00</updated><title type='text'>Brincando com letras e histórias</title><content type='html'>&lt;strong&gt;I &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sherazade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;Reza a lenda que a linda sherazade contava historias.&lt;br /&gt;Diz a história que a linda sherazade é lenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Quisera ser sherazade, ela falou.&lt;br /&gt;Mais tu es, disse ele.&lt;br /&gt;Nem tanto, retrucou ela, não consigo te seduzir nem com palavras.&lt;br /&gt;Mas para seduzir, ele explicou, tu não precisa de palavras.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111470182488882703?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111470182488882703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111470182488882703' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111470182488882703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111470182488882703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/04/brincando-com-letras-e-histrias.html' title='Brincando com letras e histórias'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111439443456695231</id><published>2005-04-24T22:58:00.000-03:00</published><updated>2005-04-24T23:00:34.566-03:00</updated><title type='text'>Alumbramento</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;V&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;strong&gt;Nem bem desce, sobe a desatar no peito meu coração.&lt;br /&gt;Retoma indefinido e cativo, as tosquias, o tempo e as tatuagens.&lt;br /&gt;Deslumbres de pele, inteiros desfeitos, partidos.&lt;br /&gt;E o ar respira, pleno de intactos intentos.&lt;br /&gt;Ele descansa e eu perco-me a velar.&lt;br /&gt;Descoerente, mais uma vez,  tenciono. Ele, perto, determina.&lt;br /&gt;Meus os seios, dele os pelos.&lt;br /&gt;Rubra a pele e as marcas tintadas a lilás.&lt;br /&gt;Cuida ele que eu desfrute, cuido que sonhe o depois.&lt;br /&gt;E quando me penso cansada, aporta e clama:&lt;br /&gt;— Vem, te quero.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Odila&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111439443456695231?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111439443456695231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111439443456695231' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111439443456695231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111439443456695231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/04/alumbramento.html' title='Alumbramento'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111391560015139531</id><published>2005-04-19T09:49:00.000-03:00</published><updated>2005-04-19T10:00:00.156-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;    &lt;span style="color:#333399;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;Manoel, do Agrestino, está com um corrente literária deliciosa, que veio da Mica, de As coisas de Micas, que está blogada lá no Agrestino. Fui uma das escolhidas dele e aqui está meu sempre confuso trabalho.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;      Lulu está bem melhor, mas ainda com febre e curativos. mas melhor. Obrigada a todos os carinhos, boas intenções e boas melhoras.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ex-Libris da Tugosfera &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;Não escrevo com conhecimento de causa, escrevo com o que sinto e o que gosto e espero que isso baste. Odila&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Engraçado que Fahrenheit 451 é um livro, de Ray Bradbury, aquele dos Marcianos e das histórias de ficção científica. E um filme de François Truffaut que eu diria obrigatório, isso se eu gostasse de obrigações. Mas como necessito ser um livro, gostaria de ser qualquer um que ao ser lido acordasse memórias e sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Minha primeira paixão foi Emília, de Monteiro Lobato. Paixão que melhorou ao reler todo o sítio depois dos 30 anos. E como era de ler muito ao mesmo tempo que queria ser Emília brigava com minhas irmãs para ser a Jô de Mulherzinhas da Louisa May Alcott. Acho que nasci para ser teimosa, qualidade destas duas personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi o último livro que compraste?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu ando refazendo minha biblioteca por isso comprei os contos de Hemingway, volumes 1 e 2, Caçando novos diários e correspondências, minhas paixões de sempre, me dei as Cartas de Caio Fernando de Abreu e ganhei o Almanaque dos anos 80 e Incidente em Antares que já foi para a pilha dos que devem ser relidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual o último livro que leste?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se eu lembrasse até que seria fácil... Manoel de Barros e Rubem Alves que ando lendo com as filhas. A Clarice de Aprendendo a Viver e a Descoberta do Mundo. Estudando a análise do Zé Miguel Wisnik sobre Cajuína – devo ser completamente tapada porque leio e ouço a música e ainda fico sobrevoando, boiando, cruzes! Organizando meus livros de história da alimentação por isso dando nova espiada em todos.  E porque sempre digo inverno e quando penso no outono e vive versa, minha eterna paixão, Shakespeare, porque não seria este o inverno da nossa desesperança?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;O inverno da nossa desesperança já se transformou em um glorioso sol de York. E todas as nuvens que pesavam sobre nossa casa jazem sepultadas nas profundas entranhas do oceano. Ricardo III&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que livros estás a ler?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Manias, manias. Livros são também manias então estou dando outra espiada no Dicionário de Lugares Imaginários – &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;VEREDAS MORTAS, que você chega descendo a Vereda do Porco-Espim até um lugar chamado Coruja, um retiro taperado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Meu único e eterno volume 3 do Thesouro da Juventude, ainda escrito com agá, herança de meu avô. Poemas de Severo Sarduy &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;– &lt;span style="color:#009900;"&gt;Destruir? No.Olvidar? No: borrar. Devolver a su vacio inicial. Al espacio sin limites de lo no manifestaaado, lo que ocurrió la víspera de la víspera, a lo largo de lãs imaginarias y Del tiempo sin bordes, hasta volver a la violeeencia inmóvil Del estallido germinador.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; Pórcia a mais maravilhosa advogada que conheço na literatura de O Mercador de Veneza de Shakespeare, claro, meu fiel topo de pilha de livros. E dos mais novos, Diários de Silvia Plath e aquele livro do menino da biblioteca que não sei onde perdi, aqui em casa, ai, ai, me perdoe o autor mas até o título esqueci. Maria Teresa Horta, para mim a poeta dos melhores eróticos e Antonio Tabuchi, Está ficando tarde -&lt;span style="color:#009900;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Minha Querida, sei que você se dedica ao passado, é a sua profissão. Mas esta é uma outra história, acredite. O passado é mais fácil de ler, a gente se vira para trás e, podendo, dá uma olhada.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que Shakespeare, todos, todos. Fernando Pessoa que nunca abandono e sempre esqueço de citar, alguns mistérios, em letras e contos, Algumas memórias e os livros que conseguisse encaixotar a tempo de ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thimóteo Rosas do Via Oral  porque é um dos homens mais inteligentes, cultos e de bom humor que conheço. Além do mais realista e crítico a respeito de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel  lá da Teoria do conceito,  meu mais novo filho, de coração e literatura, porque tem o dom das letras e sempre as inova, recria e sedimente entre dores e carinhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Nora, que além de me ensinar letras deu-me novos corações, todas as esperanças em dias nebulosos. Sua criação é sempre feliz, toujours amoureuse, se eu ainda lembrasse de meu parco francês, letras amorosas as de Nora&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Beijos a todos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Maria Odila&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111391560015139531?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111391560015139531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111391560015139531' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111391560015139531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111391560015139531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/04/manoel-do-agrestino-est-com-um.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111324196633703996</id><published>2005-04-11T14:39:00.000-03:00</published><updated>2005-04-11T14:52:46.340-03:00</updated><title type='text'>Inventário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;     Ainda as letras de um ano. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;     Gosto desse inventário e este vem por conta do Agrestino amigo Manoel. Foi quem primeiro me leu, quem incentivou em todos os dias a constância e a persistência na escrita. Se bem que Manoel também goste de boxe, optei por este... a história de boxeando cartas matutinas... já passou.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;     Lulu, bem, minha espertinha tem estado bem calada, com febre e muitas dores. Estamos voltandoao médico.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;     Beijos a todos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;     Odila&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt; Árvores? Diversas, indefinidas, nenhuma. E dependendo do terreno onde planto, florescem, fenecem e ás vezes crescem.&lt;br /&gt;Filhas, algumas paridas, outras quase criadas.&lt;br /&gt;Livros? Em gênero e número indeterminados, li, guardei e vendi, a maior parte.&lt;br /&gt;Tecidos, entre azuis e vermelhos, para um dia, sempre um dia, fazer costuras, entremear linhas e cerzir pontas.&lt;br /&gt;Agulhas, contas, linhas e miçangas de se perderem nos dedos, caídas em minha caixa de vidrilhos.&lt;br /&gt;Alany me ensinou, sou uma mulher de princípios. Principio cortes, costuras, tricôs e crochês. Bordo mais que Penélope sem nunca desfiar fio algum. Cuido de levar dez, dois, cinco anos em trabalhos que nunca hei de findar.&lt;br /&gt;E ainda me perco no tempo, nas tramas e na memória.&lt;br /&gt;Distraída, sou quase esquecida. Confusa até.&lt;br /&gt;No mais, me sinto perdida.&lt;br /&gt;Cachos, tenho alguns.&lt;br /&gt;Hoje os cabelos são ruivos mas foram nascidos pretos para depois, com o tempo, acastanharem-se.&lt;br /&gt;As mãos só sabem escrever. Minto. Os olhos escrevem. As mãos acariciam, quando alguém quer delas se apropriar.&lt;br /&gt;Falta-me o alguém.&lt;br /&gt;Os olhos foram perdidos. Quem souber, devolva, se os encontrar.&lt;br /&gt;Sou mulher de prendas, dadivosa.&lt;br /&gt;Dou sorrisos e gargalhadas como o sol de fim de tarde, nos dias e nas horas.&lt;br /&gt;Dou cantos e encantamentos a quem acredita em meus pedaços.&lt;br /&gt;Dou chuva e concedo o sol para os olhos de quem me vê.&lt;br /&gt;Entrego o vento de presente a quem ventar, mas que seja vento de ventania, que troca tudo e nunca volta ao mesmo lugar.&lt;br /&gt;Gosto de achar bocas que praticam beijos e ficar com os lábios inchados de beijar.&lt;br /&gt;Mas aí também já são vontades e hoje me propus a inventariar.&lt;br /&gt;E assim termino aqui, inventários de maio, mês de Maria, primeiros de alguns, pouco de todos.&lt;br /&gt;Maria Odila, maio de 2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111324196633703996?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111324196633703996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111324196633703996' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111324196633703996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111324196633703996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/04/inventrio.html' title='Inventário'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111287427665780534</id><published>2005-04-07T08:38:00.000-03:00</published><updated>2005-04-07T08:44:36.663-03:00</updated><title type='text'>Coisas de Lulu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;     &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Lulu é a minha mais nova, a Maria Roberta. Essa semana Lulu teve apendicite aguda e foi operada de emergência na terça.  Este é outro texto antigo, de 2001, mas entra como homenagem a arteira Lulu que  desde terça tem sido a silenciosa Lulu.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chá no museu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por três vezes, nesses feriados, tentei levar as meninas à exposição dos Faraós. Impossível. Filas quilométricas. Filhas pequenas e irrequietas.&lt;br /&gt;Para evitar a frustração das moças, fomos a outro museu, o Maria Luisa e Oscar Americano. Lindíssimo, com um imenso gramado para as minhas vândalas correrem, sem perigo algum, para as outras pessoas e as artes.&lt;br /&gt;A visita foi...  diferente.&lt;br /&gt;Enquanto eu vagarosamente subia até a casa, as meninas demonstravam como a física funciona.&lt;br /&gt;Um trem, no caso eu, e uma abelha, no caso elas, saem ao mesmo tempo de estações opostas. Enquanto o trem vai a uma velocidade de me deixar constantemente irritada, a maldita abelha fica naquele vai e vem variável de torrar o saco.&lt;br /&gt;Perguntas:&lt;br /&gt;a) Na velocidade do trem-mãe, ainda eu, quantas vezes a abelha, minha dupla, consegue ir e voltar?&lt;br /&gt;b)  Qual a velocidade constante e qual a velocidade variável, dos objetos. Como professor de física gosta de eufemismo, minha nossa! Primeiro uma abelha e um trem e depois velocidade constante e variável... &lt;br /&gt;b') Calcule a velocidade do trem-mãe, das abelhas-filhas e a distância entre os dois pontos, mãe e filhas, nas várias vezes em que se encontrarem. (Pergunta bê linha é outra coisa bem típica de professor de física.)&lt;br /&gt;c) Calcule também em quanto tempo seria percorrida  essa distância se o trem corresse como a abelha e a abelha corresse usando metade da velocidade variável.&lt;br /&gt;Basicamente minhas respostas seriam básicas.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, que merda de abelha corre mais que um trem? Naquele tempo, quando eu fazia o científico, não sabia e nem tinha coragem de perguntar ao professor. Hoje já sei, se forem abelhas filhas, correm mais que qualquer trem mamãe. Portanto, primeira de algumas respostas, respondida.&lt;br /&gt;Depois, descobri que um poderoso trem não é páreo, nem na subida e muito menos na descida para fogosas filhas com-muito-fôlego-pra-gastar. Descobri ainda que a velocidade é a coisa mais relativa que existe entre as abelhas-filhas. Se for a abelha-Mamali, vai correr sem nunca ficar cansada, porém se for e abelha Lulu-dengosa uma só corrida bastará  enquanto com a abelha-Teté, nem uma ida será feita, muito menos uma volta. Ela estará andando com o cansado e nunca potente trem-mãe. E entre abelhas-filhas, jamais existirá velocidade variável e constante e sim ímpeto corretivo, de correr. E ímpeto cansativo, de cansar. A distância entre o trem e a abelha, nem Deus sabe, muito menos um  mero professor de física de segundo grau e menos ainda uma mãe de família. Queria estar vendo a cara do meu professor quando dissesse tudo isso.&lt;br /&gt;Mas vendo de longe, porque ele era bravo pra dedéu.&lt;br /&gt;E depois, no museu...&lt;br /&gt;— Filha, cuidado, esse é um tapete muito antigo.&lt;br /&gt;— Mais antigo que você, mamãe? pergunta a Lulu. Não vou responder, juro que não vou.  Fiz um muxôxo, levantei a beiradinha da narina e só. Fomos andando e eu explicando.  Isso é um tocheiro, muito antigo que as pessoas usavam quando não tinha luz elétrica para iluminar. Eram tochas...&lt;br /&gt;— O que eram tochas, mã? quer saber Mamali. Tochas eram uns canos mais ou menos assim que tinham fogo dentro.&lt;br /&gt;— E pegava fogo? Dentro de casa?&lt;br /&gt;— Claro que não, minha filha.&lt;br /&gt;Se fosse lá em casa, pegaria fogo, diz sabiamente Mamali, porque a Lulu nunca para quieta, fica correndo o dia sempre.&lt;br /&gt;— Dia sempre, filha?&lt;br /&gt;—  É, o dia todo e todo dia, ela me explica, e eu olho para Teté que tem a mão apertando os lábios para segurar o riso... quem corre é a Mamá, se estou bem lembrada, mas como mãe, tenho que ficar séria.&lt;br /&gt;A visita continua, contando à minhas filhas sobre as viagens do Franz Post ao Brasil.&lt;br /&gt;— Mas porque ele não foi pra Santos, mãe? pergunta a Lulu. Em tempo, as meninas adoram Santos e para elas a melhor coisa do mundo é viajar para lá, depois do Orogoai, para mim, ainda Uruguai, que é depois do Brasil, que para elas é São Paulo.&lt;br /&gt;O povo que ouve essas patacoadas morre de rir mas eu de mãe, tenho que ficar séria. Até que Lulu se vira para todos nós, olha muito brava e diz:&lt;br /&gt;— Mãe, vâmo pará com essa engraçada? Dá as costas para a sua pequena platéia e vai embora, rebolando. Tentei segurar a risada e quase consegui. Quando ela vira para trás e diz:&lt;br /&gt;— Mãe, se você rir nóis vai ver, convosco. Ela está numa mania doida de aprender pronomes, porque a irmã mais velha está aprendendo.&lt;br /&gt;Sai contendo as risadas. &lt;br /&gt;Como prêmio pelo ótimo comportamento das duas, fomos tomar chá. Um chá bem inglês.&lt;br /&gt;— É docinho?&lt;br /&gt;— Como  Mamali?&lt;br /&gt;— O doce, mãe. Essa menina parece que tá meio gira. Claro que é doce, Mamá. Porque não seria?&lt;br /&gt;— Não sei. É chá do museu. Elas estavam babando com a louça do museu. As peças de prata, e os aparelhos de porcelana da  Companhia das Índias, que elas já conheciam porque eu tenho um armário de antuiguidezas, diz Lulu. Muito gentis para comigo, estavam doidas para fazer de casa um museu, e quando eu disse que não dava porque tinha pouca coisa, elas foram pedir para uma das moças de lá se poderiam levar um pouquinho de cada coisa pra casa. Dei tamanha bronca nas duas que elas acabaram ressabiadas demais.&lt;br /&gt;— É do museu? perguntava Lulu se referindo ao açucareiro de prata.Se eles roubam de lá pra fazer chá, a gente pode dizer que vai fazer chá e levar também?&lt;br /&gt;— Não, Lulu, claro que não, responde Mamali.&lt;br /&gt;— É? Como você sabe? A gente não viu um desse lá em cima?&lt;br /&gt;— Vimos sim, mas esse é falsificado de verdade.&lt;br /&gt;— Até a serviceira?&lt;br /&gt;— Serviceira?&lt;br /&gt;As mesas todas ocupadas.  Feriado. Muita gente, poucas mesas, a conversa particular torna-se pública.&lt;br /&gt;— Meninas. Chocolate quente. Não berrei, nem precisava. Guloseimas as filhas ouvem de longe, mesmo quando murmuradas.&lt;br /&gt;Sentadas, começam as três na conversa de sempre. Cada uma fala o que quer, responde o que não interessa e briga com o que não deve.&lt;br /&gt;Mamali falando das corridas, Lulu querendo saber porque o Oscar Americano morreu, Teté rindo e a única a aproveitar o chá, eu, a  poor little mother, filosofando para as meninas pequenas sobre mortes, museus, cemitérios, caixões e o chá inglês.&lt;br /&gt;E a conversa ouvida de orelhada, na  mesa ao lado.&lt;br /&gt;— Pois é, precisamos colocar segurança... mesmo?...  vovó... no túmulo...é, para assegurar a segurança da vovó.&lt;br /&gt;— Mãe, pergunta Teté bem baixinho, assegurar a segurança, é certo?&lt;br /&gt;— E eu sei, Té? A segurança é delas.&lt;br /&gt;E a conversa continuou.&lt;br /&gt;— Segurança... não sabia? Foi isso o que aconteceu...nesta ordem? Que coisa...Segurança...a vovó... no túmulo.&lt;br /&gt;Lulu saiu da cadeira e foi cutucar a moça da "avó segura".&lt;br /&gt;— Tua avó tá no cimitério?&lt;br /&gt;A moça, com jeito de quem nunca tinha nem ouvido criança falar, quanto mais palpitar, olhou bravíssima para mim. A mim ela não assustava, muito. Ela olhou também para a Lulu e nada, caiu do burro. Porque o que amendronta Luli é Beto, o irmão.&lt;br /&gt;Lulu, vendo que a moça não respondia e  que as duas mesas estavam em silêncio, armou um bico de cara de séria e disse:&lt;br /&gt;— Sabe. Meu vô ta doente. Muito doente, e minha mãe tá com medo que ele morra. Levou a gente no cimitério, mostrou as velas, as flores, os caixotes (caixão, para ela ficou como caixote) e nem deixou eu entrar nas casinhas de morte dos morto porque tava com gradinha. A minha mãe me disse que meu irmão tá lá e que ele morreu nenê e que ele é mais velho que eu, mesmo tendo morrido nenê e mesmo tendo ficado no escuro sozinho, ele é mais velho, ele é nenê. Ele é morto, você sabe. Nem com água pelando fogo ele fica quente. Ele tá frio de morte de morto.&lt;br /&gt;         Parou para tomar fôlego e olhou para mim. Continuou.&lt;br /&gt;— A sua avó é velha? E tá morta? Eu sei porque tem guarda. É pra ela não fugir.&lt;br /&gt;Sabe por que eu sei? continua Lulu. Minha mãe ensinou direitinho o meu irmão. Ele nunca saiu do cimitério no caixote dele e ele é nenê e mais velho. Tira sua vó do guarda que segura. Meu irmão ensina ela a ser morta quietinha. E o escuro não dá medo, porque u Deus faz a gente quando morre ficar sem respirar e sem medo de escuro de noite. A gente dorme que num dá pra ver nada, igual cobra cega que é cega.&lt;br /&gt;U Deus cuida do meu irmão e da tua vó tudo junto, sabia? Ele não tem medo de muita gente.&lt;br /&gt;Uma das senhoras da mesa pergunta:&lt;br /&gt;- Como sabe disso tudo, menininha?&lt;br /&gt;- Porque meu avô vai morrer e minha mãe foi no cimitério chamar U Deus para cuidar dele.&lt;br /&gt;- Deus no cimitério?&lt;br /&gt;- É. Ele tá amarrado lá dentro do museu no tocheiro (a cruz) sangrando. Mas como não tinha caixote pra ele, você pode ir falar com ele nas casinhas do cimitério (túmulos). Saiu correndo, depois voltou, de marcha ré e disse:&lt;br /&gt;- E se você falá com a tua avó, pede pra ela trocar as fraldas do Tonico mermão, que a mamãe nunca trocou, dá um beijo nu Deus e manda ele cuidar do meu vô senão minha mãe chora mais. Tiau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos, ao Deus da Lulu, que aos 5 anos entendeu mais de morte, cemitério, museu e câncer que a cansada mamãe dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;OdilaGoulart, férias de julho de 2001.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111287427665780534?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111287427665780534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111287427665780534' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111287427665780534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111287427665780534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/04/coisas-de-lulu.html' title='Coisas de Lulu'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111263388186920867</id><published>2005-04-04T13:48:00.000-03:00</published><updated>2005-04-04T15:27:06.550-03:00</updated><title type='text'>Do re-sentir.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este foi meu primeiro texto a sair no Balaio Vermelho do Moacy . Voltei a colocar por conta do aniversário. Beijos especiais a Moacy sempre presente, sempre amigo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Guardar ressentimento é como tomar veneno e querer que a outra pessoa morra.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Shakespeare&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Afetar, sentir, o re-sentir.&lt;br /&gt;Viver. Verbo, ação, um estado. Sentimentos, que no re-torno sempre são re-sentidos.&lt;br /&gt;Retrocesso, regresso, recuo. Revolta&lt;br /&gt;Quando me volto, para dentro, para pensar, é sempre comigo que me penso. Assim, erradamente, mas bem dentro de mim.&lt;br /&gt;Inferir. Bem melhor que deduzir, que é palavra de detetive. Pré-sinto tal e qual, encontrando aqui chagas invisíveis que me avisam desse dês-sentir.&lt;br /&gt;Acordar. Das dores e ressentimentos. Não estar atada. Tanger a dolorosa tecla e fugir da dor. Iguais se tocam, refletem, enganam. Na verdade refratam, quebram as direções, desviam os sentimentos.&lt;br /&gt;Quem se permite dor imposta, vive sujeito a viver do outro, de alheia dor, de alienada amargura.&lt;br /&gt;Libertar-se é mais dor que sofrer de dor. Sofredor sofre calado. É padecente de predicados.&lt;br /&gt;O assistido cria vínculos. Trans-cria. Entende-se.&lt;br /&gt;Dor e sentir não têm a mesma unicidade. Mas provêm de mesma unidade. Meu só sentir. Meu inconsciente bondoso que foge de mim atribui culpas ao meu impossível, potencializa minha necessidade.&lt;br /&gt;Um sentir que se faz intenso. Que bem se assemelha a todo o meu re-sentir.&lt;br /&gt;Enquanto não sei de mim, careço de ajuda. Mas quando sei do que careço, me auto-ajudo. Me deixo crescer.&lt;br /&gt;Por isso perdôo. Porque sou egoísta, graças a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111263388186920867?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111263388186920867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111263388186920867' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111263388186920867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111263388186920867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/04/do-re-sentir.html' title='Do re-sentir.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111215782447970270</id><published>2005-03-30T01:42:00.000-03:00</published><updated>2005-03-30T01:43:44.480-03:00</updated><title type='text'>Pronto Socorro</title><content type='html'>—   Aonde dói?&lt;br /&gt;— Aqui, aqui e ali. O aqui primeiro era o coração; o segundo, a lateral e o ali final, a traseira do coração. As costas.&lt;br /&gt;— Parece nevralgia intercostal.&lt;br /&gt;Mas me dói o coração, pensou ela.&lt;br /&gt;— Melhor fazer eletro. Ver se o coração está em ordem.&lt;br /&gt;Fez. Tudo bem, tudo normal.&lt;br /&gt;Saiu triste do Pronto Socorro. Como ter dor onde não dói? Calçou os olhos errados, achando tudo nublado demais.&lt;br /&gt;Se não dói melhor parar de chorar, ruminou entre dentes e suspiros.&lt;br /&gt;Não viu a moto.&lt;br /&gt;Morreu com as mãos segurando o coração que naquela hora, parou de doer.&lt;br /&gt;Odila Lobo Goulart&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111215782447970270?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111215782447970270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111215782447970270' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111215782447970270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111215782447970270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/03/pronto-socorro.html' title='Pronto Socorro'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111188561833165133</id><published>2005-03-26T21:47:00.000-03:00</published><updated>2005-03-28T05:43:46.910-03:00</updated><title type='text'>Um ano e canceriano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Outro dia que me dei conta. Esse blog é de março, canceriano, e já fez um ano e eu, desnaturada proprietária, nem notei. Resolvi que estes próximos dias serão de lembranças.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obrigada, de coração, a todos vocês que me deram esa felicidades de tantos dias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;muitos beijos, muitas alegrias,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;carinhos a todos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Maria Odila&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: Pensei peixes,  lembrei pisciano. Escrevi canceriano de tonta que sou. Ai, ai...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Teimosias literárias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio Joyce. Ele escreveu Ulisses! Sim, é verdade e não posso culpar o homem por isso. Só levo horas para descobrir que não o odeio tanto assim já que amo Os Dublinenses.&lt;br /&gt;Amo o Trevisan. Não o vampiro de Curitiba mas o João Silvério. Tenho o privilégio de saber suas histórias ao vivo. Amo não só Joãozinho como sua escrita. E nunca o li.&lt;br /&gt;Minha leitura de alcance de mão é Shakespeare, que vive mais espalhado pelo quarto que na estante do canto, mesmo tendo prateleira certa. Ou como dizem as filhas, anda em mil bagunças copiado pela casa. Gosto tanto deste homem, que lembro de Pórcia, Much Ado About Nothing, que prefiro mais assim, em inglês, e os outros, bem, preciso sempre parar para pensar.&lt;br /&gt;E do enorme Desassossego, tenho só quatro. Um de meu avô, um que ganhei, outro da brasiliense e o ultimo da Cia das letras. Fernando é Pessoa que não me canso de reler. Mas paixão? Paixão tenho pelas cartas. Dele com Ofélia, até.&lt;br /&gt;Aliás são para as cartas-livros minha estante mais especial. Fisicamente ficam frente a meus olhos, e a verdade é que vivem na minha cama-escritório. Enorme cama de casal que divido com livros, bordados e costuras. Ah, sim, e no inverno com lãs e projetos nunca acabados de arraiolos e casacos para as meninas.&lt;br /&gt;Abaporu não me desce. Entretanto as cartas de Tarsila a Luis Martins me fizeram rever aquele amarelaço. Não amo nem gosto, mas já engulo...&lt;br /&gt;Sou rainha da mitologia. Inda ontem dizia que quem mandou construir o labirinto foi Menelau esquecendo que Helena, a de Paris e do pomo de ouro foi sua esposa e que no ouro, o rei era outro: Minos. Pai de Ariadne, a do fio, de Teseu e das teias.&lt;br /&gt;Adoro encontrar soluções, desde que não me dêem trabalho nem precise pensar muito.&lt;br /&gt;Não sou bonita nem tão enxuta, sou interessante, acho.&lt;br /&gt;Tenho vontade de reabrir a lua só para poder ler na janela sem a luz do quarto&lt;br /&gt;Coisas de doidivanas, coisas do esquecimento coisas de maria que sou e sempre serei.&lt;br /&gt;Saber, eu sei. Só confundo com a convicção da certeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Maria Odila&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111188561833165133?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111188561833165133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111188561833165133' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111188561833165133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111188561833165133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/03/um-ano-e-canceriano.html' title='Um ano e canceriano'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111141445836511630</id><published>2005-03-21T11:09:00.000-03:00</published><updated>2005-03-21T11:14:18.373-03:00</updated><title type='text'>Herança</title><content type='html'>&lt;em&gt;Meu pai me contou, disso. E essa semana, num destes seriados policiais, Law and Order SVU, o tema foi esse. O único jeito de aliviar minha agonia foi escrevendo, logo...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Olhos azuis na pele alva. Branca de coco, o apelido na escola. Doce, suave e os olhos cor de profundeza. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Namorava, saía, dançava, como as meninas de sua idade.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Conversava tal qual todos sabem fazer.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Diferenças? Indiferenças? Poucas. Comum entre todos, quase.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Cresceu, estudou e casou.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Queria filhos, mas não tão já. E foi vivendo, fazendo coisas, criando, gostando.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Não apreciava as lides de casa mas trabalhava o necessário: lavar, passar e cozinhar. Afinal casal novo vive apertado.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Estudou e depois, formada, saiu trabalhar.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;O marido também. Fazia sua parte no cotidiano universo familiar.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Um dia... um dia bastou, um só, uma só noite.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;E para não esquecer, engravidou.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Poucos os anos de casada, logo, não contou nada a ninguém.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;A família dos avós, como de praxe, adorou a novidade. Primeiro neto, nos dois lados. Sim, porque eles, os avós, tinham certeza: era um menino!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Nasceu, Sarah.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Linda, alba como sua mãe. Por isso Sarah Alba.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Olhos azuis, mas não profundos. Secos. Sarah não chorava. Sarah era linda. Sarah não dava trabalho.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Na consulta, o pediatra, a notícia.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Tay-Sachs.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Sarah entendeu. Lágrimas, soluços solidários a Alba, a pequena Sarah.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Sarah, mãe, queria ser boa. Sarah, judia, sabia que de seu marido, novo convertido, antigo católico, não portava aqueles genes, tão tipicamente hereditários. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Fenomenal. O sexo, o gozo e o castigo. Divino.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Embalou a filha, colocou na cesta e foi ao parque. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Andou até esfolar a dor e os sapatos cansarem dos pés.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;E foi ainda mais adiante.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Não sei de Sarah, não sei de Alba. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Odila&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A origem da doença de Tay-Sachs é um erro metabólico (do funcionamento do organismo) com o qual o bebê nasce. Tem como conseqüência o atraso neurológico associado a crises convulsivas de controle difícil. Os sintomas aparecem lentamente, tais como perda da visão periférica e da coordenação motora, dificuldades respiratórias e para engolir. Um ponto vermelho na retina é um forte indicador da doença, que não tem cura&lt;br /&gt;        &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111141445836511630?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111141445836511630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111141445836511630' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111141445836511630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111141445836511630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/03/herana_21.html' title='Herança'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111102332950157646</id><published>2005-03-16T21:53:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T22:35:29.506-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Há mais de oito anos escrevi essa coisinha, quase boba, quase real, quase conto, quase tudo. Porque Ariane vive me dizendo que é dos que ela mais gosta e porque a tendinite anda danada, resolvi que vou correr o risco de colocar aqui, também essa antiguidade.&lt;br /&gt;beijos&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitando um Sex Shop&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Bem, a gente nessa vida deve fazer ou saber de tudo um pouco. Não sei bem se é esse o ditado, mas é algo parecido. Ano passado, na esteira dos &lt;em&gt;enta&lt;/em&gt; resolvi conhecer um SEX SHOP. Com o digníssimo, é claro. Naquele local tranqüilo que é a 23 de maio, avenida pouco movimentada de SP. Pintado de roxo, letreiro em neon piscante, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;SEX SHOP 24 HORAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Não queria ser aparecida mas a verdade é que fui naquele... porque não conhecia outro.&lt;br /&gt;         Toquei a campainha e uma linda morena abriu a porta.&lt;br /&gt;— Vocês já conhecem a loja? Apesar daqueles olhares de te-mato-se-disser-que-não do dig (digníssimo) claro está que disse não conhecer. Porque sou sempre honesta. E não conhecia mesmo.&lt;br /&gt;— Pois então vou mostrar e demonstrar a loja a vocês.&lt;br /&gt;A moça, gentilíssima. E minha cabeça já estava na sessão besteira. Fazer demonstração, como ela havia isso, era uma coisa que eu queria saber como funcionava, aliás como, se ali era um sex shop? Mas como eu não conhecia, fui ouvindo a moça e vendo as coisas.&lt;br /&gt;Nem pensei,  nadica de nada.&lt;br /&gt;Juro.&lt;br /&gt;Ela falando, falando e vou dizer, quer dizer, serei honesta: meu queixo ia caindo... de onde diabos tinha saído tanta coisa só pra transar? Devo ter pensado alto porque ela me disse, quase brava:&lt;br /&gt;—  Transar, só? Não, não! Porque transar tem um sentido... e a vida... ainda poetava, a moça.&lt;br /&gt;Entendam. Não menosprezo uma transa, fazer amor, afinal estava ali para isso mesmo, mas o que me deixava abismada é como tinha conseguido chegar aos 40 anos completamente virgem de sex shop. Estava era boba comigo mesma e novamente devo ter demonstrado. A moça, a bonita morena, sempre gentil, disse:&lt;br /&gt;— Espere, que tenho uma coisa para você. Eu, deslumbrada com a loja nem ouvi direito o que ela disse mas como sou cordata, provavelmente devo ter respondido um hum,hum qualquer. Sou cordata e educada também. Ela veio com uma coisa gelada e colocou na minha mão.&lt;br /&gt; — Já usou isso? Já usaram? A morena olhou para ele, para mim. Eram bolas. Não sei bem até hoje para o que servem, e na dúvida, perguntei ao dig.&lt;br /&gt;— Conheço? Nós já usamos? Esqueci de falar que sou bem esquecida? Acho que sim...&lt;br /&gt;Ele sem graça, e bravo, irritado e emburrado, coisa bem típica dele, foi indo para trás e acabou batendo num stand quase encostado na parede.&lt;br /&gt;Nem vou falar nada... quer dizer, vou sim... eram, segundo eu penso... bem... ai, como vou dizer? Bem eram cópias de... não. Eram próteses... não, também não eram. Eram umas coisas assim, tá vendo? Pois é, assim, feitas de plástico, que eu acho que... bem, como eram ocas por dentro... ai, meus sais... que coisa mais difícil de explicar. Eram, na verdade vários pênis de borracha, enormes. De muitos tamanhos, largura, desenhos e coloridos. Contaram-me  que se chama ciborgue, mas naquele dia eu ainda não sabia disso. Para mim eram pintos de borracha.&lt;br /&gt;O caso é que batendo lá o Dig fez com que todos caíssem em cima dele. Era uma chuva de pintos nele e ele rebatendo e o negócio, que era de plástico, quicava, batia e subia e voltava para ele e ele re-rebatia aqui e ali e os pintos iam subindo e descendo.&lt;br /&gt;Eu segurei a risada porque sei que ele fica muito bravo quando riem dele, mas depois...  depois a moça com a mão na boca, e as outras pessoas disfarçando. E eu ri. A moça, olhos arregalados e lábios apertados, tentava ajudar tirando de cima dele os tais... ciborgues. Era muito solícita a moça e  foi ajudar o Dig retirando a pintaiada de cima dele. Daí que ele me saiu com essa pergunta:&lt;br /&gt;— O que é isso? Com um pintão enorme na mão. Respondi batido:&lt;br /&gt;— Se não sabe o que é isso, é  melhor a gente ir embora porque a visita à  loja não vai valer para nada. E ri mais ainda. A moça riu também, mas como era o trabalho dela, ainda respondeu - Isso são próteses que o senhor pode usar para satisfazer melhor a sua mulher. Pra que ela foi falar aquilo? O homem, agora roxo na sua dignidade e com um daqueles negócios na mão, também roxo, foi ter um ataque. Mas quando abriu a boca não saiu palavra. Quis dar a tal da prótese que estava segurando para a moça, mas arranhou ou esfregou na mão que estava segurando... já imaginaram? Um homem com aquilo na mão, mas era um outro aquilo? Roxo? De plástico? Enormão? Tremendo na mão dele? Às vezes acho que ele teve razão em ter ficado meio bravo comigo, mas que era engraçado, era.&lt;br /&gt;— Doeu, perguntei? Eu estava pensando na queda dele e dos pintos, mas a moça achou que estava falando da ralada do tal ciborgue.&lt;br /&gt;— Imagina, olha só como o plástico é suave e esfregou no dorso da mão dele e depois na minha. Para não atritar temos um óleo especial, indiano, e também é ótimo para massagem. E o Dig se viu sendo massageado... na mão, é claro, segurando aquela gororoba enorme e ela mandando ele passar o óleo na gororoba. E ele bravo, fechando a mão e esquecido da coisa que estava lá dentro. Custo foi fazer o homem abrir a mão e soltar a coisa. Coisa forte, nem se abalou em ser tão amassada.&lt;br /&gt;O Dig é forte pra caramba. A coisa também.&lt;br /&gt;Bem, para sairmos da loja levamos o tal do óleo de massagem... o ciborgue era caro demais. E depois, ainda sou a favor do natural. Só não consigo entender porque o Dig fica bravo quando canto uma música que era do seriado que tinha um tal de Zé borgue... a associação de idéias do Dig eu nunca entendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111102332950157646?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111102332950157646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111102332950157646' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111102332950157646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111102332950157646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/03/h-mais-de-oito-anos-escrevi-essa.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-111040136402461515</id><published>2005-03-09T17:44:00.000-03:00</published><updated>2005-03-09T17:49:24.033-03:00</updated><title type='text'>Curtos.</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Dia outro Deus estava assim, cansado.&lt;br /&gt;Dia ontem, eu também.&lt;br /&gt;Não que seja eu Deus ou qualquer ser divino, mas me sinto melhor quando tenho alguma afinidade com Ele.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;E então ele vem e senta. E pede novas histórias e antes que eu comece, pergunta o que é gostar. Respondo que amor é privilegio dos outros. Levanta os ombros, muxoxa os olhos, revira a boca, levanta-se quase inteiro e sai. Esqueceu que seu &lt;em&gt;outros&lt;/em&gt; sou eu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;O dia se arrasta esquecendo das horas. Se assim acontece, já sei: é a filha esperando o namorado ligar. Quando reclama, é porque o tempo correu. E quando vai vê-lo, resmunga que o tempo será pouco. Esse é o tempo de um relógio apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;Quando te disser adeus, não olhe, aliás, nem se vire. Pensando melhor, nem ouça. Esqueça. Apague ou defenestre. Na verdade eu nem queria ir. Na verdade nem queria dizer nada. Por isso quando te disser adeus, ria. Era bobagem. Talvez fosse só a vontade de te beijar hoje de manhã.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Outro dia fui pedra, sem caminho e sem sopa, Pedra simples, de andar no bolso do casaco de filha caçula. E filha chegou e me deu banho, com escova de dente, com sabonete de pele seca e me hidratou, com creme de mãe. Ser pedra é assim, rotineiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;Filha sanduba, dizem, é terrível de ser. Nem bem aqui, nem bem lá. Não digo a ela que mais gostoso é o recheio, porque a minha do meio, só come bordas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;Estava lendo cartas antigas, novas, também chamadas de emails. Algumas diziam: ainda bem que passou. Já outras... uma pena. Sorrisos vi em muitas, ora de alívio, ora de melancolia. Mas nenhuma me quis de volta. Aquele passado não condena, só não me quer presente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;Ali a esquina da corredeira. À esquerda, muitas travessas pra bem depois, a estrada do rio acima. Caminho para a clareira das cobras. Dizia meu avô — cobras não ficam no descampado. Gostava de ir por lá, repicando sua bengala no chão e nas pedras — para espantar cobras. Nunca pensei na razão do nome. Vai ver os picados de cobra fossem até a clareira para morrer, não sei. Esqueci lá a bengala de vovô e nunca mais voltei.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Odila&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-111040136402461515?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/111040136402461515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=111040136402461515' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111040136402461515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/111040136402461515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/03/curtos.html' title='Curtos.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110998285998208406</id><published>2005-03-04T21:33:00.000-03:00</published><updated>2005-03-04T21:35:11.023-03:00</updated><title type='text'>Descompasso</title><content type='html'>&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Primeiro o susto, as horas, brincar de estátua!&lt;br /&gt;Respirar pesa e sentir é desarmônico.&lt;br /&gt;E depois o choque. Dias e noites, inclementes em sua normalidade.&lt;br /&gt;Fazer-se à vela, sair da cama, sair da casa, entrar no dia.&lt;br /&gt;E seguir a hora, temporariamente extinta.&lt;br /&gt;Respiro como se sustos fossem.&lt;br /&gt;Passional, peço que a noite não acabe e ela me enrola, nos lençóis.&lt;br /&gt;Deslizar, dar-me conta que o comum de dois é agora conta de um só.&lt;br /&gt;Sair seguinte ao dia...&lt;br /&gt;A memória falha, recorda, re-sente.&lt;br /&gt;Peço que a dor acabe, súbita, que deixe de acontecer.&lt;br /&gt;Preciso sentar e pensar e entristecer.&lt;br /&gt;Bem sei o dia, e nas horas o tempo vai.&lt;br /&gt;Preciso fazer descompassos, ladainhas, silvar de jeito.&lt;br /&gt;Preciso que o insuportável seja menos.&lt;br /&gt;Novidades, não as quero bem-aceitas.&lt;br /&gt;Desejos, já não os tenho&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Maria Odila&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110998285998208406?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110998285998208406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110998285998208406' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110998285998208406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110998285998208406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/03/descompasso.html' title='Descompasso'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110960834124450184</id><published>2005-02-28T13:29:00.000-03:00</published><updated>2005-02-28T13:32:21.246-03:00</updated><title type='text'>O tempo em minha avó.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;Na casa de minha avó o tempo era mesurado pelas roupas, perfumes e vozes.&lt;br /&gt;Amanhecia o dia, sons miúdos, crianças dormindo porque o cedo ainda era escuro. Minha avó tinha sua máquina de lavar, mas os lençóis, estes, minha avó lavava no tanque, com Rosa, antes da luz vir. E assim, no quintal, aquelas enormes bandeiras flanavam quase toda manhã e entre elas, nossas corredeiras.&lt;br /&gt;Hora do almoço era anunciada com colher de pau batida na panela. E gritando que era cedo a gente corria esperando a sobremesa.&lt;br /&gt;Quando minha avó chamava whisky, o cachorro do vovô, era hora do lanche, afinal vovô todas as tardes sumia como sumia seu whisky. Vovó sempre reclamava, dos dois.&lt;br /&gt;O jantar vinha com cheiro de comida séria. As crianças de banho tomado, brincando curtinho pra não se sujar nem atrapalhar as mulheres na cozinha. Os homens sentados na sala, conversavam, whisky por perto e os não tão pequenos, nesta hora podiam ligar a vitrola.&lt;br /&gt;Depois do jantar, só restava dormir.&lt;br /&gt;É esta a hora da saudade de minha avó.&lt;br /&gt;Miúda, decidida, brava até, ela vinha cobrar o dia.&lt;br /&gt;— Minha filha rezou?&lt;br /&gt;— Rezei.&lt;br /&gt;— Escovou os dentes.&lt;br /&gt;— Sim, vó.&lt;br /&gt;— Contou os lençóis de hoje?&lt;br /&gt;— Contei.&lt;br /&gt;— Raspou o prato no almoço? Rosa fez biscoitos no lanche? Sua mãe voltou cedo do trabalho? Hoje seu pai não veio, estava operando. Minha filha você sabe como funciona um hospital? Seu avô perdeu whisky como faz todas as tardes. Seu tio Lauro ainda não chegou da escola.&lt;br /&gt;Depois eu parava de responder. Acho que vovó sabia: roncava antes de falar todas as contas. E eu cobria vovó e ia dormir.&lt;br /&gt;Dormia ao lado dela, na cama que minha avó todas as noites perfumava com água de colônia. Descansava da lida infantil cheirando rosas ou alfazema.&lt;br /&gt;Acordava sozinha.&lt;br /&gt;No meio da noite minha avó saia novamente a procurar whisky e vovô.&lt;br /&gt;Fechava os olhos pensando comer sequilhos de nata.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110960834124450184?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110960834124450184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110960834124450184' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110960834124450184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110960834124450184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/02/o-tempo-em-minha-av.html' title='O tempo em minha avó.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110800191787450528</id><published>2005-02-10T01:16:00.000-02:00</published><updated>2005-02-10T00:18:37.873-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>    O novo ano veio com antigas e desavisadas palavras, e como casa de pouco uso, carece de cuidados diários e por isso dei comigo a limpar desatinos. &lt;br /&gt;    Já um ano antigo é sempre uma porca espanada sem conserto. Não pode ser mexido e não consegue ser esquecido. Gira em falso e funciona, se quiser. &lt;br /&gt;    Toalhas molhadas ou gostam de chão ou são esquecidas nas camas. Pendurá-las, quase nunca. Pares de meias se desfazem no trajeto entre a lavagem e a volta a gaveta. E os lápis vivem ao léu do chão do quarto para que mães incautas exercitem seu abaixa-levanta ou, tropeçando,  fazer um beija-lona filial extremamente sonoro.&lt;br /&gt;    Então a vida era isso. Cuidar de filhos, prover suas fomes e cuidar de crescê-los à melhor maneira.&lt;br /&gt;Levei, lavei, limpei inclusive. E depois me deixei.&lt;br /&gt;    Sou uma mulher de poucas lágrimas. &lt;br /&gt;    Minhas roupas são velhas, meus cuidados se fazem poucos. E à noite imagino, ao deitar, que amanhecerão novas quartas-feiras, poucas de cinza. &lt;br /&gt;   Talvez, assim, o sono seja simples e sonhar a cria continue como tempo, cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110800191787450528?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110800191787450528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110800191787450528' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110800191787450528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110800191787450528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/02/o-novo-ano-veio-com-antigas-e.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110585335768727206</id><published>2005-01-16T03:28:00.000-02:00</published><updated>2005-01-16T03:29:17.686-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>                            Vida de cidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Era uma vez um João que vivia sua vida de João.&lt;br /&gt;         João mora ali na esquina, na avenida São João.&lt;br /&gt;         Sem se importar comigo e com sua segurança, planta salsinha, coentro e cebolinha no canteiro central da avenida. Não atina também esse João com o desespero que fico ao vê-lo atravessar a avenida sem olhar os lados, sem parar nos carros. Ele sobrevive e eu cá me apoquento.&lt;br /&gt;         Porque vivia João daquele jeito nunca perguntei. Faltava-me a coragem. Mas por gosto, todas as vezes que podia, passava por ele, dizia um oi sussurrado, quase sem som.  E para meu movimento de lábios, ele acenava com seu chapéu só de aba.&lt;br /&gt;         Lá para o final da tarde essa sua vida de joão chega ao  cotidiano da fome e o joão do nome João, aparecia com sanduíches usados, estragados, azedados. Angustiada, quando o vejo, viro o rosto. Para o intenso tráfego João usa sua melhor corrida e vai zanzando entre os carros, para chegar a sua horta.  Senta na calçada, pés para a rua. Estica-se como se em casa estivesse e, tranqüilo, arranca suas salsinhas, sacode e coloca o maço dentro do sanduíche.  Um verde intenso carrega a fome e é com gosto que João se farta.&lt;br /&gt;         Ver esse João é gostar da minha cidade.&lt;br /&gt;         Mudei de emprego e mudei de João. A nova rua, muito asséptica, tem árvores plantadas nas duas calçadas, sinais em todas as esquinas e um calçamento de pedras trabalhadas. A vida de joão quase esqueci.&lt;br /&gt;         Outro dia voltei ao centro e  encontrei hortas entre as duas pistas, no canteiro central. Eu numa esquina, João colhendo seu tempero na outra, mais adiante.&lt;br /&gt;         Depois os dias passaram.  &lt;br /&gt;         Voltei no inverno, João correndo na frente dos carros, batendo nas portas, nos vidros.&lt;br /&gt;         Seus dias de terra eram agora dias de brigas.&lt;br /&gt;         Não encarei a novidade. Baixei os olhos e atravessei a rua quieta, absolutamente cega.&lt;br /&gt;         Voltei dia seguinte mais cedo. Deixei no canteiro meia, luva e cachecol.&lt;br /&gt;         Não mais vi João.&lt;br /&gt;         Quando o trabalho mudou, novamente para o centro, novamente procurei por ele.&lt;br /&gt;         As hortas eram mato, João era outro. Outra vida de joão, outra história.&lt;br /&gt;         Por sensibilidade, minha ou não, deixo um maço de salsinha, às segundas-feiras e de coentro as sextas.&lt;br /&gt;         Esperando que um dia algum João volte à horta central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110585335768727206?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110585335768727206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110585335768727206' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110585335768727206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110585335768727206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2005/01/vida-de-cidade-era-uma-vez-um-joo-que.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110451594060152306</id><published>2004-12-31T15:56:00.000-02:00</published><updated>2004-12-31T15:59:00.600-02:00</updated><title type='text'>Votos e desejos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Que neste ano vocês tenham...&lt;br /&gt;Contas, muitas contas. De mais, de menos, contas de sentir, contas de chorar pra gente saber dar conta sem contar de entender.&lt;br /&gt;Amigos que aceitem choro e bico.&lt;br /&gt;Aniversários que mudem de dia , de festa e de presente.&lt;br /&gt;Letras que queiram dedos, papéis e histórias perdidas.&lt;br /&gt;Dias que precisem de sono, de sol e de chuva.&lt;br /&gt;Duvidas que jamais desapareçam, aspirações atendidas, vontades daqui, dali, de ontem e de nunca.&lt;br /&gt;         Espaço antigo para amores novos, amores antigos para novos espaços.&lt;br /&gt;Olhos pasmados, olhos de lua, olhos de Capitu, olhares oblíquos, olhares de vento.&lt;br /&gt;         E porque todo novo sempre guarda um velho, faça bagunça, ordene o caos. Dê o cano sempre que quiser e crie, invente desculpas. Quem ama inventa, já dizia Quintana.&lt;br /&gt;         Mesmo que pareça loucura, agarre suas felicidades, não se esqueça - elas são momentâneas.&lt;br /&gt;Não se lembre de chorar. Emburre sempre que puder, abra seu coração aos sorrisos e sorrindo enterre, crie e plante. &lt;br /&gt;Esqueça as lembranças, guarde o que vai vir, fantasie seus sonhos.&lt;br /&gt;E adote. Uma expectativa, um enfim, um aliás. Adote um novo filho, crie os antigos, embale os que se foram.. &lt;br /&gt;Que os dias sejam de nuncas,  talvez aos montes e que todas as certezas permaneçam duvidosas.&lt;br /&gt;E por pedido faço um só: que a natureza compreenda nossos destemperos&lt;br /&gt;E no mais, desejo a vocês...&lt;br /&gt;Um ano cheio de contradições&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Maria Odila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110451594060152306?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110451594060152306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110451594060152306' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110451594060152306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110451594060152306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/12/votos-e-desejos.html' title='Votos e desejos'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110401972392260395</id><published>2004-12-25T22:03:00.000-02:00</published><updated>2004-12-25T22:08:43.923-02:00</updated><title type='text'>Ainda que atrasado... Feliz Natal</title><content type='html'>     Estes foram dias difíceis, dias de cansar, dias tristes. Doenças em família e o falecimentos de minha sogra.  Conturbados porque também ficamos sem linha telefonica.&lt;br /&gt;     Desculpem a ausêncisa prolongada.&lt;br /&gt;     Segue a curta mensagem de Natal deste ano9&lt;br /&gt;     beijos&lt;br /&gt;     Maria Odila&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;Adoro Papai Noel. E faço piruetas para as meninas cresceram acreditando também.&lt;br /&gt;Não com presentes mas sim contando a elas lembranças, marotas ou molecas, pequenas, felizes e tristes às vezes. Cantando e dançando carinhos. E gritos. Sem os gritos não seria eu a mãe delas... rs.&lt;br /&gt;E mesmo quando os tempos são conturbados ou difíceis, ainda assim nos damos presentes.&lt;br /&gt;         Este ano, em Novembro, fizemos um dia de cabular obrigações e fomos as quatro nascer, fazer Natal, só viver de fazer felicidade, um dia par andar de metro, passear pelo centro de São Paulo, comer sanduba ali na esquina e dia de tomar  sorvete até a barriga ficar dolorida e a gente ter que deitar na grama pra ver nuvens. Foi assim um dos nossos Natais.&lt;br /&gt;         Hoje rezamos. É aniversário de outra criança que nunca cresce mas que também morre rápido, antes de ser quarentão, mas aí é outra história que nunca contam no Natal...&lt;br /&gt;         Por isso benditos esses frutos que são os amigos em nossas vidas.&lt;br /&gt;  Hosana&lt;br /&gt;Gloria in Excelsis Deo&lt;br /&gt;Em nossos corações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Odila, Maria Ester, Maria Amália e Maria Roberta&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110401972392260395?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110401972392260395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110401972392260395' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110401972392260395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110401972392260395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/12/ainda-que-atrasado-feliz-natal.html' title='Ainda que atrasado... Feliz Natal'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110264400232995579</id><published>2004-12-09T23:57:00.000-02:00</published><updated>2004-12-10T00:00:02.330-02:00</updated><title type='text'>Incertezas</title><content type='html'>          Calhou de perguntar. E a resposta, usual como de quebra, fugiu. Não era amor, dores tenho que bastem e, certeza de nada querer, também. Algo que assaz sombrio e pouco prudente, assentou rente a mim.&lt;br /&gt;          Pensei em erros, desdouros. Nada.&lt;br /&gt;          Insegurança e culpas? Menos que isso.&lt;br /&gt;Perfumes, sapatos, bolsas, um leve quê de Imelda, mas será que recordam das quantidades? Afinal, para sapatos, escolho os vermelhos.&lt;br /&gt;Mas nem era essa a agonia. Se agonia fosse. As horas que custavam a passar aparentavam realidade. De porquês nem imagináveis.&lt;br /&gt;Concessão? Ouvi hoje que um quiabo frito nada mais é que um quiabo. Compreendo, com razoáveis ignorâncias.&lt;br /&gt;Nada que a chuva lave, nada que o tempo carregue. Crenças? Pouco crível. Hipotética, em tudo levo. Possibilidades? Jamais.&lt;br /&gt;Tanto penso que tanto faço, me canso. Mesmo o lugar, de tudo e pouco nada, vim por vir.&lt;br /&gt;E a aflição, reparadora, lacera.&lt;br /&gt;Não creio que não entendesse, a plenitude quase etária.&lt;br /&gt;Calores e Joanas que se acabam em fogos. Era a idade, a idade.&lt;br /&gt;E a pergunta, refeita, recebeu simples resposta.&lt;br /&gt;— Por que quer saber? Monocórdica obstinação. À impertinência, algum silencio. Se acintes? Sonoros, que venham sonoros.&lt;br /&gt;Ele não me disse nada e eu me apresentei inteira, despida e impretensa.&lt;br /&gt;Fadiga, afinal.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110264400232995579?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110264400232995579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110264400232995579' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110264400232995579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110264400232995579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/12/incertezas.html' title='Incertezas'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110238821944401438</id><published>2004-12-07T01:49:00.000-02:00</published><updated>2004-12-07T00:56:59.446-02:00</updated><title type='text'>Pensiero</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Chegar é quase sempre em casa. Descalçar sapatos e descer das alturas dos saltos de andar o dia. Algumas vezes a casa sozinha, a maior parte do tempo povoada do sonoro das meninas, irrequietas filhas.&lt;br /&gt;Hoje não dei atenção. Cansada de rua, deixei as vestes e caminhei direto ao chuveiro. Depois, vestido largo e velho, suco geladíssimo e frutas ao redor, sentei na sala de uma só poltrona e me deixei pensar.&lt;br /&gt;A lua aconteceu de me vir junto. Grilos, ás vezes acontecem por aqui. Bêbados e brigas também. Janela de uma rua versátil. A esta hora da noite o movimento é quase pouco. E penso no que faço e me faz gostar.&lt;br /&gt;Sentar aqui.&lt;br /&gt;Com regalias, sandubas da madrugada, sorvetes e café tal qual manhã de mesa farta. E não é o comer. É ter comigo quem é de meu gosto.&lt;br /&gt;Na verdade são aparatos, as coisas.&lt;br /&gt;Sento, deixo no chão as sandálias, recolho e abraço as pernas, só para olhar a lua e ter dela ainda meu gosto de adolescente, quando sentava assim namorando da janela.&lt;br /&gt;Imagino o tempo quando delas crescidas.&lt;br /&gt;Quero da vida meu quase melhor para entregar a elas. E penso em reclamos e dias de tormento que as filhas irão ter e meu coração já hoje se condói tanto que choro hoje a dor de amanhã. Não as queria marcadas pela vida mas a vida não me pergunta e os destinos não se fazem, os seguimos tão somente.&lt;br /&gt;Imagino que em algum tempo não estarei só. Imaginar, hoje, é o quanto me basta. Coração anda cansado de comuns amores.&lt;br /&gt;E penso em trabalhos e crias que nem sei se terão. Em assentamentos e ressentimentos. Tão contra ando casar... preciso cuidar de não passar isso a elas.&lt;br /&gt;E penso que poderia até dormir não estivesse com dor nas pernas enrodilhadas. Levanto e vou ver a casa que agora dorme, arrumar filhas, guardar esquecidos e visitar seus sonhos. De quebra rezo a cada uma e subo as cobertas feitas de infância.&lt;br /&gt;Santa Maria que tudo ocorra como tiver que correr, que eu seja porto e ancoradouro das meninas e imensidão para os que gosto.&lt;br /&gt;Que os anjos agora passem e rezem amém.&lt;br /&gt;Que agora posso deitar e sonhar que estou sentada vendo a lua.&lt;br /&gt;Lá da sala. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110238821944401438?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110238821944401438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110238821944401438' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110238821944401438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110238821944401438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/12/pensiero.html' title='Pensiero'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110191688032251121</id><published>2004-12-01T13:58:00.000-02:00</published><updated>2004-12-01T17:57:25.780-02:00</updated><title type='text'>Constatações de nada</title><content type='html'>&lt;span style="color:#666600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Era uma vez um sapato onde floriam rosas carmim, branqueadas pela lua. Não a lua da madrugada e sim a lua enamorada, a eclipsada pelo  sol.&lt;br /&gt;Parnasiana, adoraria escrever assim.&lt;br /&gt;         Como não sou, quero escrever em tons de erva doce e sair à cata.  E na procura descobrir que sou assistente. Assistente por acidente. Acidentalmente apaixonada, e por letras.&lt;br /&gt;         Gosto das palavras. Procuro-as em sentidos que só a mim servem. Herdei pequenas mãos de encontrar notas e pés que adoram massagem. Não, minto. A massagem nos pés não é herança, mas como adoro, não custa fazer com que entrem neste rol de pouco sentido.&lt;br /&gt;         Pensei que meu mundo havia sido defenestrado. Engano meu. Mundos não desabam, apenas mudam de perspectiva por isso agora me considero consultora.&lt;br /&gt;Consultora de vazios.&lt;br /&gt;         Dizem que o destino, o nosso destino, vem escrito nas estrelas.&lt;br /&gt;         Não acreditem.                                                                      &lt;br /&gt;         Isso seria enorme responsabilidade para aquelas que, mortas, nos mostram só luzes ou caminhos cadentes.&lt;br /&gt;         O destino, fado nosso, determina o criativo, e reza que as coisas são acontecíveis nas letras e que o inferno, bem... Oras, o inferno... são também os outros.&lt;br /&gt;         Ventura ou não, escrevendo letras, certas ou trocadas, maquinais ou quase incoerentes, o pacto se faz na urdidura, nos choros, nos desgovernos, nos perdidos e no inconseqüente de amanhã.&lt;br /&gt;         Como dizia Sauci — e eu agora nem lembro mais quem é Sauci...  tudo serve de oportunidade para garantir a vitória. Deve ser por isso que nunca estou entre os vencedores... esqueci quem é o maledeto do sauci-autor.&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110191688032251121?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110191688032251121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110191688032251121' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110191688032251121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110191688032251121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/12/constataes-de-nada.html' title='Constatações de nada'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110134874027154313</id><published>2004-11-25T01:00:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T00:16:32.953-02:00</updated><title type='text'>A medida da fama.</title><content type='html'>Efêmero, alguém disse ou alguém escreveu, são as famosidades.&lt;br /&gt;Como todos, tive direito aos meus quinze minutos de fama. Minha Linda Maria, minha moça que colecionava cinema foi lida e argumentada durante curta &lt;a href="http://www.sescsp.org.br/sesc/convivencia/oficina/frabalaio.htm"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;oficina&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://www.sescsp.org.br/sesc/convivencia/oficina/fraporque.htm"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;João Silvério Trevisan&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; nos Encontros de Interrogação, do &lt;a href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2398"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Itaú Cultural&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A malandragem foi entrar como qualquer dos inscritos – se bem que Joãozinho me dissesse que de vestido e saltos altos (malditos saltos altíssimos) não estaria disfarçada, nem no meio do povo, ao que retruquei dizendo que quando é meu o dia de fama, gosto de estar deslumbrante.&lt;br /&gt;Pouco se importaram comigo, afinal João era a estrela da festa.&lt;br /&gt;João fez exercício, explicou coisas e depois me leu. O difícil, juro, foi não poder rir. A crítica gosto de ouvir e só me maltrata a que confunde criatura com criador, que é claro, fizeram, mas poucos a bem dizer. E ser enfocada em novos lugares, lida em olhos estranhos, bocas que nunca me viram, com prós e contras veementes, fizeram da minha uma boa tarde.&lt;br /&gt;Primeira vez de um texto lido ao vivo e em viva platéia. Não foram unânimes as opiniões. As melhores foram a do moço a meu lado que criticou até o que o texto não tinha. Mas incisivo, firme, até que soube que era eu a dona das letras e rapidamente murmurou desculpas, desculpas, tão rápidas e sentidas que saiu rapidinho da sala. &lt;a href="http://capitu.uol.com.br/C.asp?c=Claudinei%20Vieira"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Claudinei&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, preciso em seu conhecimento, acabou sendo meu rápido entrevistador, para o site &lt;a href="http://capitu.uol.com.br/INICIAL.asp"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Capitu&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, e a veemente Regina, a quem penso contratar como defensora de todas as minhas letras, quase me matou quando perguntei se o texto se sustentava mesmo para quem não goste tanto de cinema.&lt;br /&gt;E surpresas boas, comuns nomes para vocês, mas para mim fãs. Que não são amigos, nem conhecidos e nem colegas. Novos e maravilhosos fãs. Eugênia, Regina e seu marido, a quem fiquei devendo lembrar o nome e um autógrafo, aliás, o primeiro de minha curta vida de famosa escritora de 15 minutos.&lt;br /&gt;E eu que me dei o tempo para ser pouco fiquei num enorme conversê de, tudo e quase nada, vendo pessoas que gosto, leio e nem acreditava conhecer um dia.&lt;br /&gt;E por fim sair.&lt;br /&gt;Retornar à noite, algo escura, azul de alto céu, meio ao movimento das ruas.&lt;br /&gt;Avenida atormentada de carros, gentes e voltas. E, sozinha, atravessar toda fronteira entre os livros e a vida.&lt;br /&gt;Diante, realidade que vivo, e, por fundo, a que aprecio, e este entremeio que não é de solidão mas sim, o estar só. Paredes altas, darkness e vagarosas – como eu a andar com estes malditos saltos – enfrentando minha última fronteira. Tempo de guardar o que me foi bom, tempo de ser famosa e o tempo de me ver e voltar.&lt;br /&gt;E amar o tido e o perdido. Meu tempo de ser &lt;a href="http://capitu.uol.com.br/p.asp?p=23,11,2004,2866"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;escritora&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Administrar este corredor é que me coloca em algum modo de saber.&lt;br /&gt;Maria Odila, aqui uma digressiva maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo o texto está completo no artigo de Claudinei, quando virei &lt;em&gt;escritora&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110134874027154313?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110134874027154313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110134874027154313' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110134874027154313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110134874027154313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/11/medida-da-fama.html' title='A medida da fama.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110088693932653602</id><published>2004-11-19T15:47:00.000-02:00</published><updated>2004-11-19T16:04:14.446-02:00</updated><title type='text'>Maduras Adolescências.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;dedicado a quem bem me sabe&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;São suaves os encantos maduros.&lt;br /&gt;Tão suaves como a paciência infantil e a impetuosidade adolescente. Sendo namorada e, madura, deveria saber seduzir.&lt;br /&gt;E não sei.&lt;br /&gt;Em teus olhos recolho histórias, passagens, marcas sem tempo e empenhos. Guardo nossos antigos outros como passageiros, descansadas memórias. E ainda é por eles que, vampira, vou nutrida de você. Pinço frases e arremesso ao léu, estico palavras em varais, uso dos lápis só os tocos. Novas retóricas.&lt;br /&gt;Tento. Impossível. Não sei fascinar.&lt;br /&gt;Faço inventário para ser gostada.&lt;br /&gt;Sem afinação canto Ave Maria e gosto de óperas fora do chuveiro. Dos gemidos prefiro os libidinosos, gosto em demasia e claudico só para dizer te amo. Tenho o beijo despudorado, boca borrada em vermelho batom. Desfaço roupas quando a ânsia rege a vontade mas sou imprevisível quando tenho fome.&lt;br /&gt;Se chove, faço sauna. Nunca navego quando preciso e colho gerânios na janela.&lt;br /&gt;Se te encontro desordeno os sentimentos, acalanto mocidades.&lt;br /&gt;Mas seduzir é que não sei. Sou impaciente e ansiosa, troco as falas, esqueço e confusiono, desarvorada invento eufemismos, me digo decidida e imediatista.&lt;br /&gt;Despredicados?&lt;br /&gt;Jamais!&lt;br /&gt;À subida, tonalizo nossos inexistentes bemóis, lúdicos, lúbricos, luxuriosos. E se te encontrar, peço a cuca pra dormir, acalantarei dormes e deitarei a rama pelo chão. Batatinha, batatinha...&lt;br /&gt;Advogo intempestiva meu nosso, ainda eu, quase talvez.&lt;br /&gt;E sei que és poeta, das garatujas e dos silêncios não dormidos, dos relentos bordados, das frases vagalume.&lt;br /&gt;Sensato outonar dos orvalhos consentidos e vapores de dois.&lt;br /&gt;Disciplinada, não. E de pouco obedecer. Arrelio tua boca, toco os lábios nas florestas e saracoteio concedendo. Aderente, vou até que canses, exsudado. Libidinosas conjunções.&lt;br /&gt;Feitiços raros, madura a sorte que nos encontrou.&lt;br /&gt;Inconseqüentes todas as escolhas. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110088693932653602?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110088693932653602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110088693932653602' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110088693932653602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110088693932653602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/11/maduras-adolescncias.html' title='Maduras Adolescências.'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110062827784867663</id><published>2004-11-16T15:59:00.000-02:00</published><updated>2004-11-16T16:04:37.846-02:00</updated><title type='text'>No dia...</title><content type='html'>&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Houvesse um interrompedor, seria acionado.&lt;br /&gt;Injusto, certamente.&lt;br /&gt;Não se estanca tempo, não se tange sentimentos impunemente.&lt;br /&gt;O momento mais-que-perfeito conjuga-se e o pouco uso fomenta antigos predicados.&lt;br /&gt;Não! Não quero o de antes.&lt;br /&gt;Pare e me escute. Isso acontece poucas vezes.&lt;br /&gt;Eletivas, as afinidades. Implícita a simplicidade e sulcadas, todas as letras.&lt;br /&gt;Às luzes, todas de janela e por fundo, os quintais.&lt;br /&gt;Não tenha pressa.&lt;br /&gt;Concessões, faça poucas. E as obscenidades, diga-as mansamente.&lt;br /&gt;Se for para ter gosto, que seja mau, que seja próprio. Se for credo, releve Pilatos. Se for falta, ausente-se também. Se perfume, jamais enjooso.  Se fome, que não doa e se doer, alimente-a.&lt;br /&gt;Sumir não suma, apenas não apareça.&lt;br /&gt;Trôpegos, os dedos. As pernas, jamais.&lt;br /&gt;Conte os dias, abertos, se quiser.&lt;br /&gt;Sorrateira, brilhe. Extrapole, afeite-se ao vento.&lt;br /&gt;Ainda é tempo, descoberta.&lt;br /&gt;Rosas, as vermelhas e o lugar, claro.&lt;br /&gt;E se em lamúrias, assemelhem-se novas, como novas.&lt;br /&gt;Sê clara e previdente, ontem foi amanhã.&lt;br /&gt;Pré-sentida, não desdiga os que desamam.&lt;br /&gt;Beligerante, espere e acredite.&lt;br /&gt;Nada a mais, quase ameno, o dia em que festejavam, o tempo dos meus anos.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110062827784867663?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110062827784867663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110062827784867663' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110062827784867663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110062827784867663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/11/no-dia.html' title='No dia...'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110031096407814935</id><published>2004-11-12T23:53:00.000-02:00</published><updated>2004-11-12T23:56:04.080-02:00</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#996633;"&gt;&lt;strong&gt;E me disse adeus, um leve tremular nos dedos.&lt;br /&gt;Os mesmos dedos que a cada beijo, marcavam a pele, apertavam os braços e seguiam pelas costas, dedos que hoje, se iam.&lt;br /&gt;Tremulou no ar, sem sentir, o seu já vou.&lt;br /&gt;Não olhei e nem hesitei. Seria um desastre se chorasse.&lt;br /&gt;Pouco pensei, senti o imediato e apenas vi seu sinal.&lt;br /&gt;E como dedos de meu homem, acenaram.&lt;br /&gt;Meia volta, levantei os meus.&lt;br /&gt;Dedos de aceno, dedos de desejo, que penderam do ar aos lábios, meus ou teus. Passeando a forma do aceno à boca, a sentir cheiro e roçar, roucos dedos, a despedida final.&lt;br /&gt;Somente espanto, um imperplexo adeus.&lt;br /&gt;E os dedos quedaram-se, abruptos, à espera de novas voltas.&lt;br /&gt;E olhou os dedos, olhou a mim e disse — me vou, talvez.&lt;br /&gt;Ocasionais idas... &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110031096407814935?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110031096407814935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110031096407814935' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110031096407814935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110031096407814935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/11/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-110011548249894106</id><published>2004-11-10T17:35:00.000-02:00</published><updated>2004-11-10T17:38:02.496-02:00</updated><title type='text'>Releituras I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Não foi possível não fazer. Abriu-se para a noite e contra todas as proibições, quis o vento em seu peito. E o vento enamorando a visitante noturna, veio.&lt;br /&gt;Se soubesse fumar, fumaria. Aquela luz merecia todas as fumaças. Soubesse chorar, choraria mais. Fez o que de melhor tinha. Tussiu sua dor como se fosse lobo, como se fosse uivo. E o peito cheio cedeu a seus reclamos, doeu a não mais agüentar.&lt;br /&gt;Incensou-se do perfume nauseante e na beirada da cama, desmilingüiu-se.&lt;br /&gt;A corrente refrescada retirou dos ossos o peso. Fechou pálpebras, cruzou as mãos e suspirou. Queria um momento mais afora. Queria saber em quanto tempo o tempo se perde.&lt;br /&gt;E fez, e foi e pré-sentiu.&lt;br /&gt;Amanheceu tísica das vontades. Fechou a janela e retornou ao que nunca tinha sido seu.&lt;br /&gt;Aplaudida, á noite, fez sua melhor Margueritte.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-110011548249894106?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/110011548249894106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=110011548249894106' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110011548249894106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/110011548249894106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/11/releituras-i.html' title='Releituras I'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109975587145913028</id><published>2004-11-06T13:40:00.000-02:00</published><updated>2004-11-06T13:46:55.103-02:00</updated><title type='text'>Por toda a minha vida</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ouvindo Vinícius, Toquinho e Tom&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#cc33cc;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Não existe outra comigo quando, desolada, me desapaixono.&lt;br /&gt;Ausento qualquer eu de mim e o descanso em esquinas.&lt;br /&gt;E sento em alpendres alheios, entristecendo as esperadas magoas. Nada atenho em meu peito. Delego a todos, desesperadamente, meus afazeres.&lt;br /&gt;E porque verto a ausência, atravesso estes rios, que passam em nossas as aldeias e corro. Sem você não posso ser, preciso te ouvir.&lt;br /&gt;E sou eu, a mesma, e tu, distraído, é o tempo passante.&lt;br /&gt;Ultrapassei a idade.&lt;br /&gt;Chegada a saudade, desatino a trabalhar reformas.&lt;br /&gt;Substituir na música, melancólicas notas dobradas, vividas ausências, saltados compassos.&lt;br /&gt;Assimilar letras mortas, questionar detalhes nas respostas e passo a passo, ir descaminhando.&lt;br /&gt;Macaquear como os peixes, rastejar feito coruja e claudicar, de galho em galho, quebrados versos.&lt;br /&gt;Sulcar letras vertidas, travar cheiros, abraçar lágrimas.&lt;br /&gt;Por muitos momentos poderia praticar mudanças, chorar ausências a pedir amparo.&lt;br /&gt;Mas sou eu, eu mesma, que eternamente vivo e espero. E que na espera, tardeço ainda. E o tempo é longo quando se faz ainda...&lt;br /&gt;Só sei que vou te amar, desafinadamente eu vou te amar.&lt;br /&gt;E quando enfim, chegar o dia de te rever, definidos olhos, destinados suspiros, desventura a me perpetrar, estarei ao lado teu, por toda a minha vida.&lt;br /&gt;Vida de alguns, vida de dias, vida de verdades, percorridas.&lt;br /&gt;Vai, minha tristeza vai, porque se todos fossem, seriam iguais a você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109975587145913028?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109975587145913028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109975587145913028' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109975587145913028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109975587145913028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/11/por-toda-minha-vida.html' title='Por toda a minha vida'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109927094798133469</id><published>2004-10-31T22:00:00.000-03:00</published><updated>2004-10-31T22:02:27.983-03:00</updated><title type='text'>Domingos</title><content type='html'>         O ato é obrigacional, a vontade deve reger a escolha e quanto ao resto, pede-se que o domingo siga seu curso.&lt;br /&gt;         Fui votar com as filhas menores.&lt;br /&gt;         No primeiro turno estava tão certa do candidato a vereador que nem me preocupei com o essencial: o cargo de prefeito.&lt;br /&gt;         Ligeiro tumulto eleitoral. Eu, preocupada, vendo a fila crescer, pedi à filha mais velha que corresse descobrir o número dos &lt;em&gt;cândidos&lt;/em&gt;. E foi tal o inusitado da situação que comecei a sorrir... e a rir... não era aquela a hora para ser esquecida, e muito menos a hora de não ter o principal — a &lt;em&gt;“cola”&lt;/em&gt; do número do candidato.&lt;br /&gt;         Segundo turno e com tudo decorado, voltamos ao voto.&lt;br /&gt;         Não pensei que já era famosa.&lt;br /&gt;         Subi os degraus em nova beligerância — quem apertaria a tecla confirma e qual das duas seria a dos números. Deixamos o dilúvio com Noé e peremptória a mãe, eu, rosnou um  — se continuarem voto sozinha. Ameaçadas suficientemente bem, faltadas com todas as liberdades de expressão, acalmaram-se as duas.&lt;br /&gt;         Cheguei, sala vazia, três moços mesários-eleitorais, duas filhas de bico e olhares emburrados, porém quietíssimas, tementes ao medo de perderem seu voto auxiliar, e eu, no meu estupendo modelo mãe-em-quase-verão conjunto de saia e regata, sandálias combinando com a bolsa, feliz e sorridente.&lt;br /&gt;         Entreguei ao mesário em pé o título de eleitor. Ele, olhos arregalados, virou-se para os outros dois e baixinho gritou:&lt;br /&gt;         — Chegou a dona encrenca. O primeiro sentado fez uns quatros nãos com a cabeça e o bem atrás levantou-se um pouco para ver quem era e, tendo confirmado, caiu sentado.&lt;br /&gt;         Acho que no primeiro turno eleitoral fiz leve desordem esquecendo em quem iria votar. Quer dizer, em quem não, o número de quem! Se bem que não cheguei a usar mais de duas vezes os cinco minutos que penso podem até ser usados.&lt;br /&gt;Fui quase rápida.&lt;br /&gt;Não acreditaram  em minha filha quando ela disse que eu tinha esquecido o número dos candidatos à prefeitura. Acharam que era propaganda eleitoral e coisa e tal e ela levou algum tempo convencendo os fiscais que sou razoavelmente confusa. Os homens de lá de fora que seguraram a filha. Eu fiquei parada esperando. Verdade que rindo da minha própria confusão,  segurando as duas que queriam votar logo e suportando os olhares da fila que crescia razoavelmente.&lt;br /&gt;         Senti-me quase chapeuzinha dos cabelos ruivos sendo colidida de frente pelos olhares dos 3 lobo-mesários que maus não eram; três guris, antes dos trinta, suportando bravamente uma mãe de quase 48 e suas duas gurias.&lt;br /&gt;         Porque em toda eleição, de outubro a quase novembro, invariavelmente descobrem que aos trêzimos dias, ficarei mais velha.&lt;br /&gt;         Era bom quando os votos eram manuais e as filas quilométricas. Geralmente grávida, não ficava na fila nem para esquentar lugar e uma vez conferido que eu era eu mesma, descobriam o aniversário, hoje em dia perto e antigamente, alguns poucos dias antes. Saía com pirulito, brindes e bolachas, sempre.&lt;br /&gt;         Mas hoje a casa dos lobos-mesários parecia estar verdadeiramente má. Correndo o risco de crime eleitoral, e para não ser repreendida por uma bronca futura, virei de lado e disse às filhas que hoje estava com a cola na mão. Só dois os candidatos... se esqueço, me sentiria completa desmiolada.&lt;br /&gt;         E para que não restasse dúvida alguma já escolhi quem apertaria os números e quem daria o de acordo. Não falei diretamente ao lobos, mas estes, como bons &lt;em&gt;canis lupus&lt;/em&gt;, escutaram e se aquietaram comigo.&lt;br /&gt;E a mim restava votar, somente.&lt;br /&gt;         E votamos. Sonoramente. Porque depois da escolha e do voto, Lulu me pergunta se pode votar de novo pra ver como era o som da tecla vermelhinha.&lt;br /&gt;         Empurrei rapidinho a filha cabine afora. Mamali, a outra, mais afoita, diz que eu não me preocupasse que ela assina no meu lugar. Pressentindo o perigo, a mãe acode a cria e os lobos levantam as orelhas. Não sendo nenhuma ocorrência grave, a própria mãe assina seu próprio nome e sai, suspirando, do recinto das liberdades democráticas bem exercitadas pela família, no domingo meio ensolarado.&lt;br /&gt;         Livres dos ferozes lobos fomos ao clube fazer o almoço dominical de mãe, filhas, adendo de amigas, e um único moço, o gentil quase futuro genro, atual namorado da filha mais velha.&lt;br /&gt;         ... e que tem aliança de compromisso, reclama e avisa a filha, dona da aliança, e a mãe, obediente, escreve aqui.&lt;br /&gt;         Churrasco chegando e tive uma visão etílica nos vizinhos. A nítida certeza de ver cervejas nas outras mesas. E a necessária explicação &lt;a href="file://ás/"&gt;&lt;/a&gt;às filhas e ao genro que &lt;strong&gt;nós&lt;/strong&gt; não beberíamos hoje porque reza a lei que dia de eleição são proibidas as bebidas alcoólicas e se a lei assim o diz, assim deve ser feito.&lt;br /&gt;         Obrigação feita, lobos dês-açulados, o domingo chama feriados.&lt;br /&gt;Dias de todos, dias de santos, dias de mortos, dias de todos.&lt;br /&gt;Os votantes que descansem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109927094798133469?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109927094798133469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109927094798133469' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109927094798133469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109927094798133469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/domingos.html' title='Domingos'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109893493014996481</id><published>2004-10-28T00:39:00.000-03:00</published><updated>2004-10-28T00:42:10.150-03:00</updated><title type='text'>Penugens </title><content type='html'>       &lt;span style="font-family:lucida grande;color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;  &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;         Sim, uma recordação para que ele, dela, nunca se esquecesse. Mas que fosse pequena e entrasse ali e aqui. E foi assim que Mina cortou um cacho de seus ruivos cabelos.&lt;br /&gt;         Com carinho colou fio a fio na fita roxa,  a mesma que chegara ontem embrulhando as violetas, de cores brancas, claras e avermelhadas.&lt;br /&gt;         Silenciosa, abriu o medalhão e bem no centro, enrodilhou seu amor feito madeixas e fechou selando a sensação de  ser eterna.&lt;br /&gt;         Mina era feliz com seus cachos, seu maior tesouro em terra de cabelos curtos e lisos.&lt;br /&gt;         Alfredo, irritadiço e intempestivo, dias depois, ao ver que caía do medalhão um ruivo cabelo de um só cacho, apanhou do ferro e alisou aquilo que lhe incomodava o olhar.&lt;br /&gt;         Mina, pontada certeira, desfaleceu.&lt;br /&gt;Alfredo continuou alisando todos os fios.&lt;br /&gt;Mina agoniou  sem saber a causa de sua morte.&lt;br /&gt;         Sem cachos deixou de sentir, sem cachos não se encontrava em nada.&lt;br /&gt;         E não se achou.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109893493014996481?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109893493014996481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109893493014996481' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109893493014996481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109893493014996481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/penugens.html' title='Penugens '/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109878503826293668</id><published>2004-10-26T07:02:00.000-03:00</published><updated>2004-10-27T11:43:13.050-03:00</updated><title type='text'>Ninguém Sabe</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#6600cc;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#6600cc;"&gt;&lt;strong&gt;Pensei que sabia quem eu era&lt;br /&gt;Esqueci que sabe de mim, só você.&lt;br /&gt;E o que sabes, não mais sou eu.&lt;br /&gt;E o que sinto, não mais é de você.&lt;br /&gt;Esqueci que lembrando, gravaria em você.&lt;br /&gt;E porque me guardas, esqueço que sou e só sei o que sabias.&lt;br /&gt;Saber não carece, sentir já não sinto. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109878503826293668?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109878503826293668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109878503826293668' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109878503826293668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109878503826293668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/ningum-sabe.html' title='Ninguém Sabe'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109838617286847926</id><published>2004-10-21T16:13:00.000-03:00</published><updated>2004-10-22T17:11:41.686-03:00</updated><title type='text'>Memento </title><content type='html'>Por enquanto, a véspera. E penso por que aguardo. Por depois alguma tardança, espero.&lt;br /&gt;Na certeza de não saber, abdico e fico sem.&lt;br /&gt;Agora, próxima a hora, almejo que chegue instrucionada. Falta de conhecimento específico é improdutiva.&lt;br /&gt;Na verdade adoraria um desfalecimento precoce, insônia ao meio dia. E furto-me à realidade atirando papéis ao chão, fazendo chutes e batendo gritos. Cama e pé machucados. E a ordem, tal e qual. Só eu, desvairada e um pé a manquitolar. Enfim, o trabalho de arrumar minha desordem interna, agora externa.&lt;br /&gt;Do último faniquito herdei uma pneumonia. Sem saber me conter saí debaixo de chuva forte. A chuva não maltrata, mas roupa no corpo, que seca e molha, regada a vinho, que fermenta e esquece, fazem febre ou fazem tosse e amanheço piorada.&lt;br /&gt;Não sei mais administrar dúvidas. E das desconfianças, ou digo ou não, me perco em recusas.&lt;br /&gt;As tensões bem femininas, como &lt;span style="color:#6633ff;"&gt;&lt;strong&gt;T&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;empo &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ara &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;M&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;elhorar, há muito foram resolvidas. Filhos, noras, genros e adolescências quase me fizeram juras: nascer estéril de carinho materno... na próxima encarnação. Se conseguir mais alguma.&lt;br /&gt;Os amigos, sim, quero-os. Mas em horas que não essas, pois fico maleducada, malcuidada e malumorada.&lt;br /&gt;Amantes ou enamorados — Mantenham distância! Lembrem-se que sou brava. Quando? Nem eu sei. Mas devo ser, espero estar, necessito fazer impetuosas rudezas.&lt;br /&gt;Nada me segura nessa irritação, que descobri bem insistida.&lt;br /&gt;Livros, de boa ajuda ou de más letras, desdenho. Os olhos não estão a me permitir leitura alguma.&lt;br /&gt;Somente uma história garantida. Não, não de amores. Alguma de dar certo, de resolver canseiras e vida. Nada de afetos eternos, nem enquanto dure o infinito. Isso desdenho ter.&lt;br /&gt;Um auto clean interno seria maravilhoso. Se pelo menos soubesse o que deveria ser limpo...&lt;br /&gt;Quem sabe um, quem sabe nenhum, quem sabe alívio?&lt;br /&gt;Quem sabe vida de mãe, quem sabe lista de domingos?&lt;br /&gt;Quem sabe as novidades, quem sabe se eu soubesse...&lt;br /&gt;Quem sabe saberia... pensar no que escrever&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109838617286847926?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109838617286847926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109838617286847926' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109838617286847926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109838617286847926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/memento.html' title='Memento '/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109806157095593917</id><published>2004-10-17T22:05:00.000-03:00</published><updated>2004-10-22T17:14:21.083-03:00</updated><title type='text'>Cogito de banalidades</title><content type='html'>Sentar na janela, esperar o céu constelar e, sentir saudades.&lt;br /&gt;Caminhar pelas paredes e não evitar as janelas.&lt;br /&gt;Olhar olhos de passado, assombrado de arestas.&lt;br /&gt;Lastimar sons para ouvir, sons de jamais falar.&lt;br /&gt;Teimar em não saber, quando atinar até que poderia.&lt;br /&gt;Alcançar intolerantes e dispersas ranhetices.&lt;br /&gt;Resguardar ontens que pressentem e aninham &lt;em&gt;soledades&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Deplorar tempo e outras possibilidades, minhas parvoíces.&lt;br /&gt;Naufragar letras que me olham com olhos de desdém.&lt;br /&gt;Possibilitar infinidades cruzadas.&lt;br /&gt;Mandar-me cartas, repletas de sobrescritos.&lt;br /&gt;Penso, enfim, o que queria pensar.&lt;br /&gt;Incompleta constância, se calhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109806157095593917?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109806157095593917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109806157095593917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109806157095593917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109806157095593917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/cogito-de-banalidades.html' title='Cogito de banalidades'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109779615410818588</id><published>2004-10-14T20:16:00.000-03:00</published><updated>2004-10-22T17:18:59.910-03:00</updated><title type='text'>Novas invenções, antigos inventários</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Às vezes estar certa não resolve e para quem é de índole atípica, nada chega a ter gravidade. E, por assim ser, minhas convicções nunca foram lá de muita precisão. Uso e abuso, operariamente, porque sou, &lt;em&gt;piùma al vento,&lt;/em&gt; porque &lt;em&gt;La donna è móbile&lt;/em&gt;, porque &lt;em&gt;Muta d'accento&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;di pensiero...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Verdi que me desculpe, se o quiser.&lt;br /&gt;Encravei-me na sedução das letras. Não porque escreva mas porque geralmente por elas me deixo levar.&lt;br /&gt;Contemplar conversas escritas? Ah, não sei... Não sei ser segunda em plena quarta, não sei ficar sem escrever e também não sei receber elogios. Vergonhosamente, enrubesço.&lt;br /&gt;Perdoar, sei. Aceito inspirações e inspiradores. Fascinada, me deixo seduzir, até quanto a concordância me mete medo.&lt;br /&gt;Preciso lembrar que sou esquecida? Que nervosa, falo demais e quando falante, solto bestices a todos os ventos? E preciso reiterar que não sou brava e sim decidida. E jamais ansiosa, quem sabe um pouco imediatista, bem pouco, bem pouquinho...&lt;br /&gt;Sei rir como ninguém. Atenciosa, adoro minhas filhas. Sensível, amo os amigos. Desligada, troco as memórias, desatenta, confunsiono tudo.&lt;br /&gt;Larguei de tocar piano. Estanquei as percussões e hoje batuco na cozinha. Mas tenho o vezo de jamais viver sem música. Swingada, ando na bossa do jazz.&lt;br /&gt;Sou defeituosa, nas administrações, todas e gerais. Choro quase à toa e no mais...&lt;br /&gt;Diacho... como pude esquecer o que ia escrever? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109779615410818588?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109779615410818588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109779615410818588' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109779615410818588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109779615410818588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/novas-invenes-antigos-inventrios.html' title='Novas invenções, antigos inventários'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109747095140834213</id><published>2004-10-11T01:58:00.000-03:00</published><updated>2004-10-22T17:19:36.856-03:00</updated><title type='text'>Ainda noite</title><content type='html'>Ainda noite cheguei. Cansada. E a fadiga falhou-me na lembrança. Creio ter dormitado esperando o telefone tocar. Sonhei, ou acordei, e sem saber o preciso da hora. te liguei.&lt;br /&gt;A tua voz fez a mim ruídos moucos e eu a você, falas poucas.&lt;br /&gt;Estavas a dormir. Senti teu cansaço. Devia te voltar à cama, mas a minha vontade era tanta que me fiz da outra e fui encantando teu sono até que ele, insone, despertasse.&lt;br /&gt;E tu, em quase.&lt;br /&gt;Persisti e tua voz me roçou os sentidos. Quisera estar a teu lado.&lt;br /&gt;Poucos os sons, para nada adiantam, continuas a dormir ainda que queira me dizer algo. E diz.&lt;br /&gt;— Me liga amanhã?&lt;br /&gt;Vontade não tenho. Quero te ouvir agora E porque sou má pergunto do que te cativa. Letras, palavras e digo que estou me enamorar-me de ti.&lt;br /&gt;E tu replicas licenciosos silêncios.&lt;br /&gt;Libertina, suspiro. Tolerante, resmungas. Escancarada, reitero. Sistemático... roncas.&lt;br /&gt;Ainda amanhã... ligarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109747095140834213?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109747095140834213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109747095140834213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109747095140834213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109747095140834213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/ainda-noite.html' title='Ainda noite'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109729555664658895</id><published>2004-10-09T01:12:00.000-03:00</published><updated>2004-10-22T17:20:07.853-03:00</updated><title type='text'>A Rita levou... </title><content type='html'>Se tem coisa que dificilmente acontece comigo, é ficar sem graça. Sou risonha e moleca, de bem com a vida. Esquecida e confusa são predicados que vivo me dando, claro, para que todos certifiquem-se da doidivanas que sou. Algo como se falando pudesse ser desculpada das minhas eternas cincadas. Que acontecem aos borbotões&lt;br /&gt;No enterro da tia Odetinha, me acreditem, perguntei pela própria. E na missa perguntei à filha onde estava a mãe. Enterrada a uma semana foi a resposta que recebi. E chamei a prima de bocuda.&lt;br /&gt;Óbvio que não me convidam mais para os deliciosos chás das cinco, que nesta família são feitos às 3 da tarde.&lt;br /&gt;Outro dia, aniversário de meu pai, cheguei ao primo-irmão, que não via há mais de três anos,e perguntei da esposa, mas, inadvertidamente, usei o nome da amante. Bem que reparei que a esposa virou as costas.&lt;br /&gt;Oras.. não me contem segredos. Confundo-os todos.&lt;br /&gt;Mesmo assim nunca perdi o rebolado. Nunca até hoje.&lt;br /&gt;Rita, prima e amiga eventual é da ala rica da família. Ela sim, pirada de dar dó, me chamou para fazer shopping. Fui. Gosto de sair com ela.&lt;br /&gt;– Ta apaixonada, prima, tá?&lt;br /&gt;– Eu? Sempre estou. Mas por que pergunta, hein, prima? Nos chamamos de primas porque nossos nomes foram trocados. Ela era para ter o nome da minha avó, Maria e eu o da avó dela, Rita. Mas como nasci um dia antes, herdei este privilégio. Para evitar os chiliques que ela tem quando falam da troca, quando juntas, não mencionamos nossos nomes. Nos tratamos por prima e prima, somente.&lt;br /&gt;– Tá muito quieta, hoje – continuei.&lt;br /&gt;– É? Oras, não sei por que... quem sabe deva ficar apaixonada? Pelo seu queridinho, o que acha? Seriamos eternas rivais.&lt;br /&gt;Ri da besteira e continuamos conversando. Ela guiando e eu sentada, meio de lado, olhando mais para ela que para a rua. Ela é péssima motorista. Adoro guiar olhando para todos os lados. Menos para a frente.&lt;br /&gt;Num sinal, na maior, ela me diz:&lt;br /&gt;– Ô prima, segura aqui pra mim, e soltando as duas mãos do volante, entrou com a primeira e saiu acelerando o carro. Eu, desesperada, fui segurando a direção, mais branca que folha de impressora, enquanto a louca da prima mexia nas costas e depois, braço por dentro da manga da camisa, começou a puxar... o sutiã, primeiro pelo braço direito, uma alça, depois a outra pelo braço esquerdo e finalmente, pelo decote, puxou a peça rendada, radiante de tão vermelha.&lt;br /&gt;– Pronto, prima, pode deixar que agora eu guio.&lt;br /&gt;Eu, sem fala.&lt;br /&gt;– Prima! Como pôde?!? Tirar o sutiã assim, na rua, na frente dos outros? Tá louca?&lt;br /&gt;– Que na frente dos outros que nada, tirei só na sua frente, prima.&lt;br /&gt;– É, mas com a janela aberta, sua doida.&lt;br /&gt;– Ué, claro, com este calorão acha que eu ia andar com a janela fechada? E depois o sutiã tava me irritando.&lt;br /&gt;Falou já melindrada.&lt;br /&gt;Fiquei quieta. A prima tende a ser meio estúpida, histérica, e o que eu não queria era presenciar um daqueles geniais ataques de geniosidade da dona Rita.&lt;br /&gt;No estacionamento, Rita saiu do carro se saracoteando, empurrando a saia pra baixo. Me deixou tão assustada que sai berrando com ela:&lt;br /&gt;– Prima, pára com isso. Vai tirar a saia também?&lt;br /&gt;– Acha que sou louca? Estou tirando uma pedra do meu sapato. Tenha calma, dona Maria, ou a senhora fica velha antes da hora.&lt;br /&gt;E com a sobrancelha arqueada me olhava arrevesada.&lt;br /&gt;Fiquei quase histérica de tão calma. Melhor não provocar a prima.&lt;br /&gt;E fomos. Passeando e fazendo compras. Eu, falando praticamente sozinha de tão agoniada das doidices da prima Rita, e ela andando mansamente, rebolando, como sempre faz. Até que parou na minha frente e ainda de costas para mim deu outra daquelas gingadas. Aquela do estacionamento. Quase rezando, pensei em não ligar, e me repeti muitas vezes — não vou ligar e continuei andando, vendo, mas sem enxergar. Firme, tracei uma reta em pensamento e fui seguindo. Bem atrás da prima.&lt;br /&gt;Mas a prima tinha mesmo parado.&lt;br /&gt;Estarrecida entendi o que estava acontecendo. ELA ESTAVA TIRANDO A CALCINHA. A prima, ela mesma, estava incomodada e ela não agüenta incômodos então... ela se livra deles, sempre.&lt;br /&gt;Mas não ali, no meio do shopping, cheio de gente indo e vindo. Mas ela o fez e como fez. Tirou mesmo a calcinha.&lt;br /&gt;Fiquei parada, bestificada, colada no chão. Colada não, que continuei andando sem perceber, sem pensar e grasnando, ou gaguejando, resmungando até.&lt;br /&gt;– Prima, prima, pelo amor de deus, Rita... Como você... como você...&lt;br /&gt;Branca, eu estava vermelha, rosada, multicor de tão espantada com o que ela estava fazendo, com a ousadia da prima. Aí ela virou-se e disse, cara de espantada e com a mão cobrindo a boca.&lt;br /&gt;– Maria, minha prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei. Aliás, parei bem em cima da calcinha da prima.&lt;br /&gt;– Prima, disse ela sorrindo, tua calcinha acaba de cair no chão!&lt;br /&gt;E o segurança me olhou perguntando. empurrando com o pé se aquele afrontoso vermelho amarfanhado no chão, me olhou perguntando se era meu...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109729555664658895?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109729555664658895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109729555664658895' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109729555664658895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109729555664658895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/rita-levou.html' title='A Rita levou... '/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109703544329444481</id><published>2004-10-06T01:52:00.000-03:00</published><updated>2004-10-22T17:21:38.326-03:00</updated><title type='text'>terça, 5 de outubro</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Não, o trânsito não consegue me impedir. A hora passa e a tarde, estranhamente fria, mostra que a primavera ainda titubeia. Quase depois do tempo e confirmo, desnecessariamente, que chegarei atrasada.&lt;br /&gt;Horas faltam, precisamente quatro, para chegar depois da hora, mas, como hoje me propus a estar atrasada, preciso chegar, desde já, consciente do atraso.&lt;br /&gt;O horário roda, tal qual trânsito, trânsito paulistano. Abre, fecha e nada muda. Parado, quase tudo acontece. Caótico, vai comendo pedaços da hora que como casa velha, se deixa esvair.&lt;br /&gt;Por fora não vou ressabiar, assim penso. Ou acho.&lt;br /&gt;Manifesta-se a cabeça, quase enxaquecosa. Na bolsa um comprimido qualquer que tomo a seco.&lt;br /&gt;Ainda estou adiantada para meu atraso. E os carros movimentam-se. Terei que ir.&lt;br /&gt;Pena saber o endereço. Pena saber o lugar. Pena até saber como chegar no encontro marcado. Se mais me atraso, adiantada terei que ficar.&lt;br /&gt;Não há mais como ter tempo. Meu melhor atraso é não ir.&lt;br /&gt;E temerosa fui, protelada, ao encontro desmarcado.&lt;br /&gt;Não cheguei a chegar.&lt;br /&gt;Estava adiantada.&lt;br /&gt;O dia era o seguinte.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109703544329444481?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109703544329444481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109703544329444481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109703544329444481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109703544329444481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/tera-5-de-outubro.html' title='terça, 5 de outubro'/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109669445313874475</id><published>2004-10-02T02:16:00.000-03:00</published><updated>2004-10-02T16:14:18.073-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez você não exista, talvez. Quem sabe ocasional, quem sabe tênue.&lt;br /&gt;Só espero que me convides a jantar por um casual – Tenho fome! De quem ou de que, descobriremos em conversas.&lt;br /&gt;Talvez pense, talvez não.&lt;br /&gt;Sonhar não garanto. Aviso que sei chegar e sei partir. Faço anarquia de todas as palavras e tenho em mim o sentir das introspecções.&lt;br /&gt;Talvez tenha vida, talvez faça projetos.&lt;br /&gt;Sapecar não carece, encantar não convence. Adoço a voz, se quiseres, mas minha conquista, bem o sabes, é de atiçar o papel e papel afogueado, afogado está.&lt;br /&gt;Talvez o momento, talvez. Quem sabe sedução, quem sabe ousadia.&lt;br /&gt;Rompantes não tenho. Objetiva jamais serei. E no entanto me sei decidida, direta e pouco concreta. Racional até sem sorte, negarei.&lt;br /&gt;Talvez chegue, talvez ande. Menina, moleca, na seda o suave, no olhar um jogo, gingado vestido, simples e seduta.&lt;br /&gt;Confusa digo que sou. Se sou velha,também não sei. Sou de muitas mortes. E quando as fiz, gostei. Rabisco letras, pinto desejos, calculo saber da vida e sei que do nada, nada sei.&lt;br /&gt;Talvez seja artista, talvez, não sei, mera letrista.&lt;br /&gt;Sediciosa, de úmidos beijos, sem juízo, sem ausência.&lt;br /&gt;Quero-te aqui, quero presente&lt;br /&gt;Venha que te garanto não amar, te garanto todo desamor.&lt;br /&gt;Mas se me quiseres, isso importa?&lt;br /&gt;E quando tu chegares... saberei.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109669445313874475?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109669445313874475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109669445313874475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109669445313874475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109669445313874475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/10/talvez-voc-no-exista-talvez.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109626018790579120</id><published>2004-09-27T01:39:00.000-03:00</published><updated>2004-09-27T01:43:07.906-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Opus terceiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu relógio, quase três e ainda madrugada. Nos olhos, as horas que não passam e na escrita uma travada vontade de chegar às letras sublimes.&lt;br /&gt;E penso que de todos os modos estamos ligados, para sempre. Não o eterno de perpetuamente mas o sempre encantado.&lt;br /&gt;Estava para te contar das músicas de janela... pautam-se em novas notas nas horas em que me staccato com letras tuas.&lt;br /&gt;Queria houvesse uma canção dos teus olhos a meus sentidos. Queria fosse essa a música dos momentos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Can you image&lt;br /&gt;how much I love you&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A cada raciocínio, sinto o que não vejo. E por outras imagens, sonho tuas linhas.&lt;br /&gt;Projeto a você uma vontade substantiva e três desejos: que me ligue, que se ligue, que desligue. Sou dos contraditos em diferentes acordados. Digo, desdizendo. E quero mais... e quero à vontade. Zélo regalos tentando escrever e em suas amostras, alojo segredos.&lt;br /&gt;Mais que um querer, tenho na escolha, o criar. E como números não são iguais, o sapato teu fica pequeno no meu e a musa, que desnuda letras e sentimentos, hoje não quis me visitar.&lt;br /&gt;A razão, incompatível na fé, admoesta que homens funcionam amanhã e mulheres, do antes farão um já. Aleatórios, meus sentimentos navegam. A eles o relativo destrato.&lt;br /&gt;Se juntos pudéssemos, conspiraria o incontentado e ociosa, o destino. Tivesse dons, escreveria. Soubesse de coisas, daria de te gostar. Mas o que sei eu de tudo e de fato? Pouco, quase nada.&lt;br /&gt;Então, este pouco que sei e sou, se contenta em dizer que estamos ligados.&lt;br /&gt;No tempo do encantado.&lt;br /&gt;No encantar indefinido.&lt;br /&gt;No indefinir do fogo.&lt;br /&gt;E no fascínio do tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109626018790579120?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109626018790579120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109626018790579120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109626018790579120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109626018790579120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/09/opus-terceiro-no-meu-relgio-quase-trs.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109586213196121540</id><published>2004-09-22T11:08:00.000-03:00</published><updated>2004-09-22T11:08:51.960-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Desculpas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Paulo, meu querido, Paulo escolhido amigo.&lt;br /&gt;         Tenho recados, tenho ditos.&lt;br /&gt;         Às vezes vontade de estar apaixonada, outras de chorar. Às vezes penso em escrever então sento e venho ver coisas.&lt;br /&gt;         Coisas como senso e amizade que aparecem em beijos de tristeza. Coisas de ter nascido para ser Sherazade de desejos e saber que me falta achar sultão que assim me queria.&lt;br /&gt;         Por isso tenho vontade de te contar das perdas que fiz.&lt;br /&gt;Seja minha casa.&lt;br /&gt;Sinto ter deixado na casa os sapatos que não calcei, as calças que servem ainda, os abraços de camisas e as bolsas que me levam de lugar poucos a lugar algum.&lt;br /&gt;Os livros, trouxe. Não todos, alguns. E esses, específicos, carrego na ponta dos dedos, são os de fazer e  escrever.&lt;br /&gt;Me desculpe não ter levado as coxas de fazer amor, as pernas de enroscar em outras e os seios do sentir. Meu corpo não deveria nunca ser a carcaça de meus amores. Me ouça e releve. Abandono cores e pertences, lápis, canetas, bordados e agulhas. Estava precisando de novos ares, nova vida. Deixo com você os de sempre e os para sempre.&lt;br /&gt;Meu amigo me escute que quero colo. Mas colo de amigo é colo de pele e preciso agora viver, de muda e altercações, preciso colo de fazer ressentimentos.&lt;br /&gt;Não vou conciliar esquecidos, ficados e desatentamente escapados. Minhas portas são cabalas, fazem do qualquer meu destino de ser quase todos.&lt;br /&gt;Desculpar não carecia, mas peço e reitero. A vida que deixo, esqueço-a para você e a que farei, de agora em diante, tenha certeza, outro dia também mudarei.&lt;br /&gt;Meu amigo e confidente, ajoelhe súplicas matutinas em todas as suas missas Ore por mim, murmúrio de poucos quereres e no mais, interprete meus crimes, crie um mea culpa caridoso e por penitência atribua-me distúrbios desmedidos e perdidos.&lt;br /&gt;Não me peça coerência, não deixe que me acometam os remorsos.&lt;br /&gt;Quem semeia quer comprar e quem desdenha vem vender.&lt;br /&gt;         Muitos os meus quems, frágeis as vontades.&lt;br /&gt;         Tão fáceis os ditados, tão complicada a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109586213196121540?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109586213196121540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109586213196121540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109586213196121540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109586213196121540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/09/desculpas-paulo-meu-querido-paulo.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109548225894266749</id><published>2004-09-18T01:34:00.000-03:00</published><updated>2004-09-18T01:37:38.943-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Presente das minhas gurias mais novas, quando tinham seis e sete anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escolha não foi minha mas o pai resolveu que seria cremado. No dia baita dúvida, mas os filhos mais velhos decidiram fazer a vontade do pai e foi feita a cremação. Outra vez agoniada. Como explicar a duas meninas pequenas que o pai foi cremado? Fiquei receosa. Didática, aluguei um filme onde Kirk Douglas, um avô de muitos netos, está morrendo e pede aos netos um funeral viking. É um doloroso e lindo filme. As crianças, fazendo a última vontade, seqüestram o cadáver do avó e o levam à praia e em águas rasas o barco queima.&lt;br /&gt;As meninas viram e não falaram nada. Fiquei quieta também.&lt;br /&gt;Dia marcado e fomos pegar as cinzas do pai.&lt;br /&gt;Urna pequena, de bronze. Bonita aos olhos e ainda vem dentro de uma lúgubre caixa de madeira pintada de preto. Pago, pego e já vou dizendo — Olha aqui, todos vão carregar o papai no colo então não quero brigas, nem berros e nem tapas. Mãe é sempre mandona, estou de pleno acordo. Mas bastava a tristeza. Queria silêncio no carro também.&lt;br /&gt;As pequenas, Mamali e Lulu, sentam uma ao lado da outra. No começo carregam a urna metade num colo, metade no outro. Mamali me pergunta:&lt;br /&gt;— Mãe, o papai ta todo aqui?&lt;br /&gt;— Mas é claro que sim, minha filha.&lt;br /&gt;— Como você sabe, mãe?&lt;br /&gt;—É a dignidade e o respeito com que tratam os mortos querida. Jamais tentariam trapacear a gente.&lt;br /&gt;— Ahhhh... sei.&lt;br /&gt;Silencio.&lt;br /&gt;Pelo retrovisor vejo as duas se olhando e digo:&lt;br /&gt;— Mamali, coloca o papai no colo da Lulu.&lt;br /&gt;As duas cochicham novamente.&lt;br /&gt;— Mãe, ô mãe...&lt;br /&gt;— Que é Lulu.&lt;br /&gt;— Papai tá todinho aqui mesmo?&lt;br /&gt;— Tá sim, filha&lt;br /&gt;— Então cresci Mamali... Mamá olha pra mim.... Viu como to tamanhuda? Tô carregando o papai no colo e eu nem caubia mais no colo dele.&lt;br /&gt;— Cabia Lu.&lt;br /&gt;— Você também, mã? Não caubia mais no colo dele? Mas você é tão grande...&lt;br /&gt;Sorri chorando. Minhas filhinhas... sempre inventando histórias mas que tranquilamente aceitam o pai encaixado como disse a pequena Lulu.&lt;br /&gt;Qualquer outro dia eu chorando muito.&lt;br /&gt;Minha Lulu, a filha mais nova, vem conversar comigo. Senta-se no meu colo, coloca a mão em meu ombro e diz:&lt;br /&gt;—   Mãe, não chora. Mas se você quer continuar de choro qué me falá por que tá chorando?&lt;br /&gt;— Ah minha filha... e novo desabar de choro materno. Na verdade a mim doía demais ver que minhas filhas cresceriam sem pai. Era pensar e chorar.&lt;br /&gt;— Mãe, cê ta chorando por causa do papai? Por que ele morreu? Faz como eu, mã.&lt;br /&gt;— Parar de chorar, Lulu? Não consigo.&lt;br /&gt;— Não mãe, faz assim, faz de conta que ele ta só durmindo.&lt;br /&gt;E mãe que é mãe, tonta como sou, vou restabelecer a verdade histórica.&lt;br /&gt;— Lu, meu benzinho, papai não está dormindo. Papai morreu.&lt;br /&gt;— Eu sei que ele morreu mãe, mas agora que você não ta agüentando ele morrido faz como eu. Finge que ele tá durmindo e daí quando você conseguí vévi (viver) vida, você morre ele de novo tendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109548225894266749?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109548225894266749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109548225894266749' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109548225894266749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109548225894266749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/09/presente-das-minhas-gurias-mais-novas.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109496560760304010</id><published>2004-09-12T01:56:00.000-03:00</published><updated>2004-09-12T02:06:47.603-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Filosofando, mesmo sem querer, sobre Prozacs literários&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“O trabalho é, pela sua natureza, uma solução bíblica. Desenvolve-se em lugares indecentemente feios, onde uma pessoa deve passar muito tempo, gastando muita energia, com rituais inúteis... Será que a mitologia do horário, do controle e da hierarquia é realmente produtiva?” Domenico de Masi, em O Estado de São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Sabem...Não sou dada a filosofias,  e coisas afins. Há mais ou menos, 3 anos, movida do mais puro fastio e irritação, decretei para mim não mais ver TV comercial. Juntei a esse meu decreto particular a não leitura de jornais, quais fossem, revistas semanais e jamais política.&lt;br /&gt;         Já sei, já sei. De burra e ignorante, para cima ou para baixo, devo estar sendo chamada. Tanto faz. Parei de ler algumas e ver aquel’outras, as outras coisas.&lt;br /&gt;         Sobrevivi e até vivi.&lt;br /&gt;         Neste meio tempo tive ganhos e perdas e pratiquei várias voltas. À minha escrita, à música e ao canto, que tinha sepultado por uns 20 anos.&lt;br /&gt;         Não fiquei desatualizada por um motivo muito simples. Tenho amigos e estes, agoniados até hoje com essa minha decisão, colocam-me a par de todas as novidades, quer eu queira, quer não. Mas o que me deixa completamente espantada é que andam comentando que o pseudo-governo atacou novamente, fazendo propaganda sub-liminar explícita. Em algum lugar sobre alguma coisa.&lt;br /&gt;         Coisas de ano de eleição. Coisas de todas as eleições.&lt;br /&gt;         Seria totalmente contra meus novos princípios dizer quem seria este ou aquele. Estaria  propagandeando para eles e isso jamais farei.&lt;br /&gt;         Sou coerente na minha incoerência.&lt;br /&gt;         Vivi, estes últimos tempos, com a pecha de analfabeta política, desatualizada da vida e a suprema... vagabunda porque só sei escrever. Estranho que quem assim me disse... também escreve!&lt;br /&gt;         Tenho pouco trabalho. Crio as filhas, escrevo, faço patchwork, bordados, pinturas em madeira. Nada de produtivo, oficialmente falando. E sou preguiçosa.&lt;br /&gt;         Vivo bem assim, nesse meu não fazer nenhum trabalho que seja marxistamente reconhecido como produtivo.&lt;br /&gt;         Ah sim, em tempo. Recuso-me a ser chamada de rainha do lar – sou muito à vontade para ser considerada uma rainha e também não aceito “dona de casa” - ODEIO arrumar a casa. Gosto de mexer em livros, cozinhar — para os amigos e pessoas queridas do coração —  e devo gostar de outras poucas coisas que agora não lembro. Cotidianamente falando, não sou dona-de-casa nem a pau, nem viva e muito menos morta.&lt;br /&gt;         Trabalho em casa. Me preparei para isso. Minhas meninas vão para a escola de perua, as menores e a pé a mais velha. Faço compras via telefone e micro. Tenho uma empregada especial que faz seu horário, mas em contrapartida, quando estou perdida em meus textos, olha e cuida das gurias e de mim. Nunca sei como, mas sempre tenho laranjas descascadas a meu lado, fatias de abacaxi com raspas de limão em meio a livros, muitas canetas e mais outros mil papéis perdidos na cama e na mesa.&lt;br /&gt;         Quando temos carne, a minha já aparece no prato cortada, salada temperada e suco gelado. Ela não é perfeita, ainda bem, mas aprendeu a trabalhar com quem escreve, três filhas, cã, gata e sogra. Enfim, uma casa de luluzinhas.&lt;br /&gt;         Não vivo escrevendo o dia todo. Nem poderia. Leio muito e sempre da minha cama com muitos travesseiros e alguns ventiladores. Minha cama é meu escritório. Por aqui, quando estou escrevendo – e não trabalhando – tenho os dicionários, os livros de gramáticas, os de consulta, os livros de descansar e os de dar idéias.&lt;br /&gt;         Saio com as filhas. Não fico enfurnada em casa. Temos nossos horários. Adoramos sair na  madrugadas. São filhas tão notívagas quanto a mãe, madrugadas de chocolate-quente às duas da matina ou sanduba das 3 e sopa das 4. Não todo dia, mas em alguns dias chegamos no mercado central com as carnes e os temperos, amanhecendo o sono.&lt;br /&gt;         Sou o que há de preguiçosa no quesito arrumadeira, sempre fui,  nunca neguei.&lt;br /&gt;         Fácil constatar. Até hoje não preparei minha biografia, para lugar nenhum.&lt;br /&gt;         Preguiça... dá trabalho...&lt;br /&gt;         Coerência, tenho coerências...&lt;br /&gt;         Voltando  — Fui criada com meu anarquista avô italiano lendo e relendo Lafargue, &lt;em&gt;O direito ao Ócio&lt;/em&gt;, que não entendia, mas ouvia, para ficar perto do avó e escutar  aquele sotaque italo-abrasileirado.&lt;br /&gt;         Estava na FNAC e li:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O homem que trabalha perde tempo precioso."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;         Parei... nem pensei, comprei. Este homem não é um filósofo, é um gênio. Cheguei em casa e fiquei cheirando, sugando o Ócio Criativo, Domenico de Masi.&lt;br /&gt;         Não sou filósofa, já disse antes e tenho certeza que a minha opinião é mais que tendenciosa, mas vejam... ele não atende mais telefones. Deixa todos na secretária eletrônica. Atende os que interessarem somente. Vezes têm que apaga mensagens sem nem ouvi-las. É completamente a favor do trabalho feito em casa. Não é bem assim como falo, mas quase.&lt;br /&gt;         E, pasmem... NÃO LÊ JORNAIS. Ouve as notícias. Jamais as lê  — perda de tempo — Eu, nem isso.&lt;br /&gt;         E na TV, só assiste filmes. Eu também.&lt;br /&gt;         Dorme todos os dias um pouco depois do almoço e outras coisas que só lendo você descobrirá.&lt;br /&gt;         Outro dia, procurando outro dele, O Futuro do Trabalho, encontrei o que deve ser um protótipo do professor neo-pós-tudo. Meio hippie, meio intelectualizado, meio bonitão, meio de meia-idade (um pouco mais que meus 47 anos), que me viu olhando o livro e perguntou:&lt;br /&gt;         — Você lê? E eu, respondona contumaz disse  —  não, uso só como segurador de porta. Ele, que nem me ouvia, como todos estes tipos professorais, continuou —  Porque você precisa saber... Domenico de Masi não dá certo. Lafargue menos ainda.&lt;br /&gt;         Não respondi, não precisava justificar nada a ele e nem aos que falam deste meu modo de vida.  Comigo deu certo.&lt;br /&gt;         Mas é verdade, leio filosofia aos pulos, cato aqui e ali o que quero ler e nem me preocupo com as conclusões. Do filósofo ou minhas. Simplesmente leio... e depois vou pensar.&lt;br /&gt;         É a preguiça. Lembram?&lt;br /&gt;         E as filhas, bem, estas me deram Mais Platão, menos Prozac,a filosofia aplicada ao cotidiano, que  leio, quando encontro.&lt;br /&gt;         As outras, as coisas que gosto, faço com sempre: quando quero.&lt;br /&gt;         Leiam Lafargue, que ainda considero difícil. De Masi, que sei de orelhada e quem sabe até este Prozac literário valha a pena. Todos servem para alguma coisa.&lt;br /&gt;         Até para que eu ficasse a escrever de madrugada, besteiras.&lt;br /&gt;         Beijos. de quem acha que o mais importante é estar apaixonada pela filhas, pela vida, pelas letras e sonhando com novos amores.&lt;br /&gt;         E que uma  das coisas mais deliciosas da vida é ser feliz escrevendo... até sobre o que não entendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109496560760304010?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109496560760304010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109496560760304010' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109496560760304010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109496560760304010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/09/filosofando-mesmo-sem-querer-sobre.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109459476936560717</id><published>2004-09-07T19:04:00.000-03:00</published><updated>2004-09-07T19:06:09.366-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;         Do lado de dentro vejo a árvore,  vermelho outonal a sombrear os claros que já lhe foram parte. Em alguns momentos o sol chega até ali.&lt;br /&gt;         Inda agora o vento levantou a manta verde-mar. Estivesse perto e teria visto a criança. Deve estar adormecida.&lt;br /&gt;         A mãe, passos ainda pesados das últimas horas, atravessa a rua amparada por todas as mães, as recém paridas. Desce a escada de cinco degraus como se fossem cinco as vidas da pequena trouxa esverdeada que tem nos braços.  Não olha para trás. Não me vê sentada dentro do hospital.&lt;br /&gt;         Parecendo cansada, recosta os ombros na cabine dos manobristas. Respira, inspira os sonhos, não aceita ajuda e segue sua nova realidade.&lt;br /&gt;         Novamente o vento. O pequeno embrulho quase aparece, mas desce a coberta tal qual  reverência. Enternece o semblante, dá mais três passos e chega ao banco.&lt;br /&gt;         Olha a árvore pedindo a ela que seja sua protetora, mãe e sombra. Que aconselhe sua criança e seu peito. A árvore ela e os leites. A luz vai direto na trouxinha e o colorido esmaece envelhecido pela tarde. Outra vez o vento espia a criança e eu, lado de cá dos vidros, imagino...&lt;br /&gt;         Precisa a moça-mãe retira a manta do chão e sacode a terra e os mantos de luz. Com carinho recobre sua encomenda.&lt;br /&gt;         Deita no banco e sai.&lt;br /&gt;         Sozinha.&lt;br /&gt;         Ninguém se deu conta do abandono, ninguém cuidou da moça, ninguém foi atrás.&lt;br /&gt;         Nem eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109459476936560717?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109459476936560717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109459476936560717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109459476936560717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109459476936560717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/09/do-lado-de-dentro-vejo-rvore-vermelho.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109414223882287558</id><published>2004-09-02T13:06:00.000-03:00</published><updated>2004-09-02T13:24:50.026-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>          Tenho tanto apreço por este texto, sou de tantas transições... que resolvi dar, a mim e a vocês, essa nova re-leitura. De tansições, de dores e quem sabe, de novos amores.&lt;br /&gt;           Que toods fiquem com meus beijos e carinhos.&lt;br /&gt;               maria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Transitiva.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro, pelos ocidentes de cá, versa com água, ainda que sem rimas.&lt;br /&gt;Infestação de chuvas, anoiteceres rápidos em dias ensolarados, trovões acordantes fazem assim o tempo verão. Do solstício ao equinócio.&lt;br /&gt;Com toda essa água, no norte é a estação das secas.&lt;br /&gt;Sinto que o meu verão é meio nortista. Por mais que a água queira me lembrar de amores, calmos e sem remorsos, é esta a mesma água que me deixa ir. Nem abstrato, nem desesperançado, meu amor, em estado latente de apavoramento, supera até as águas de março e reserva-se.&lt;br /&gt;Não há quem não tenha ouvido falar do amar. Mas há quem não ame.&lt;br /&gt;Sou dos leves gostares que de tão leves fazem ficar. Ficam em ventos. Alíseos, pacientes, evaporam-se no inverno. É a pressão do contato.&lt;br /&gt;Nem tão serena, anseio por um outono onde quem sabe, amores terríveis aconteçam, incompatíveis com meus verões e primaveras. E é então que lembro a ordem das matérias. Primavera, verão, outono, inverno. E descubro a inconciliável causa de ser o meu um coração espartano. Que perde batalhas, não ganha guerras e segue, teimoso, passos à frente.&lt;br /&gt;Há uma concordância explícita — o prazer é controverso. E por não saber amar ofereço-me para cultuar as infelicidades da caça. Os prazeres.&lt;br /&gt;E quando em inverno, floreio primaveras, pintadas de escaldantes veranicos, que ao chegar do outono, repousam vivas, em estrondosos amarelos, esperançosos de vermelho.&lt;br /&gt;É do rubro que se pretende o amor.&lt;br /&gt;E por deixar passar, sigo a ordem das coisas. Procissão de reza, estação de madalena. Implorar a nada leva. Verão, outono, inverno, quem sabe um dia pule a primavera e desponte amante.&lt;br /&gt;Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109414223882287558?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109414223882287558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109414223882287558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109414223882287558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109414223882287558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/09/tenho-tanto-apreo-por-este-texto-sou.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109383366607444738</id><published>2004-08-29T23:39:00.000-03:00</published><updated>2004-08-29T23:41:06.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;          Um dia encontrarei. Ou serei encontrada, quem sabe?&lt;br /&gt;          E quando assim acontecer, o toque será entre as mãos.&lt;br /&gt;          Olhos, os teus nos meus, irão esmigalhar a época da espera.&lt;br /&gt;          Talvez aproxime meu corpo do teu, talvez. Contudo os mistérios... ah os mistérios... rezarei para que sejam descobertos, pouco a pouco.&lt;br /&gt;          Por fim, quando chegar este dia, eu, Penélope à espera, das contas tecerei dias, do tempo criarei panos e às mágoas atirarei ventos.&lt;br /&gt;           Contudo, se me acolheres, se me intencionares, ao vosso reino deitar-me-ei, olhar, tez, alma e corpo.&lt;br /&gt;           Se me quiseres &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109383366607444738?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109383366607444738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109383366607444738' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109383366607444738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109383366607444738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/08/um-dia-encontrarei.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109358981949567366</id><published>2004-08-27T03:52:00.000-03:00</published><updated>2004-08-27T04:01:10.010-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Gosto de escrever e saber que vocês me lêm. Me deu enorme força nestes dias de estar triste, muito triste. Fez pensar também em minha avó que não me deixou ser Maria Madalena... o peso do nome, ela dizia, ninguém merece carregar. Então fiz uma coisinha pouca, para lembrar de vocês, para sentir saudades da avó e para dizer que ando melhorada. Não se acende vela a defuntos ruins...&lt;br /&gt;Escrevam, apareçam. É bom saber que todos andam por aqui.&lt;br /&gt;a vocês, sempre, meus beijos mais doces.&lt;br /&gt;E seguem letras feitas para a avó Madalena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro nome foi um: — Ah! uma menina... quem sabe o próximo? Desconsolo deixado no berço, forçou-me entrar na vida. Tempo não leva em conta desejos paterno-maternais.&lt;br /&gt;Meu primeiro segundo nome foi o da avó. Forte, instigante, diferente diria. E pela herança, encrenqueiro. O nome? Determinação em ser determinada.&lt;br /&gt;O primeiro primeiro nome é mais que bíblico. Da avó Madalena, dadivosa, múltipla em amores fáceis, jamais arrependida, herdei esse predicado – o de ser maria, com esse guardado madalena. A carga do nome, dizia a avó, levo eu, mas carregue consigo ser sempre neta de madalena.&lt;br /&gt;O som primeiro não foi choro como é o geral das crianças. Um silêncio apenas.&lt;br /&gt;E sem vagidos e nomes importantes, e porque minha madrinha não rezou em meu batizado, criei-me na vida maria somente, maria que mente.&lt;br /&gt;Porque madalenas são, bolinhos, penas e falhas. Madalena é a avó e de lamentosa Maria Madalena, a avó jamais me deixaria ser.&lt;br /&gt;Por isso sou Maria, por isso dou nome às coisas.&lt;br /&gt;Na verdade... madalenas são... arrependidas marias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109358981949567366?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109358981949567366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109358981949567366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109358981949567366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109358981949567366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/08/gosto-de-escrever-e-saber-que-vocs-me.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109331949366219313</id><published>2004-08-24T00:50:00.000-03:00</published><updated>2004-08-24T00:51:33.663-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por vezes quero-te. E não sou nem sua, nem dona do meu desejo.&lt;br /&gt;         Só sei que quando me negas não me fortaleço, meu desejo não agrava e nem raiva de ti consigo ter.&lt;br /&gt;         Minto, ah... Minto, como sou mentirosa. Minto na querência e na urgência em ser tua.&lt;br /&gt;         Urgência que o tempo não cura.&lt;br /&gt;         Às vezes penso em querer-te e o corpo me entende, mas o coração não. E não deixo de sentir.&lt;br /&gt;         Então o choro acontece, a dengos e bicos. Me  faço, tento e quero ser tua. Não gostas, não gostas...&lt;br /&gt;         Disse você em algum tempo, alguma hora: — Um dia faremos sexo. Sexo não quero. Meu desejo, se não sabes, é só você e de você, só o amar almejo.&lt;br /&gt;         Não sei trabalhar isso, não entendo um amor que não se consuma. Não entendo de amores que não estejam presentes.&lt;br /&gt;         Porque não tens como negar... sei que me amas.&lt;br /&gt;         Ao meu muxoxo primeiro, cantas, vens cantando. Música que gosto, músicas que me aconteçam, músicas de provocar risos, músicas de sair à dança. No quarto, no corredor, na sala da vida. Danças, até fazer minha, a alegria nossa. E aos cantos me decanta, envolve-me em histórias.&lt;br /&gt;         Sei que me amas nas proximidades, pelos meus sentidos, no tempo de não me deixar ao léu. Mas teimo, quero sempre. Quero mais, bem mais.&lt;br /&gt;         E meu medo só ouve teus ralhos, vê sua boca torcida e as falas de deixe... deixe disso...&lt;br /&gt;         E agora os olhos estão secos. Morro de medo e te perco, como se a cada choro meu um passo a menos fosse dado. E digo... Teu riso, sonoro,  me diz que ter medo é meio caminho a não mais ser.&lt;br /&gt;         E se a perda me acontece, mais choro, mais medo tenho, pranto condicional de minha vontade.&lt;br /&gt;         Mas a vida, que cobra e é má, não diz, faz.&lt;br /&gt;         Saiu. Te saí porque eu, bem ou mal, assim o quis, assim fiz. O que não me tira a dor, o que não me mata a vontade e o que não me para o choro.&lt;br /&gt;         Receio querer-te e enlouquecer. Não como uma depressão, nem como um mal, malefício de sim... e sim, um enlouquecer d´alma.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109331949366219313?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109331949366219313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109331949366219313' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109331949366219313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109331949366219313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/08/por-vezes-quero-te.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109287959176479957</id><published>2004-08-18T22:17:00.000-03:00</published><updated>2004-08-18T22:40:45.500-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tenho um costume, que ainda não se habituou a ser hábito. Levemente arraigado me leva, nas manhãs ainda frias, a andar em ruas menos movimentadas.&lt;br /&gt;Invariavelmente acabo em praças, que no contra lusco-fusco anoitecem meu dia ainda não clareado. Por isso que gosto deste arborizado, algumas vezes seco de árvores, um repletor de sentimentos. São sempre os contrafortes de todas as minhas esperanças, em cada preciso dia.&lt;br /&gt;E então, quando me sinto cata vento para irrealidades, sento e espero que a minha praça se desfaça da noite. E na espera fico a esbulhar vontades e penseiros.&lt;br /&gt;As mudanças, que sejam lentas, para que fiquem, tal qual uma aragem, uma aragem atemporal&lt;br /&gt;A casa, dela sairá minha morada, se achar onde é a minha.&lt;br /&gt;Da vida nada levarei, deixar-me-ei esquecida, em canto qualquer.&lt;br /&gt;Dos enamoramentos quero distância. Minha cota é de sobreposse ao tempo.&lt;br /&gt;As letras sempre me acolhem, o que é um privilégio.&lt;br /&gt;A irrealidade estaciona, encarapitada, em meus olhos.&lt;br /&gt;E no tempo... sim, para entrar a tempo é preciso dele sair. Resta saber que direção ir e que argumentos levar nesta viagem.&lt;br /&gt;Vento de ventar ares, aspectuais, vislumbrantes, &lt;em&gt;aires airosos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Penseiros, penseiros... bom de ares, &lt;em&gt;buenos aires&lt;/em&gt;, bons os tempos, que mudando, se tornem eternos.&lt;br /&gt;maria&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109287959176479957?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109287959176479957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109287959176479957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109287959176479957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109287959176479957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/08/tenho-um-costume-que-ainda-no-se.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109259509302054288</id><published>2004-08-15T15:33:00.000-03:00</published><updated>2004-08-15T15:38:13.020-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Você sabe... Não, você não sabe, mas ando me amargurando em letras que nem são minhas e que jamais foram escritas para mim.&lt;br /&gt;Coisas novas. Cartas novas.&lt;br /&gt;Vou largar de assim ser.&lt;br /&gt;Ler o que é meu, gostar de quem gosto e saber que quem comigo está, está porque quer.&lt;br /&gt;Assim sei, assim aprendi, assim sempre soube.&lt;br /&gt;E as letras... Que o vento as leve afinal... Não eram para mim...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109259509302054288?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109259509302054288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109259509302054288' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109259509302054288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109259509302054288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/08/voc-sabe.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109205748948086762</id><published>2004-08-09T10:14:00.000-03:00</published><updated>2004-08-09T10:18:09.480-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>  &lt;br /&gt;          A descrença perfuma-se no tempo como fumaça de pouca monta — prelúdio de grandes incêndios, início de novos desalentos.&lt;br /&gt;          E como o tempo, que entra e sai de qualquer lugar, se maquia de combustão e de desespero para encadear na desconfiança.&lt;br /&gt;          O amor em si mesmo não se basta, jamais! Amor que é amor a ser prezado vem a dois, parelho e sonante.&lt;br /&gt;          Em um as coisas podem até ficar, jamais acontecer. Não se ama impunemente, nem se é desestimado sem dor.&lt;br /&gt;          A benquerença se deixa desavisar. Os cuidados se fazem vagos e a estima defenestra-se por qualquer oco que lhe pareça nefasto.&lt;br /&gt;          As situações de perda agudizam-se e o aturdimento cobra, a toda hora, o conhecimento de onde foi? Mudou? Por que?&lt;br /&gt;          O não saber descaminha, desassossega sonos noturnos, desperta asfixiantes destratos, desafia auroras tardias.&lt;br /&gt;          A saudade vale uma vida inteira, mas a dor de amor dura um só ano porque temos que sofrer as estações e amar os invernos, descartar os verões, sentir todos os outonos e desflorir em nenhuma primavera.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109205748948086762?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109205748948086762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109205748948086762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109205748948086762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109205748948086762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/08/descrena-perfuma-se-no-tempo-como.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109137734059413707</id><published>2004-08-01T13:21:00.000-03:00</published><updated>2004-08-01T13:22:20.593-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>         Quando o som deixa de ser e o motivo é de céu feito retalhos ou de sol costurado aos poucos, é esta a hora onde aporta em mim o obscuro dos desejos teus.&lt;br /&gt;         Quando o tempo é roubado e as rimas são interiores, sei que é chegas e que esse é o presente.&lt;br /&gt;         Quando as lembranças correm ao senso, e a crítica foge da memória, sou eu lamuriosa saindo do teu desvelo.&lt;br /&gt;         Quando me acordas, os dedos nas costas, mãos em mim espalmadas, pernas a me sentir, meus vagidos pretensam insonoros sons. Cria-se entre nós tensão eletro-estática, reivindicação bilateral.&lt;br /&gt;         Espanhola, te acolho.&lt;br /&gt;         Oral, te chamo.&lt;br /&gt;         E vens, impetuoso, manso e firme, vens. Recostada, peito desnudo, afronto e ofereço minha frente que te acolhe e tu meu homem, jamais perdido, semi-deitado, em mim tomba teu estado.&lt;br /&gt;         É visível meu temor,  perigoso como tu te espalha em tudo o que há de mim. Gosto de ser temerária.  &lt;br /&gt;         Não me privo, uso da fala e digo: tens dona, nesta hora tens dona.&lt;br /&gt;         E por ser eu a dona repito mantra, meu sagrado ritual:  te amo, me amas,  te amo, te amo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109137734059413707?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109137734059413707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109137734059413707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109137734059413707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109137734059413707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/08/quando-o-som-deixa-de-ser-e-o-motivo.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109123444546994057</id><published>2004-07-30T21:36:00.000-03:00</published><updated>2004-07-30T21:40:45.470-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>     Às vezes escrevo, às vezes não, mas em todas as vezes não esqueço que sou mãe, portanto agora com vocês as coisinhas das filhinhas, não mais tão filhinhas assim.&lt;br /&gt;     Ontem a minha penúltima, Mamali, fez dez anos.&lt;br /&gt;     A todos que aqui aparecem meu enorme carinho, e muito de meus beijos e minha memórias e todas as letras.&lt;br /&gt;maria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Histórias de Fadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         — Mãe, hoje tem história?&lt;br /&gt;         — Claro.&lt;br /&gt;         — História com lanche, né, mã?&lt;br /&gt;         — Claro. Mãe, que sou, sempre respondo aos filhos sem prestar muita atenção. Sanduíches de presunto e queijo, chocolate quente, os edredons na sala e todas debaixo das cobertas.&lt;br /&gt;         Comecei.&lt;br /&gt;         — Era uma vez um sapo...&lt;br /&gt;         — Um sapo, mãe? Sapo é feio e sempre faz arroto com a boca, reclama Mamali.&lt;br /&gt;         — Uai, mas sapo não vira sempre príncipe nas histórias de fada? perguntei olhando acima dos óculos.&lt;br /&gt;         — Ah, mãe, larga de ser boba. Virar vira, mas é muito igual. Por que não conta sobre um cachorro de fadas? — pede Lulu&lt;br /&gt;         — Ô Lulu, cachorro? Ficou boba é? Gosto mais de leão, diz logo Mamali&lt;br /&gt;         — Ai Mamali boba é você. Não existe leão de fadas.&lt;br /&gt;         — E nem cachorro sua tonta.&lt;br /&gt;         Não tivesse eu berrado e o estapeamento fraternal já teria começado.&lt;br /&gt;         Acalmada a minha platéia expliquei:&lt;br /&gt;         — Meninas quem vai contar a história sou eu. Sentem-se. As duas se acomodaram. E o cotovela e empurra-empurra continuava.&lt;br /&gt;         — Uma em cada sofá! Foi minha decisão final. E comecei pela segunda vez.&lt;br /&gt;         — Era uma vez...&lt;br /&gt;         — Se é de sapo, de sapo que não é sapo, pó pará, diz Mamali. Por hoje chega de sapo mã.&lt;br /&gt;         — Mas Mamali assim você não deixa a mamãe nem começar. Espera mais um pouco para ver que história ela vai contar. Continua mãe, pede Teté.&lt;br /&gt;         — Vai mãe, conta do tigre de fadas, provoca Lulu.&lt;br /&gt;         — Não era leão?&lt;br /&gt;         — Mãe... gritam as duas. A Teté tá enchendo a gente, continua a dupla.&lt;br /&gt;         — Ô Mamali, você nem sabe do que gosta? E você Lulu é maria-vai-com-as-outras... mudou só porque a Mamali mudou então eu escolho. Quero a Rapunzel.&lt;br /&gt;         Mãe tem o dever de ofício de contemporizar.&lt;br /&gt;         — Meninas, meninas, calma.  Uns três tons acima, para ser ouvida, recomeço. Era uma vez uma...&lt;br /&gt;         — Uma menina que tinha um cabelão, que jogava pela janela e pronto acabou tudo. Ah, ela também queria rabanete quando tava grávida. Lulu foi a mais rápida.&lt;br /&gt;         — Ela não Lu, a mãe dela que queria rabanete da vizinha.&lt;br /&gt;         — É verdade Mamali, queria rabanete da grama da vizinha.&lt;br /&gt;         — Horta.&lt;br /&gt;         — Horta? É?&lt;br /&gt;         — É.&lt;br /&gt;         — Ah, tá, então tá. Vai mãe, continua.&lt;br /&gt;         — Certo então a mãe da Rapunzel...&lt;br /&gt;         — Ô mãe, essa não, essa a Lulu já contou toda. Conta outra. Conta a do leão de fadas. Aquela do leão que pisa num espinho e...&lt;br /&gt;         — Pronto, já contou tudo de novo. Não é assim que conta, né mãe? Você tá toda errada. Lulu diz pra mamãe que história você quer.&lt;br /&gt;         — Quero Ariel, pode? Quantas pode poder pra você contar, mãe?&lt;br /&gt;         — Oras, meninas, quantas vocês quiserem.  Mas só posso contar uma de cada vez.&lt;br /&gt;         — Eu sabia, eu sabia. Você sempre arrumando coisa pra não ficar com a gente né mãe! Já vai né?&lt;br /&gt;         — Mas arrumando o quê, Lulu se ainda estou aqui, sentada.&lt;br /&gt;         — Você disse que só vai contar um, choramingou Lulu.&lt;br /&gt;         — Mas é claro minha filha, uma de cada vez.&lt;br /&gt;         — Ah è? Mas até agora você já contou um monte...&lt;br /&gt;         — Eu? Nem consegui começar minha história...&lt;br /&gt;         — Se for de sapo pó pará, pó...&lt;br /&gt;         — MAMALI!! Gritou Teté.&lt;br /&gt;         — Não fiz nada, não fiz nada berrou Mamali dançando, pulando pela sala.&lt;br /&gt;         — Chega! Agora chega, as duas sentadas que vou contar histórias de fadas hoje.&lt;br /&gt;         — Mas é só hoje, mã?&lt;br /&gt;         — Ô Lu, pergunta não que a mamãe acaba ficando brava, ri Mamali.&lt;br /&gt;         Sou mãe pouco paciente. Com vontade de morder as meninas grito:&lt;br /&gt;         — Meninas, sentem-se que vou começar.&lt;br /&gt;         — Era... E as duas pequenas, ao mesmo tempo, começaram... Era uma vez, era uma vez ... e caíram na risada. Ri também. Não há como perder a calma com duas gurias tão terríveis. Mudei minha tática.&lt;br /&gt;         — Meninas, me digam vocês: que história preferem?&lt;br /&gt;         — Rapunzel.&lt;br /&gt;         — Essa já foi, quero a Branca de Neve.&lt;br /&gt;         — Pra quê quer essa Mamali? Ela morre no final.&lt;br /&gt;         — Morre nada, ela fica só dormindo.&lt;br /&gt;         — Dormindo uma ova, ela faz de conta que tá morta só pro príncipe beijar ela igual o namorado da Teté faz com ela.&lt;br /&gt;         — O namorado da Teté também beija a Branca de Neve?&lt;br /&gt;         — Não Mamali sua tonta! O namorado da Teté beija a Teté, fala Lulu bem alto.&lt;br /&gt;         E a tonta, que é essa mãe aqui, ainda tem a pachorra de perguntar — Teté, você está namorando?&lt;br /&gt;         — Claro que não, mãe.&lt;br /&gt;         — Mentira! Mentira! Berravam as duas pequenas, dançando ao lado da irmã mais velha.&lt;br /&gt;         — Teté dá beijo de língua. Teté dá beijo de língua, gritaram em duo.&lt;br /&gt;         — Teté... Estou esperando...&lt;br /&gt;         — Mãe!!! Assim você me dá vergonha, reclama Teté. Você é uma velha. Tá esperando? Vou morrer de vergonha juro que vou.&lt;br /&gt;         — Vergonha por que? Ela vai ficar pelada? quis saber Mamali.&lt;br /&gt;         — Pelada? A princesa? Ué, no meu livro não tinha princesa pelada não, reclama Lulu&lt;br /&gt;         — É que quem fica pelada, fica grávida, Lu.&lt;br /&gt;         — Mamãe tá grávida, diz Teté muito solene.&lt;br /&gt;         — Também não tinha princesa grávida reclama de novo Lulu.&lt;br /&gt;         — Meninas, que história é esse de ficar pelada? E grávida?&lt;br /&gt;         — Mãe, pergunta matreira Mamali, você toma banho pelada?&lt;br /&gt;         — Claro que sim, respondo, tonta como sempre.&lt;br /&gt;         — Viu? Fica pelada e tá grávida.&lt;br /&gt;         — Grávida?? Grávida de nenê? Ô mãe...  nem falô né? Você só conta tudo pra Mamali e pra Teté. Eu nunca sei nada. E é claro que Lulu começou — fazendo bico, chorando.&lt;br /&gt;         — Meninas! Chega. Donde tirou a idéia de gravidez dona Teté? Eu, impaciente, não estava entendendo mais nada. Meninas confusas as minhas.&lt;br /&gt;         — Você é quem disse que tava esperando, respondeu Teté.&lt;br /&gt;         — Sim, estava esperando para contar a história... esperando você me dizer que história é essa de namorado, Teté.&lt;br /&gt;         — Ah isso? Pois é... eu fiquei.&lt;br /&gt;         — Ficou? Mãe tende a ser tão burra de vez em sempre... Ficou onde? As três se olharam e claro, caíram de rir da incauta mãe que nem sabia o que era ficar. Bem que tentaram explicar mas três meninas falando, gesticulando ao mesmo tempo, não explicam nada. Melhor voltar ao meu conhecido.&lt;br /&gt;         — Meninas e a história?  Qual contarei?&lt;br /&gt;         — A da princesa, pede Lulu.&lt;br /&gt;         — É, pode ser dizem Teté e Mamali.&lt;br /&gt;         — Certo, mas depois quero saber desse namorado viu dona Maria Ester.&lt;br /&gt;         — Danou-se, Té. Mamãe descobriu tudo. Tá ferrada, tá ferrada. As duas pequenas novamente dançavam e pulavam em volta da irmã mais velha, rindo e gritando, fazendo um verdadeiro aranzel.&lt;br /&gt;         — Chega, não conto mais história nenhuma. Tentei levantar mas fui derrubada no sofá por três garotas berrentas. Conta mãe, conta, pediam elas. Inventa uma história pra gente pede Mamali.&lt;br /&gt;         — Tá bom. Que história vocês querem?&lt;br /&gt;         — Procurando Nemo.&lt;br /&gt;         — Nemo é filme Teté, tem que ser história de contar e não história de ver diz Mamali.&lt;br /&gt;         — Da Ariel, pede Lulu.&lt;br /&gt;         — Essa você já pediu, Lu. Melhor a Branca de Neve.&lt;br /&gt;         — Ela tá morta, já falei e eu não gosto de história de morta, Mamali.&lt;br /&gt;         — Mas que mania a sua Lulu de achar que a Branca de Neve tá morta. Tá nada.&lt;br /&gt;         — Tá sim. Uma e outra, na beira de começar novo entrave.&lt;br /&gt;         — Vai ver a bruxa comeu ela junto com Joãozinho diz Teté implicando com Mamali que já  estava com aquele  bico de emburrada.&lt;br /&gt;         — Morreu, morreu e se morreu, não tem história, grita Lulu&lt;br /&gt;         — Isso porque vocês ainda não ouviram a mamãe contar a nova história da Chapéu, diz Teté.&lt;br /&gt;         — Nova? As duas param e perguntam ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;         — Nova, responde Teté. A pobrezinha da chapéu vai visitar a avó e encontra lá um lobo que serviu a própria avó de comida. Deu a avó pra chapéu comer. A chapéu comeu a vovó achando que era carne e não a vovó.&lt;br /&gt;         — Éca, qui nojo reclamam Mamali e Lulu fazendo muxoxo de repulsa e enfiando o dedo dentro da boca brincam a mímica de vômito.&lt;br /&gt;         — Mãe, se vai contar história bléca eu vou embora.&lt;br /&gt;         — Péra Mamali que também vou com você. E saíram correndo da sala gritando... sapo, sapo, mamãe é princesa de sapo... éca, éca...&lt;br /&gt;         — Teté! E o namorado?&lt;br /&gt;         — Mãe! E a sua gravidez? E foi outra a sair correndo. Nos quase 14 e ainda é uma moleca menina.&lt;br /&gt;         E eu fiquei para contar a história.&lt;br /&gt;         — Era uma vez um sapo que se vestiu de mãe e foi contar história de fadas para as filhas. Mas a lagoa secou, o sapo morreu e a mãe foi fazer tricô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109123444546994057?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109123444546994057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109123444546994057' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109123444546994057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109123444546994057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/s-vezes-escrevo-s-vezes-no-mas-em.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109089268222158731</id><published>2004-07-26T22:43:00.000-03:00</published><updated>2004-07-26T22:44:42.223-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A bem dizer não estava pro dia. Na verdade nem ele era o certo e nem a paixão era a mesma mas fazer o quê quando o coração pede e as mãos obedecem?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ir, o único caminho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E a vida, na verdade, parece existir somente para ser vivida. Estar nessa compreensão é que se faz difícil para mim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A diversidade deveria divergir, encantar as pessoas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Algumas vezes me perco tentando, querendo saber, pretendendo mencionar todas as coisas. E é nestas horas que titubeio me dando conta que existem fatos a serem nomeadas e outros a serem sentidos e que nesses até nomes acontecem... intuição, outras angustias em algumas vezes, ansiedade. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pensei, quando menina, que faria parte das mulheres fortes do evangelho e descobri, crescida, que abri a porta errada — estou nas mulheres sofredoras. E nas de pouco arrependimento. Madalena renegaria ser minha avó, aqui e agora e Maria Madalena ela jamais me deixaria ser. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Descobri. O homem que gosto prefere as mulheres poderosas. Imediato o meu sofrer e desesperadora a compreensão. Não sou forte, jamais serei. Não sei nem dizer não!... Que dirá tomar decisivas decisões? Quer também ser seduzido, conquistado. Isso até penso saber fazer. Mas sofro de grave doença. Quando gosto, quero agora e quando quero já tenho como pronto. E ultimamente ando querendo colo e alguém que me cuide. E este, o moço que gosto, não é destas lides.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agrada em presença, conversa e trato. Mas no ato...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E eu que canto jazz adoidado, nunca encontro someone to watch over me...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109089268222158731?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109089268222158731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109089268222158731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109089268222158731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109089268222158731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/blog-post_26.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109053156188704237</id><published>2004-07-22T18:23:00.000-03:00</published><updated>2004-07-22T18:26:01.886-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Caminho sem meios &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O norte não chega a ser cardeal, desejo quase obscuro. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Intensa e imediata &amp;nbsp;jamais alcanço rumo certo. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vontades minhas espelham hoje todos os ontem.&amp;nbsp; Os braços de outrora deixaram-me o querer. Os beijos perderam o gosto, As peles que em mim roçavam outras peles hão de se tornar. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se sabia, esqueci, desmereci. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje o caminho é meio, é escuro e faça-se noite. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei se acordo eu, se acordo em você ou se é você quem me acorda. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Venha. Chegue-se. Diga-me da minha maria, conte que me perdi, encontre um nosso de nunca ser achado. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ah fica... &amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estanque aqui cativo a mim. Toque a minha na sua mão, contorne nos meus os teus lábios. Colha com cuidado as lágrimas da minha incerteza,&amp;nbsp; faça seguro o meu perigo mediato. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei porque não me ensinas, não sei porque não te amo! &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Moço de ausências e cantos ande, ande a me encantar. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Almiscarei seus escândalos. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não queres incensar sonhos, escovar meus cabelos ou desvelar meus medos? Não queres vir fazer, moço que gosto de gostar? &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Importune a aflição, a minha, não me habitue e jamais desista. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Presunçosa que sou concretizo e cismo. Idealizo muda mudanças, inconstantes pelo caos. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Engano, ledo desacerto o meu.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dúvidas? Faço fé. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Caminho entre definições. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como se brinca. esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109053156188704237?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109053156188704237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109053156188704237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109053156188704237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109053156188704237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/como-se-brinca.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-109018653992314286</id><published>2004-07-18T18:34:00.000-03:00</published><updated>2004-07-18T18:35:39.923-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tempo, há o tempo, faz tempo... &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eventualmente indefinido, temporal, certeza que sim. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mesmo quando eu nele não me apresente, teima em desistir, consiste e existe. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Essência e a capacidade de almejar virtudes, oblíquo de atávicos desejos que empanam o desistir, cria o tempo o resistir e ufana o devir. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fado relativo, alado, conta histórias, tece alguns triunfos, é enganado e corporifica-se em aprazadas e abstratas meadas. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há o tempo, certeza que sim. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vez abocanha, outra aprisiona e em certas épocas deixa-se esvaziar. E sobrevive no tempo de não existir &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Atributivo, remunerante, suposto de si, o tempo festeja festas que não as suas. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desregrado em menos, fato e feito e nos mais... contemporâneo temporal. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Traz o vento deleite, alguns enfeites e o tempo de ser-afim. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estrutura meu medo o medo de perder tempo. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Do tempo nada há para surgir. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Porque o vento nada mais é que o tempo em movimento.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-109018653992314286?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/109018653992314286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=109018653992314286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109018653992314286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/109018653992314286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108989733565015606</id><published>2004-07-15T10:15:00.000-03:00</published><updated>2004-07-15T10:15:35.650-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A criação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Penso que a criação deu-se quando tudo foi desacordado.&lt;br /&gt;	Sei que assim aconteceu porque o mutismo dominou a insegurança e foram tais os sentimentos outros que juntos provocaram caras trocadas, E em casos de ocaso os olhos, novamente ladinos, cercaram os dias e os tornam dolorosamente mais dolorosos.&lt;br /&gt;	Na verdade vos digo, quase nada aprendi e insuficiente é o meu saber. As emoções, na criação, conflitam quase sempre.&lt;br /&gt;	Os rios vão molhar chorosas lágrimas e do riso sangrará a demência.&lt;br /&gt;	Para o nada, que entre a sensibilidade. &lt;br /&gt;	Em lugar colocado, corações. &lt;br /&gt;	Contra estes nem brisa,  nem fogo. Terra? Certeza que não. E água só como o mais terno dos fogos, a mais perigosa combustão e a mais indecente das vontades Água para todas as vontades e para estas... só os sentimentos &lt;br /&gt;	Ah, sentimentos... &lt;br /&gt;	Dias negros virão.&lt;br /&gt;	E porque negros, ponderem: não foi da arrumação que se fez feliz o mundo caótico. Foi da segurança, do desencontro, dos males da felicidade e das mágoas ausentes. &lt;br /&gt;	Por isso que acordei. &lt;br /&gt;	Padecia de entender estas que chegam e se arrojam soberanas de nossas vontades. E desta desarrumação, caotizar meu futuro. &lt;br /&gt;	O que não tenho, não me falta. E o que não tenho e sei que outros têm, ausencía em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108989733565015606?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108989733565015606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108989733565015606' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108989733565015606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108989733565015606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/criao-penso-que-criao-deu-se-quando.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108966799843434093</id><published>2004-07-12T18:33:00.000-03:00</published><updated>2004-07-12T18:33:18.436-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Meu amor hoje sai. Vai aquém do bojador. &lt;br /&gt;Pela janela, teremos as mesmas luas. A do céu e a dos mares.&lt;br /&gt;Meu homem também viaja. Vai ao sul, achar seu norte. &lt;br /&gt;Minhas letras vão vagar em terras por mim desconhecidas.&lt;br /&gt;Letras outras fico esperando, que não vêm, nunca vêm.&lt;br /&gt;O telefone não soa. Os olhos umedecem, regam o colo inaproveitado.&lt;br /&gt;Saudades assim acontecem.&lt;br /&gt;E o suspiro, reserva anterior de minh´alma, gentil que te partiste, diz o que Pessoa fala.&lt;br /&gt;Sentir? Sinta que lê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108966799843434093?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108966799843434093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108966799843434093' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108966799843434093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108966799843434093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/meu-amor-hoje-sai.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108922465983760042</id><published>2004-07-07T15:22:00.000-03:00</published><updated>2004-07-07T15:24:19.836-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Transitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Janeiro, pelos ocidentes de cá, versa com água ainda que sem rimas. &lt;br /&gt;Infestação de chuvas, anoiteceres rápidos em dias ensolarados, trovões acordantes fazem assim o tempo verão. Do solstício ao equinócio. &lt;br /&gt;Com toda essa água, no norte é a estação das secas. &lt;br /&gt;	Sinto que o meu verão é meio nortista. Por mais que a água queira me lembrar de amores, calmos e sem remorsos, é esta a mesma água que me deixa ir. Nem abstrato, nem desesperançado, meu amor em estado latente de apavoramento, supera até as águas de março e reserva-se.&lt;br /&gt;	Não há quem não tenha ouvido falar do amar. Mas há quem não ame.&lt;br /&gt;	Sou dos leves gostares que de tão leves fazem ficar. Ficam em ventos. Alíseos, pacientes, evaporam-se no inverno. É a pressão do contato.&lt;br /&gt;	Nem tão serena, anseio por um outono onde quem sabe, amores terríveis aconteçam, incompatíveis com meus verões e primaveras. E é então que lembro a ordem das coisas. Primavera, verão, outono, inverno. E descubro a inconciliável causa do meu coração espartano. Que perde batalhas, não ganha guerras, mas teimoso, segue em frente. &lt;br /&gt;	Há uma concordância explícita que o prazer é controverso. E por não saber amar ofereço-me para cultuar as infelicidades da caça. Os prazeres.&lt;br /&gt;	E quando em inverno, floreio primaveras, pintadas de escaldantes veranicos, que ao chegar do outono, repousam, vivas, em estrondosos amarelos esperançosos de vermelho.&lt;br /&gt;	É do rubro que se faz o amor.&lt;br /&gt;	E por deixar passar, sigo a ordem das coisas.  Procissão de reza, estação de madalena. Implorar a nada leva. Verão, outono, inverno, quem sabe um dia pule a primavera e desponte amante.&lt;br /&gt;	Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108922465983760042?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108922465983760042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108922465983760042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108922465983760042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108922465983760042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/transitiva.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108896725896235669</id><published>2004-07-04T15:43:00.000-03:00</published><updated>2004-07-04T15:54:18.963-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>ando escrevendo pouco, bem sei e às vezes coloco aqui textos antigos. Porque para mim o blog nada mais é que um bom lugar de escrever não levando em conta tempo, pessoas, acontecimentos, nada disso. Em alguns escritos, claro, trago meu cotidiano, em outros, o cotidiano alheio - coisas que ouvi, coisas até que imaginei. Mas aqui tenho sempre como minha casa de escrever. &lt;br /&gt;Assim e só.&lt;br /&gt;Por isso coloco para vocês um dos meus antigos, que foi selecionado para entrar numa oficina de literatura internautica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem meu objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem!&lt;br /&gt;Quando te pedi, seja meu objeto, foi por necessitar realmente de ti.&lt;br /&gt;E dessa necessidade maltratar-te. &lt;br /&gt;Privado dos sentidos, a você somente a escuridão.&lt;br /&gt;A mim tudo será permitido... meus sentidos estarão em você, na descoberta deste novo prazer.&lt;br /&gt;Num singelo aceito, meu pedido veio.&lt;br /&gt;Enrubescida, apaguei as luzes.&lt;br /&gt;Meu objeto, você, existia naquela hora somente. &lt;br /&gt;Nos meus, os teus dedos serão o despertar das minhas vontades.&lt;br /&gt;Quisera-te objeto, do desejo que em ti despertou o sangue em mim. Não pulso, jamais cresço mas hoje fiz de ti meu pau ereto.&lt;br /&gt;Sentindo-te, roupa contida, calça quase aberta, zíper puxado, explorei teu seio masculino em minha boca ávida por ter-te agora. &lt;br /&gt;Prazerosamente, mordi teus bicos, suguei em teus ombros. Senti teu cheiro e deitei-me em teu colo. &lt;br /&gt;Imóvel, respirava meu objeto. Latejante, entre as pernas adormecido, estava quem eu queria em minhas jornadas. Preso, acuado entre panos e apertado.&lt;br /&gt;Não o solte. Jamais o soltaria. Era meu o objeto e objetos nunca se movem. São movidos.&lt;br /&gt;Movimentando suaves meus dedos na boca, que não coloquei em ti. &lt;br /&gt;Hoje em meus lábios, só o bico crescente dos teus arrepiados peitos.&lt;br /&gt;Desnudei-me escura, certa do meu prazer, abandonada aos não apelos teus.&lt;br /&gt;Respirar, tua única sina.&lt;br /&gt;Não fui à boca, lábios, língua. Objetos não devem ser beijados. &lt;br /&gt;Não abras, não abras tuas pernas. A calça será teu corte, tuas correntes. Atado a elas, nada poderá fazer.&lt;br /&gt;Respiras. &lt;br /&gt;Forte e docemente. &lt;br /&gt;As mãos, aquelas tuas que outrora quis, escapam do meu cerco e ávidas querem meus seios. A estas, dou permissão. Já as queria ali, impacientes, tateando-me.&lt;br /&gt;Selvagem e suave, em ti me enrosco. Desnudada, ofereço-te o peito que jamais beijarás. Roço pela tua boca meu sopro. Em teu seio ofereço meu peito.&lt;br /&gt;Imóvel, não te permito nada. Se queres, não podes.&lt;br /&gt;És meu objeto. &lt;br /&gt;Meu desejo, meu desiderato, minha desídia, minha última indolência. &lt;br /&gt;Sem mágicas, sem sonhos, somente meu e somente objeto.&lt;br /&gt;De ti virá meu prazer.&lt;br /&gt;Frouxamente me recosto, te permito, o nada. Nem o olhar. Somente ouço teu respirar.&lt;br /&gt;Minhas pernas, em ti coloco. E nas nuances dos silêncios não ditos, em ti me acomodo. Pernas abertas, minhas mãos, dedos teus que agora são meus, tocam em mim, levemente.&lt;br /&gt;Nem preciso me abrir. Espero-te há tempos. &lt;br /&gt;Leve, fui tecendo controles. &lt;br /&gt;Sonora, fui ouvindo teu pulsar, latejando em minha mão. &lt;br /&gt;Mãos pequenas as minhas. Não me alcanço, em mim não entro. Não sei me penetrar. Murmuro desesperos, tu ouves, não respondes. Não me entendes.&lt;br /&gt;E as mãos, aquelas tuas, ainda em meus seios, passeiam. Apertam. Te seguro. Não podes me apertar. &lt;br /&gt;É a lei. &lt;br /&gt;É a ordem.&lt;br /&gt;Objetos não devem, não podem.&lt;br /&gt;Meus poucos gemidos, ouço pelos dedos quando te sinto pulsar. &lt;br /&gt;E porque magnânima sou, liberto o teu começar e passeio os dedos, agora meus, em teu eterno desejar.&lt;br /&gt;Sente, ah... como você sente. &lt;br /&gt;Mas como objeto, a ti nada é permitido.&lt;br /&gt;Sou rápida no desejar, lenta no sentir.&lt;br /&gt;Fico a me acariciar, te sentindo em dedos entre leves e apertados. &lt;br /&gt;Não há, não haverá. Encontro das águas. As tuas, seguro e prendo, para que nada sintas.&lt;br /&gt;As minhas só eu saberei. O gosto e os odores do objeto do sentir.&lt;br /&gt;Te fiz coisa. &lt;br /&gt;Mais me inclino, mais me sinto, e meus dedos, outrora dedos teus, entre minhas pernas andam, minha essência, só eu sinto. &lt;br /&gt;Tu respiras, lateja, cresce...&lt;br /&gt;Meu gozo, suave e forte, rápido, atemporal entre dores lancinantes, se apresenta. &lt;br /&gt;Estremecimentos me sacodem.&lt;br /&gt;Em ondas, meus teus dedos, me querem. &lt;br /&gt;As pontas deles sentem o que queria de ti e assim me satisfazem &lt;br /&gt;Meus sons, gritos surdos, te emudecem. &lt;br /&gt;Gozo, gozo e gozo. &lt;br /&gt;A ti, nada permiti.&lt;br /&gt;Como virgem vestal, cubro-te as vergonhas.&lt;br /&gt;Meus dedos lassos do novo prazer adquirido, se perdem entre plumas e espumas, que recheiam meus travesseiros.&lt;br /&gt;Coloco, silenciosamente, minha roupa.&lt;br /&gt;Nua debaixo de um vestido bordado.&lt;br /&gt;Abro as janelas. Preciso ver o dia nascer. Meu novo dia trará tuas eternas marcas.&lt;br /&gt;Por não teres gozado, por teres sido meu objeto, sofrerás a perpétua sina de na dor, ser meu o teu amor.&lt;br /&gt;Sorriso nos lábios, deito-me feliz.&lt;br /&gt;És meu, sempre serás meu.&lt;br /&gt;Tens agora, em ti, todas as minhas marcas.&lt;br /&gt;E a noite, quando vieres, te ensinarei a gozar&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108896725896235669?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108896725896235669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108896725896235669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108896725896235669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108896725896235669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/ando-escrevendo-pouco-bem-sei-e-s.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108869248291029705</id><published>2004-07-01T11:34:00.000-03:00</published><updated>2004-07-01T11:34:42.910-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>	Um jeito sapo de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decididamente hoje entendi: sou apaixonada por sapos encantados. Às vezes avestruzes, outras leões, muitas vezes ratos, mas burros encantados? Jamais!&lt;br /&gt;	Prezo muito a inteligência.&lt;br /&gt;	Esse jeito sapo de ser faz dos príncipes sujeitos ultrapassados. Cacetes eu diria.&lt;br /&gt;	Príncipes são aqueles que realizam de tudo um pouco, ótimos amantes, acompanhantes perfeitos. Usam ternos, quando esportivos os mocassins, perfumes da moda, restaurantes das revistas, vão dos quarenta aos cinqüenta e jamais envelhecem. Gostam de vinho, whisky e algumas vezes cerveja. Melhores safras, rótulos escuros e, óbvio, a cerva da temporada. Esse o modo dos príncipes.&lt;br /&gt;	Fazem a mulher ser fêmea e na cama querem aquela seja puta — só na cama, dizem — e esquecem, pobres putas, que essas recebem pra gozar e não conhecem o gozo recebido.&lt;br /&gt;	Carinho, para os encantados príncipes da vida, é uma boa chupada. Não falam mais em boquete e nem em fazer uma espanhola porque isso, hoje, ficou démodé.&lt;br /&gt;	Se dizem ótimos na cama — são aqueles que fazem de tudo um pouco — os amantes perfeitos. Só não entenderam ainda, esses encantadores, que a vida não sabe, não pede e não explica.&lt;br /&gt;Jeito príncipe de ser, o garanhão novo/antigo, é cão que ladra e não fode.&lt;br /&gt;Por isso hoje acordei pensando no quanto gosto de sapos, lobo maus, raposas, estes bichos estranhos em geral.&lt;br /&gt;Sapos não gostam especialmente de jazz ou blues. Alguns, moderados, são roqueiros, curtem uma guitarra bem tocada. Sapos não têm pau grande, nem grosso e no falo — procedem. Não têm gosto assim assado. Preferem, esses sapos jeitosos, saber de beijos, carinhos e amores com fim. Não prometem nem cobram, poetam simplesmente. Fazem chorar, sofrer e de quebra, amar. Não querem turbinadas, loiras, altas, recondicionas, magras ou inovadas. Querem somente a mulher amada. Mesmo para o amor de um só dia.&lt;br /&gt;Descobriram, e também por isso gosto muito deles, que quem muito agrada, mais recebe.&lt;br /&gt;Esses sapos sem idade entenderam que mulheres, as novas balzaquianas, são as competentemente amadas porque na verdade são as mulheres amorosas as criadoras do jeito sapo de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108869248291029705?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108869248291029705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108869248291029705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108869248291029705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108869248291029705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/07/um-jeito-sapo-de-ser.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108846380159740752</id><published>2004-06-28T20:01:00.000-03:00</published><updated>2004-06-28T20:03:21.596-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Sem pensar sei que penso, me sinto te amando e tenho medo. Receio ter medo ou ter receios. &lt;br /&gt;Não sei. &lt;br /&gt;A perda é tão presente que o apavoramento deve vir temeroso de outras e outras. As novas apresentações me tocam. Meu desejo é estar para sempre enamorada. Mas a vida de tempo em tempo vem e me diz:&lt;br /&gt; 	Levante-se, vá crescer. &lt;br /&gt;	Vire-se, vá cozinhar.	&lt;br /&gt;	Troque-se, vá amar.&lt;br /&gt;	Minha vida vem e é assim que me diz.&lt;br /&gt;	Estou aprendendo a fazer o tempo acontecer. Deixar no quarto as poesias que andas me contando. Lavar no banho teus carinhos para novamente incuti-los debaixo da pele. Ouvir tua voz em todas as luzes. Apagar todos os sons só para ressonar os minutos de agora atrás.  &lt;br /&gt;	Tenho vontade de abrir sua mala, pegar suas letras e novamente me ler em tuas poesias. Mas você não está então lembro da noite, respiro nova madrugada e espero que chegues para fazer dessa a minha nova noite de ontem.&lt;br /&gt;Saia meu amor que contigo vão pedaços de mim.&lt;br /&gt;	Volte, moço que vem e que vai. Minha boca aguarda a sua, minhas mãos atam de vontade, e meu corpo espera arder.&lt;br /&gt;	Quero estar em teu corpo feito tatuagem, não seguir viagem e deixar a noite para você que vem.&lt;br /&gt;	Venha moço. Talvez o tempo nos faça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108846380159740752?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108846380159740752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108846380159740752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108846380159740752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108846380159740752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/tempo-sem-pensar-sei-que-penso-me.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108827179826302621</id><published>2004-06-26T14:35:00.000-03:00</published><updated>2004-06-26T18:46:57.546-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje pensei nos defeitos que tens. &lt;br /&gt;Teus olhos são de tantas cores que se fazem olhos aos olhos meus, sempre tão seus. &lt;br /&gt;Tu me vira os olhos e encontra jeitos, seu modo a me perder. &lt;br /&gt;Teus lábios, bigodes poucos, atritam a pele que se abre em marcas, troféus de conquista, selos de presença.&lt;br /&gt;A boca, que não fala desejos, beija com beijos de quero, pego e uso. &lt;br /&gt;As mãos escondem-se das minhas. Atrás.&lt;br /&gt;Teus dedos vêm de caminhos, que o desejo segue.&lt;br /&gt;E o tempo, não existe. &lt;br /&gt;Vives saindo... &lt;br /&gt;Tantos defeitos de defeitos teus, parecem ser, sempre, defeitos tão meus.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108827179826302621?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108827179826302621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108827179826302621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108827179826302621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108827179826302621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/hoje-pensei-nos-defeitos-que-tens.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108810083308122057</id><published>2004-06-24T15:12:00.000-03:00</published><updated>2004-06-24T15:13:53.080-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Aos meus sempre queridos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem a ausência que será ainda de mais alguns dias. &lt;br /&gt;O moço chegou e estou me dedicando as er feliz.&lt;br /&gt;beijos e muito carinho&lt;br /&gt;maria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108810083308122057?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108810083308122057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108810083308122057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108810083308122057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108810083308122057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/aos-meus-sempre-queridos-desculpem.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-10877846452330196</id><published>2004-06-20T23:23:00.000-03:00</published><updated>2004-06-20T23:24:05.233-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Elas hoje acordaram cedo, as mãos, independentes mas minhas. Acompanham-me e sem que eu saiba, farão de tudo com o tempo que lhes é devido.&lt;br /&gt;	Aflitas, esticam-se em vagar incontido. Ora sobre o travesseiro, ora entrelaçadas e caminhando à frente até se soltarem e caírem, cansadas, nas muitas almofadas. Brancas e de piquê.&lt;br /&gt;	Pensei até em me tocar. A hora atrasada não permitiu que fizesse da tua lembrança meu sentido. Aquietei-me. Mãos, atemporais, precisam destempero quando resolvem se fluir em harmoniosos desejos.&lt;br /&gt;	Como a lembrança não cobra e é sorrateira, você tornou-se visível para mim. Pensei em deixar que elas te achem.&lt;br /&gt;Os dedos percorrem, as pontas sentem o toque, mas já tão trabalhadas nada de bom conseguem. Prefiro então usar para você o toque com os nós dos dedos.  Um inusitado sentir. Veja se gosta. Entre as pernas abertas, mãos pequenas, as minhas, quase delgadas. Unhas, quase sempre vermelhas. Os dedos exploram as antigas novidades. &lt;br /&gt;Não sei como pedem, mas adoram ser donos&lt;br /&gt;Dedos têm fases morosas. Não querem sair de onde se instalaram. Então ficam assim, mordentes, entrelaçando fios que nem tamanho tem, mas vivem em profusão. Rentes, entremeados e rodilhando. Sabe que adoro dizer bobagens? A palavra permeia a boca e o prazer. Fica na semeadura da memória. &lt;br /&gt;	Quer saber? Desfaço a lembrança como quem procura e nunca encontra, aquilo onde pensou ter deixado. Reminiscências, como a própria palavra, são pesadas.&lt;br /&gt;	Guardo essas mãos para usar agora as de ablução diárias. A água é de um gelo tal que nem o maior calor espanta o arrepiar do primeiro contato com o dia.&lt;br /&gt;	Acostumadas à lida, temperos, águas e detergentes, minhas mãos seguem a rotina. Preparam, autômatas que são, o cuidar de toda gente. &lt;br /&gt;Lavam filhos, secam corpos e tateando levam o alimento as bocas, mero ato de sobrevivência da raça. Os filhos têm que andar. &lt;br /&gt;	Já sossegadas da parte obrigacional pedem essas minhas mãos descanso. Faço isso lhes dando peso. Um peso físico que me faz bem. Segurem este livro, digo-lhes. E fico, começo da tarde, sentada no sofá da sala, pernas esticadas à frente, lendo o que me foi presenteado por você – O itinerário de Pasárgada.&lt;br /&gt;Pensei em Bandeira. Ele deveria ter-te nas mãos para saber o gosto que tu tens. Minhas mãos o sabem. Gostam de ti até pelo avesso. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-10877846452330196?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/10877846452330196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=10877846452330196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/10877846452330196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/10877846452330196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/elas-hoje-acordaram-cedo-as-mos.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108754071619240323</id><published>2004-06-18T03:32:00.000-03:00</published><updated>2004-06-18T03:38:36.193-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;Parece que dizes&lt;br /&gt;Te amo, Maria&lt;br /&gt;Na fotografia&lt;br /&gt;Estamos felizes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Esta é a terceira... não! É certamente a quinta noite onde perco o sono por ansiedade, agonia e o que mais for. Com clareza, provavelmente a primeira noite que perco o sono... com sono e preguiça... mas que adoraria ficar acordada. Queria arrumar o quarto para receber quem chega, meu moço que vem de longe.&lt;br /&gt;	Com cuidado escolho seu lado da cama.&lt;br /&gt;	Não! Não...&lt;br /&gt;	Deixarei a ele o lado que deitar.&lt;br /&gt;	Corri, no final da tarde, a lhe comprar agasalhos. A terra aqui anda fria, bem contrária as tuas, as terras de lá.&lt;br /&gt;	O quarto me preocupa. Deveria estar em ordem. &lt;br /&gt;	Mas a minha ordem deve ser de outro mote. O branco da parede está lanhado pelo abajur que lascado arranha a madeira da cama e vai, água a água furando a parede..&lt;br /&gt;	Esse moço que chega de longe,.. e que sabe dos meus defeitos e sabe fazendo não se importar, esse é o moço que chega pra me triscar, pegar e guardar.&lt;br /&gt;	Vem para meus lençóis antigos, moço. Foram lavados ontem. &lt;br /&gt;	Vem para aportar minha cama. E quando aqui deitares contigo não farei amor Isso muitas já fizeram. Já o disse tantas vezes...  e novamente direi.. cuidarei de te cuidar . vou te assoprar os devaneios, criar sementes.&lt;br /&gt;	Ah, moço que aqui me habita, não sou dona de seu corpo nem almejo sua alma. Apenas velo o sono, primeiro de muitos em cama comum. Comum de alvos sonhos e predicativa nudez. &lt;br /&gt;	Descanso em sua cansada fadiga de corpo as minhas novas unhas vermelhas. Para te receber refiz o sempre. Banho e cuidados. Cabelo renovado num vermelho ainda mais estridente, ilumina de cores os cachos que pouco restam. A pele esfoliou-se com o sol do inverno. Renasceu velha. Na certeza de já ser usada porque sei que é bem assim que devo oferendar-te.&lt;br /&gt;	Levei sons a descobrir que a música tocando era a que mais magoou meus 15 passados anos. Mundos jamais serão &lt;strong&gt;What a Wonderful World&lt;/strong&gt;. Quando aos quase quinze,  achava que sim. Mas aí,  &lt;em&gt;veio a vida má&lt;/em&gt; e fiquei morta de mim quando perdi minha primeira parte. E eu que ontem anoiteci pedindo aos céus um sinal, agora, quando nem mais esperava; agora. quando decidi sem sinal algum fazer da minha a minha nova vida, chega meu aviso.&lt;br /&gt;	Que  o tempo pare... mas que o tempo ao tempo dado, volte e volte sempre. &lt;br /&gt;	Estancada em mais de anos, levo como sua a minha história. Não parei, nem chorei e jamais pensei em desculpas. Fracasso no meu melhor. Sempre.&lt;br /&gt;	Fracasso não é desdouro. É do caos. Velar sonos, criar infernos e fantasiar perdas. Ai como pareço um caso de paixão, como sou um caso de amor, como quero ter sono, como quero dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;em&gt;Pensei, repensei tanta coisa &lt;br /&gt;	Ah, me deixa ser teu marido &lt;br /&gt;	Pensei, repensei tanta coisa &lt;br /&gt;	Queria casar-me contigo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Ontem disse que amanhã te amaria. Hoje sei que sou toda de amanhãs.&lt;br /&gt;	Devo ter medo, moço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chega mais perto, moço bonito &lt;br /&gt;Chega mais perto meu raio de sol &lt;br /&gt;A minha casa é um escuro deserto &lt;br /&gt;Mas com você ela é cheia de sol &lt;br /&gt;Molha a tua boca na minha boca &lt;br /&gt;A tua boca é meu doce é meu sal... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Letras incidentais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parece que dizes&lt;/em&gt;... &lt;strong&gt;Anos Dourados&lt;/strong&gt; —  Tom Jobim e Chico Buarque que sábado vindouro completa 60 anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;What a Wonderful World &lt;/strong&gt;— que pecaminosamente, defeito gravíssimo para alguém formada em música, não sei a autoria precisa.. sempre dizem Louis Armstrong mas não garanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A vida má&lt;/em&gt;, se bem me lembro era quadrinha que recitei na escola, de &lt;strong&gt;Manoel Bandeira&lt;/strong&gt; que também não garanto a autoria afinal todos sabem sou esquecida, confusa e desmiolada&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando menino&lt;br /&gt;Fui como todos, feliz&lt;br /&gt;Aí veio a vida má&lt;br /&gt;E fez de mim o que quis&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por final &lt;em&gt;pensei tanta coisa&lt;/em&gt; e &lt;em&gt; chega mais perto moço bonito&lt;/em&gt; fazem parte do tema de amor de &lt;strong&gt;Gabriela&lt;/strong&gt; docemente cantando pelo quarteto em cy com Tom Jobim, cantor e autor&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108754071619240323?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108754071619240323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108754071619240323' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108754071619240323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108754071619240323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/parece-que-dizes-te-amo-maria-na.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108735591570517170</id><published>2004-06-16T00:18:00.000-03:00</published><updated>2004-06-16T00:18:35.706-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;  MEIA BUNDA&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;	O que sempre me deixava teso eram as abaixadas. &lt;br /&gt;	Saia justa, curtinha e as coisas, todas caindo no chão. &lt;br /&gt;	Neca abaixava feito boneco de madeira, pernas durinhas e caía toda pra frente. A saia subia, mostrando meia bunda, meio rego me deixando teso inteiro. &lt;br /&gt;	unca fui tomar tanto café na cozinha. &lt;br /&gt;	Um dia eu pensava, um dia... &lt;br /&gt;	Um dia ela teria que dar marcha-a-ré e aí... &lt;br /&gt;Vivia de sonhar...&lt;br /&gt;Merda! Sem sabonete. &lt;br /&gt;	— Mãe, pai, alguém, o sabonete!&lt;br /&gt;	— Aqui, me disse uma mão enfiada dentro do chuveiro.  Reconheci Neca. O pudendo também. &lt;br /&gt;	— Esse sabonete não gosto, reclamei, sem saber o que fazer. Queria mesmo era sair e catar aquela bunda à força. &lt;br /&gt;— É o meu, responde.  &lt;br /&gt;— Toma —  e Neca entra no chuveiro, com a sainha justa, camisa colada, já na água, meu tesão e a água... espirrava, espirravam. &lt;br /&gt;Saia sem calcinha, camisa molhada... &lt;br /&gt;Neca, disse, é hoje. &lt;br /&gt;Hoje? Só vim dar sabonete. &lt;br /&gt;E Neca saiu. &lt;br /&gt;Assim. Só saiu &lt;br /&gt;Ah, aquela bunda...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108735591570517170?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108735591570517170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108735591570517170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108735591570517170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108735591570517170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/meia-bunda-o-que-sempre-me-deixava.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108705214850148300</id><published>2004-06-12T11:55:00.000-03:00</published><updated>2004-06-12T11:55:48.500-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Maria e Quimaz&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou Maria, correta, mulher honesta, de ir a igreja toda semana, alimentar os pobres, dar dízimos, trabalhar na quermesse. Viúva de Zé da Esquina. Que sou boa nessa vida, sei que sou. Que aqui se faz e aqui se paga é coisa mais certa que a morte. Meu Zé, que Deus o tenha, foi levado muito tarde dessa vida. Sofri e nunca reclamei. Assim é o fardo que me deu Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo viúva e sem filhos, não há dia que amanheça sem o sol me ver trabalhando. No tanque, na casa, plantando ou costurando. Sei dos meus deveres de mulher, minhas obrigações de viúva. Ando de preto. Me cai bem, mas é minha roupa de luto. Honro meu marido morto. Viúva e solitária. E quando me vêm os pensamentos, me ponho a dormir nas pedras pretas, no chão da cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quimaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o nome ou quem sabe a cicatriz, mas o certo é que Quimaz sempre se sentiu um igual. Com o nome, Quim do pai Joaquim, e Maz de Maria Zeneide, com seus defeitos, suas deformidades. Sentia-se como todos. Um pouco diferente, mas igual. Coxo, andava direito. Trabalhador, sustentava a família, mulher e sete filhos, os pais e os sogros. Um cunhado meio preguiçoso também. Andava reto pela vida. Tão reto que o pessoal de Monte Azul já não via mais seu pé arrastado, a deformação do lado esquerdo do rosto, e o nariz até hoje quebrado. No espelho Quimaz nunca se viu diferente. Penteava os cabelos para trás e ia para a lida. Namorou só Tereza e com ela teve os filhos. Casou depois do segundo, na igreja, quando a cidade voltou a ter padre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Chuva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuva muito escura, céu terrível, impossível olhar para cima. A água bulia nos olhos, fechava o nariz, pedia para a boca se abrir. E a chuva sempre tem bom gosto. A chuva de Maria era reta, clara e mansa. A chuva, porque o céu era dos estrondos, dos reclamos indignados de São Pedro. Já a de Quimaz, desordenada como seu andar e de céu limpo. Abundante somente nas águas. Alagava, encharcava, subia nas calçadas. Nas chuvas de Maria, Quimaz nem saí de casa.&lt;br /&gt;Maria e a chuva. Maria na chuva. A única vez que Quimaz viu Maria foi na chuva do equinócio. Uma vez na vida, uma só, Maria saiu na chuva. Se despiu. Tomou a chuva em mãos de concha, deitou na terra, abriu as pernas e se deixou macular. Os trovões silenciaram-se e Quimaz foi à janela. Viu Maria. Sentiu Maria. Tantos filhos e só agora sentiu as pernas, o entre as pernas. Melhor sair da janela, pensou Quimaz. E continuou no mesmo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quimaz vai a igreja, todos os dias. Maria, nos domingos. Ainda não se encontraram. Quimaz passou a ter aqueles quesitos necessários à beatificação da alma. Terços, santinhos. Maria, sempre de luto. E como o luto lhe cai bem. Tereza, mulher de Quimaz, reclamou ao padre a falta do marido nas obrigações do casal.&lt;br /&gt;- Ele reza pelo bem de todos, minha filha. Seu marido agora pertence a Deus.&lt;br /&gt;E assim foi. Maria, sempre de luto. Quimaz, de casa para a lida, da lida para a igreja, da igreja para casa.&lt;br /&gt;E todo ano, no equinócio da primavera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108705214850148300?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108705214850148300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108705214850148300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108705214850148300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108705214850148300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/maria-e-quimaz-maria_12.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108683495152283567</id><published>2004-06-09T23:25:00.000-03:00</published><updated>2004-06-09T23:35:51.523-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Queridos que vêm aqui, meus amores, todos vocês. &lt;br /&gt;Desculpem a ausência destes dias, aqui e em vossos blogs mas filha Teté anda podrinha e estou cuidando de cuidar que os médicos descubram o que ela tem ou que pelo menos um pouco ela melhore.&lt;br /&gt;Enquanto isso colocarei aqui uns curtinhos que adoro fazer. Antigos.. mas que espero, sirvam de tapa buraco para minha ausência nos próximos dias&lt;br /&gt;beijos a todos&lt;br /&gt;maria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um quarto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tralhas, roupas, memórias. Julho começa quando o semestre se renova. Não tenho o que deitar fora. Sou fora de guarda, descautelada. Fecho a porta do sábado, entro nos domingos e peço à vida que fique de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segunda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda, dia de não gosto. &lt;br /&gt;Não gosto de começos, não gosto de bancos, não gosto de não gostar. Mas a segunda  sempre vem. Zeros, valendo aos outros, zeros esquerdos para mim. &lt;br /&gt;Assim os pago. Assim me pego. Assim pretendo e chego nos dias 15.&lt;br /&gt;Sem grana, quase nada, largo as obrigações e decido. Vou ser feliz da vida&lt;br /&gt;Sendo assim, nos quinze faltantes, vou brincar de viver.&lt;br /&gt;Vou ser sábado na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sabor de bebê&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança no colo, lado direito, encaixada feito montaria. Mãe e filha, de lá pra cá. Nem o tapete ficou ralo, nem a barriga cansou. &lt;br /&gt;Carregava uma ao lado, outra na barriga e a barriga, crescia. Dia vinha, noite chegava e barriga, a mãe e a filha fazendo ciranda em linha reta.&lt;br /&gt;Marido, pai algoz chegando...&lt;br /&gt;—	Mãe o pai tá com cheiro de bebê. Ele, bêbado, caí no chão de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A CAMA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com paciência viperina Maria arquitetou. &lt;br /&gt;Vida e vingança. &lt;br /&gt;Machado, martelo e infelicidade. &lt;br /&gt;Quebrou a cama. &lt;br /&gt;Jeitosamente realisada, a vingança perfeita. &lt;br /&gt;José quase inocente, deita-se e a cama cede. As farpas se encoxam onde Maria havia visto Teresa encaixar-se nele. &lt;br /&gt;Hoje, Maria e José, casados, continuam. Ela, faceira, embonitou depois do acidente. Ele, entrevado, vive só. &lt;br /&gt;Camas separadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108683495152283567?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108683495152283567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108683495152283567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108683495152283567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108683495152283567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/queridos-que-vm-aqui-meus-amores-todos.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108656843008632888</id><published>2004-06-06T21:02:00.000-03:00</published><updated>2004-06-06T21:33:50.086-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Às vezes encrenco, outras emburro. Mas em todas às vezes,  pego a tela, separo novas linhas e começo mais um bordado.&lt;br /&gt;	Nunca trago bordados lá para fora.&lt;br /&gt;	Se vai ficar pronto, se  ficará bom, se o avesso será perfeito, são razões sobre as quais jamais divago.&lt;br /&gt;	Tenho por obrigação, única, o bordado. &lt;br /&gt;	Outros os tempos e sentaria na porta do quintal para pensar, tomando sorvete direto do pote. Cheguei a gostar destas subversões não muito graves.&lt;br /&gt;	Sento, sim... sentava. Sentava encostada no batente esquerdo, para deixar a porta sempre aberta e com as pernas esticadas, segurar o outro lado. E assim, do jardim, perceber só as laterais. &lt;br /&gt;	Jardim pouco cuidado, vezes desfeito em tantas mudas, outras, infestado de pragas. &lt;br /&gt;        Nos finais de tarde, quase acolhedor. No começo da noite, aterrador.&lt;br /&gt;	O sol amanhece como morte para a grama já esturricadamente estéril. Deixei de cuidar desde...  desde que resolvi não cuidar mais do jardim.&lt;br /&gt;	Entretanto gosto de ver que nem meu desgostar  devastou esses poucos verdes.&lt;br /&gt;	Aqui venho maquiar meu tédio. Disfarço-o de jardim. Um estranho jardim plantado em cirílico para que eu jamais possa lê-lo. Guardo as tardes para decidir. O sol vai, o sol vem e nunca chego a nada.&lt;br /&gt;	Penso nas razões adequadas. Penso.&lt;br /&gt;	Penso que gostaria de ser Anna K. forte, mas quem sabe entregue a poucos desmaios. Lembro do conde, do trem da história, mas fiquei com a imagem, docemente juvenil, que desmaios devem resolver quase tudo&lt;br /&gt;	Acontece que se desmaiar aqui, aqui ficarei desmaiada até acordar, sozinha&lt;br /&gt;	Pedi dias para decidir.  E decidir, não sei se ainda sei.&lt;br /&gt;	Passei noites bordando. A dama de azul, a moça da saia vermelha, o céu desbotado e as terras claras. As linhas sobraram. Alcancei meu aquário de linhas e coloquei as novas sobras. E só assim percebi que meu vidro, no batente de todas as cozinhas que sou, reúne cores que o sol traz e leva. &lt;br /&gt;	Segurei firme meu arco íris envidraçado, entrei e decidi. &lt;br /&gt;	Amanhã começo a te amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108656843008632888?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108656843008632888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108656843008632888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108656843008632888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108656843008632888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/blog-post.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108632976772670167</id><published>2004-06-04T03:15:00.000-03:00</published><updated>2004-06-04T03:16:07.726-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;BANHO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Isso de ter tristezas me assaltando sempre que vou ao banheiro está começando a me deixar preocupada. Estaria eu com minhas funções vitais prejudicadas por esta indefinida melancolia que me ataca quando o sol chega bulindo com as toalhas? &lt;br /&gt;    Um sol tão quente e colorido, matizado a rosa-chá. Cor de madalena, cor de avó. Minha em seu  jasmim-laranja.&lt;br /&gt;    - Menina, isso é modo de se comportar? Já tomar banho! Essa era minha avó, achando que a vida se resolvia aos banhos. E como era castigo, vovó enchia a banheira branca, com sais perolados do seu jasmim. As nuvens de vapor carregavam as dores, lavavam a raiva e a água quente demais, pelava a pele e a culpa. E eu, olhos-de-senão, não reclamava.&lt;br /&gt;    - Entra menina que queima coisa nenhuma. Falar e agir, assim era minha avó, jasmim-de-mato. Como era convite obrigatório, entrava na água escaldante. Como doía, como ardia. Mas quieta ficava. Sempre quieta. Os olhos, já estes  avermelhavam-se e derramavam lágrimas que escorriam silentes pelas faces evaporadamente rubras.&lt;br /&gt;    - Viu, minha filha? O choro só confirma seu arrependimento. Também, eu gritava por dentro, com essa água me queimando vó... até crocodilo pede abrigo. Mas reclamava só por dentro, só por dentro. Nunca me insubordinei contra minha avó. Eu era eu seu jasmim-de-soldado e ela meu jasmim-de-cabo.&lt;br /&gt;    A casa era antiga para mim, novíssima para minha avó. Tão nova que os canos cantavam na hora de sair água. Uma água que nunca mais tive. Cloro-limpa-alma. Enquanto eu chorava, sem sons, na vermelhidão do arrependimento, minha avó, pequena, azougue— verdadeiro jasmim-da-itália — colocava no canto da banheira duas toalhas enormes, que ela tinha acabado de recolher no quintal, perfumadas-a-limpinhas. Macias. Toalhas de aliciar prazeres. Tão brancas quanto  minha avó, tão alvas como a alma recuperada da conspurcação cotidiana.&lt;br /&gt;    E quando eu, tal qual  Afrodite, nascida entre espumas do mar saía da banheira, em renovado estado de pureza,  recebia a mão salvadora de vovó para voltava a reinar, soberana, entre os que me amavam.  Minha avó era assim incensadora das auto-estimas alheias. Suas zangas eram meu sutil estímulo. Quisera eu poder tê-las hoje em dia. &lt;br /&gt;    Falta-me teu recender, minha avó. Deveria ter feito de você minha profissão de fé. Vovó seria a liturgia da palavra, suas conversas, óbvio, os ritos iniciais e o banho a quente eucaristia. Os sais, as oferendas, o vapor, o mea culpa. Por comunhão aquela escova que dos cavalos me lembram a crina e os cantos finais seriam a sapatilha que ela mesma fazia das tiras de antigas toalhas. &lt;br /&gt;    Não há nada melhor que a memória restaurada. Até jasmim-cheiroso a vista não embrulha. &lt;br /&gt;    Creio que é por isso que rezo, ao sair do banho. &lt;br /&gt;    E choro ao entrar.&lt;br /&gt;    A liturgia do banho. Os jasmins de minha avó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108632976772670167?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108632976772670167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108632976772670167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108632976772670167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108632976772670167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/banho-isso-de-ter-tristezas-me.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108615208931773803</id><published>2004-06-02T01:51:00.000-03:00</published><updated>2004-06-02T01:54:49.316-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>    Primeiro veio. Começou e tentou. Atentando o tentador. &lt;br /&gt;    Uma história de sorriso e pele, sensual. E porque sexy, a foto. Nua. Uma quarentona nua? Quase entrei nessa tua ginga. Mas o plantado ficou e sua semente fez raiz. Vergonha que não deixa nem me pensar. Fato sem vontade que mete medo, e o que é de medo, medrado fica, permanece.   &lt;br /&gt;    Depois, mandei o querer para minha gaveta de esquecidos e guardei.&lt;br /&gt;    Você saiu, fez-se tênue a sua viajem da lembrança. Nem o tempo aconteceu na distância do seu espaço. Hoje, para mim, é como se ontem. Sem mudanças, nada diferente.&lt;br /&gt;    Voltado, ordem e pedido. A voz, nem sensual se fez. Nada diferente. Inclemente reiterou: mande sua foto, nua. E minha vergonha, feito caixa aberta à Pandora, o vento levou. &lt;br /&gt;    Pedi ajuda. Ajuda de amiga, me perguntei de você. Ajuda para não perder a vergonha. E me disse: se crie e dê-se a ele. &lt;br /&gt;    Fiz-me, renovada. &lt;br /&gt;    Vou sim, vou mandar-me à você, colorida de nudez. Com este que vai e volta, que nunca me deixa, meu medo. &lt;br /&gt;    Por isso, meu Shariff de plantão, seguem  foto e explicações. &lt;br /&gt;    O corpo é em azul, entre as cores da sua preferida. Como e porque venho do mar, pedi uma sereia estampada em minhas costas, com conchas e ondas. &lt;br /&gt;    A foto é andando. Porque o meu que desce e sobe o seu, esse meu mais sensual, que primeiro te atraiu, mostro andando. Gingado, de  rebolar meus passos. Atentando o teu querer.&lt;br /&gt;    Sei bem que adora me ver de costas. &lt;br /&gt;    E como sou água e você terra, nas ancas vem pousado leve graveto. Sua posse em minhas terras, eu madeira de teus sucos.&lt;br /&gt;    Segue, agora, a primeira de várias fotos.&lt;br /&gt;    As outras, se quiser, venha você mesmo tirar.&lt;br /&gt;    Beijos da moça nua bamboleante... na foto em azul.&lt;br /&gt;    Sua Lara, doutor Jivago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108615208931773803?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108615208931773803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108615208931773803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108615208931773803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108615208931773803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/06/primeiro-veio.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108587527664169841</id><published>2004-05-29T20:57:00.000-03:00</published><updated>2004-05-29T21:01:16.640-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Meu amor&lt;br /&gt;Estive voltando ao de ontem. &lt;br /&gt;Os seios... mania... preferência... tamanho... sinuoso gosto de gostar... e me dei conta que não falam dos seios dos homens.&lt;br /&gt;São flores, com vontade de promissores botões. De pouco volume e bem marcados, bicos saborosos. Pequenas pedras escuras, incrustadas em pelagens ora suaves, ora revoltas. Umedecidos, esfregados, esses bicos não crescem nem intumescem. Encrespam. Abrem possibilidades. Novos e  recorrentes desejos.&lt;br /&gt;Os masculinos seios pedem complementos. &lt;br /&gt;Mãos! Mãos interessadas em cobrir, percorrer, pressentir, procurar. &lt;br /&gt;Gemidos e gingados. &lt;br /&gt;Relar de peles, unhas. &lt;br /&gt;Boca bem molhada, dentes mordiscados e outro seio. Peitos masculinos também querem seios.&lt;br /&gt;E, se, dos femininos manifestou-se Salomão por uvas e montes, nos masculinos quero-os tangidos, executados e dançantes. Exercitarei fenômenos e ocorrências, próprias geografia. &lt;br /&gt;E por essa terra pampearei vales. &lt;br /&gt;Amontoarei... serpenteantes planícies.&lt;br /&gt;Minha boca em teus seios, agrada-me. Virgens, devastados a toque, a cada boca. Desleitados, quero-os rompidos à força. &lt;br /&gt;Montada em tuas coxas, arqueada e arfante. Contra o teu o meu peito, em suores. Minha boca respira a tua. Eu e somente eu, a te amamentar vontades. Sequiosa, satisfaço a mim, sempre a mim, subindo devagar pelos, pele e virtude. &lt;br /&gt;Meus seios, ouriçados, querem ressudar os teus. &lt;br /&gt;Des-entrada de você, obediente, crispo, boca ávida de beber, todos os teus externos.&lt;br /&gt;De teus contornos, faço trilha. Sigo o caminho, cheiro e sorvo. &lt;br /&gt;Quero, de ti,  todas tuas águas, teus líquidos, todo você.&lt;br /&gt;Teus seios acolhem os meus.&lt;br /&gt;	Encontram-se, fazem. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108587527664169841?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108587527664169841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108587527664169841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108587527664169841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108587527664169841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/05/meu-amor-estive-voltando-ao-de-ontem.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629261.post-108583581005150340</id><published>2004-05-29T09:53:00.000-03:00</published><updated>2004-05-29T10:03:30.050-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'> &lt;em&gt;  &lt;strong&gt;    RECADO ATRASADO&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana retrasada estive por conta da sogra que, um tanto velhinha, 89, além da demência senil voltou a gritar por toda  noite. Claro que ela gritando assim o plantão noturno era meu. E daí os dias passaram a ser terríveis porque sem dormir não sei nem dizer A e muito menos concatenar idéias. &lt;br /&gt;Ela melhorou e fomos todas, sogra, filhas e eu, tomar a vacina de gripe. E olha que deste enorme grupo feminino de 5 mulheres só uma passa dos 60... a sogra claro... vocês estvam achando que era eu né? Mentira... sou uma balzaca 17 anos depois.&lt;br /&gt;Acontece que vacina deu reação. Então toca cuidar das filhas e depois claro, porque não sou nem super mãe e nem de ferro, foi a minha vez de ser cuidada por elas. E como sou essa velhota que vocês já sabem... com febre, só fiz ficar pior. &lt;br /&gt;Daí é que levei várias broncas essa semana porque nem fui visitar amigos e nem respondi emails.&lt;br /&gt;Imaginem vocês que quem me lia os post fio Teté... nem conseguia escrever. Broncas dadas e recebidas.. peço que me desculpem a enorme ausência de mais de 20 dias... estou voltando. Acho... pelo menos hoje já acordei sem febre.&lt;br /&gt;E quero ver se à tarde.. volto ao meu normal.. de escrever. ler e visitar todos vocês que amo demais&lt;br /&gt;beijos muitos beijos&lt;br /&gt;minhas desculpas&lt;br /&gt;e carinhos&lt;br /&gt;maria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629261-108583581005150340?l=digressivamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digressivamaria.blogspot.com/feeds/108583581005150340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629261&amp;postID=108583581005150340' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108583581005150340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629261/posts/default/108583581005150340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digressivamaria.blogspot.com/2004/05/recado-atrasado-semana-retrasada.html' title=''/><author><name>Maria Odila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14658315665005001235</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
